“Um menino da Cidade Alta” resgata memórias de Sérgio Bichara sobre Vitória e amizades

Publicado em 09/09/2026 às 08:08

Compartilhe

9-1024x81933

Texto: Bruno Caetano / Fotos: Divulgação

Memórias da infância, amizades, perdas e mudanças na paisagem de Vitória estão reunidas no livro Um menino da Cidade Alta, de autoria do escritor capixaba Sérgio Luiz Bichara. A obra será lançada no sábado, 12 de setembro, às 10h, na Biblioteca Pública Municipal de Domingos Martins, com entrada gratuita.

O livro reúne textos baseados em experiências vividas pelo autor, principalmente na Vitória das décadas de 1950 e 1960. Lugares, acontecimentos e pessoas que fizeram parte de sua trajetória aparecem nas narrativas, que transitam entre prosa e poesia. “Neste livro, lugares, fatos e pessoas são reais”, afirma Sérgio.

Anúncio

Escrita começou há décadas

Grande parte dos textos permaneceu guardada por cerca de 20 anos antes de ser retomada pelo escritor. Nesse período, Sérgio recebeu incentivo de amigos e escritores, entre eles, o escritor Pedro J. Nunes, até decidir reunir o material em uma obra.

Além da revisão dos textos originais, o livro também recebeu novas narrativas e poemas. O próprio autor afirma que o processo de escrita é demorado, principalmente pela preocupação em considerar cada texto pronto antes de publicá-lo.

Anúncio

“Eu demoro muito a escrever, leva tempo para eu considerar um texto pronto, talvez devido à minha mania de perfeição. E mesmo com o incentivo de amigos, como o excelente escritor Pedro J. Nunes, entre outros, eu sempre ia deixando para depois, até que chega o momento de não poder mais esperar, de não ter como responder a perguntas como: o que você ainda espera para lançar seu livro?”, conta.

Renato Pacheco teve papel na trajetória literária

Entre as pessoas que tiveram participação na trajetória literária de Sérgio está o escritor capixaba Renato Pacheco. Os dois fizeram parte do Sabalogos, grupo de literatos que se reuniu durante mais de 30 anos e do qual Sérgio guarda lembranças da convivência com escritores do Espírito Santo.

Foi também para Renato que Sérgio passou a mostrar seus primeiros textos. Antes disso, segundo o autor, havia constrangimento em compartilhar o que escrevia.

“Tive o privilégio de fazer parte de um grupo de literatos por mais de trinta anos. Pude conviver semanalmente com os maiores escritores capixabas, Renato Pacheco, inclusive. Comecei a escrever meus primeiros textos e me sentia constrangido em mostrá-los, até que Renato certa vez me questionou: por que você não escreve?”, relata.

Sérgio considera aquele momento um marco em sua trajetória. A partir dali, passou a apresentar os textos a Renato, que fazia correções e dava orientações sobre a escrita. Foi também dele a sugestão para o título Um menino da Cidade Alta.

“Considero esse momento como um marco, foi a partir daí que passei a mostrar a ele o que eu escrevia. Renato me corrigia e me direcionava. Inclusive, é dele o nome do meu livro, uma sugestão muito bem aceita. Ainda guardo com muito carinho as mensagens que me enviava junto com meus escritos”, afirma.

A morte de Renato Pacheco, em 2004, também marcou o percurso do livro. A ausência do amigo e escritor contribuiu para que os textos permanecessem guardados por mais tempo, até que Sérgio retomasse o projeto.

MEMÓRIAS DE VITÓRIA – Ao revisitar suas memórias, o autor também se depara com uma Vitória diferente daquela que conheceu na infância e juventude. Os lugares descritos no livro continuam existindo, mas passaram por transformações ao longo das décadas.

“A cidade de Vitória em que nasci e cresci, os lugares que descrevo como parte de minha vida, não existem mais. Ainda permanecem lá, mas já não são mais os mesmos, atingiram uma acentuada decadência”, afirma.

Sérgio conta que atualmente retorna poucas vezes às ruas e aos locais que fizeram parte de sua história. Segundo ele, essas visitas provocam uma sensação de tristeza diante das mudanças observadas na cidade.

“Poucas vezes, aqui um formidável eufemismo para ‘quase nunca’, volto e caminho por aquelas ruas, aqueles lugares, que agora sempre me enchem de tristeza. Verifico como a degradação tomou conta de tudo, infelizmente”, relata.

Entre as lembranças está a casa construída pelos avós do escritor após a chegada da família do Líbano, em meados da década de 1920. Para Sérgio, observar as transformações daquele espaço representa também o contraste entre a cidade registrada em suas memórias e a paisagem encontrada atualmente.

“A casa que meus avós construíram, quando chegaram do Líbano em meados dos anos 1920, perdeu completamente o antigo esplendor. Foge à minha compreensão como fatos assim são permitidos”, lamenta.

A publicação, portanto, reúne não apenas lembranças pessoais, mas registros de uma época e das relações construídas por Sérgio ao longo da vida. A infância na Cidade Alta, as amizades com escritores, as perdas e as mudanças na cidade aparecem como elementos de uma narrativa construída a partir da memória.

O lançamento em Domingos Martins será uma oportunidade para o autor apresentar ao público um trabalho que levou décadas para chegar às estantes.

Serviço

  • Lançamento do livro Um menino da Cidade Alta
  • Autor: Sérgio Luiz Bichara
  • Data: 12 de setembro de 2026, sábado
  • Horário: 10h
  • Local: Biblioteca Pública Municipal de Domingos Martins
  • Entrada: gratuita

Veja também

capa

Terceiro acidente com bicicleta elétrica expõe riscos em Domingos Martins

9-1024x81933

“Um menino da Cidade Alta” resgata memórias de Sérgio Bichara sobre Vitória e amizades

49621

Anvisa aprova novo medicamento para prevenção da enxaqueca

Arroz- Magnific

Conab poderá investir R$ 500 milhões na compra de arroz para reforçar estoques públicos

26817

Hepatites virais podem ficar silenciosas por anos; veja como prevenir e diagnosticar

2019

Safra 2026/27 ganha força e plantio de milho dispara no Centro-Sul do Brasil

143740

Brasil avança no Pisa 2025, mas ainda fica abaixo da média da OCDE

Screenshot 2026-09-08 at 13-03-03 Pix evolui e cobrança automática fica simples e segura para empresas e clientes — Agência Gov

Banco Central atualiza Pix e amplia recursos para pagamentos automáticos