Sesa trabalha com linha de investigação por fungo ou bactéria para contaminação no Hospital Santa Rita

Publicado em 04/11/2025 às 09:13

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Foto: Sesa/Asscom

Em coletiva de imprensa, realizada nesta segunda-feira (03), em Vitória, a Secretaria da Saúde (Sesa) apresentou as hipóteses para a ocorrência do surto intra-hospitalar registrado no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória. A Secretaria trabalha com a possibilidade de infecção pela bactéria Burkholderia cepacia ou pelo fungo Histoplasma sp. A coletiva aconteceu no auditório da Sesa, na Enseada do Suá.

A coletiva de imprensa foi acompanhada pelo secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann; pelo subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso; pela coordenadora de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Rita, infectologista Carolina Salume; e por videochamada, o diretor do Lacen/ES, Rodrigo Ribeiro Rodrigues.

De acordo com o secretário Tyago Hoffmann, a equipe chegou às hipóteses após trabalho de investigação de amostras biológicas e ambientais. “Rodamos vários testes no Laboratório Central do Estado, o Lacen/ES, oriundas de amostras de pessoas contaminadas no surto, para identificar DNA e RNA de possíveis agentes, mas não foram encontrados rastros de quaisquer patógenos. Encaminhamos 11 amostras de funcionários do hospital para testes na Fiocruz e lá foi encontrada uma amostra reativa para o fungo Histoplasma sp. Fora isso, nas investigações de materiais ambientais, foi achada em uma amostra de água de um dos bebedouros a bactéria Burkholderia cepacia”, explicou o secretário.

Segundo Hoffmann, em virtude da característica clínica dos pacientes acometidos, a investigação, ainda não conclusiva, caminha para o fechamento do diagnóstico por fungo. “Faz sentido (fungo) nessa investigação por conta dos sintomas do quadro clínico dos pacientes e por não haver transmissão entre pessoas. O fungo se encaixa nessa investigação. Em relação à bactéria, normalmente ela causa quadros mais agravados do que foi visto até agora. Além do mais, não foi encontrada em nenhum teste em pacientes”, ressaltou.

O secretário de Saúde destacou, entretanto, que a investigação não está fechada, e segue acontecendo. “O que fizemos agora em relação ao fungo foi chamar novamente as pessoas contaminadas, colher o sangue novamente, pois nesse período esses pacientes devem ter desenvolvido anticorpos. E encaminhamos para testes. A expectativa é que consigamos fechar um diagnóstico”, disse.

Os próximos passos de trabalho de investigação pela Sesa, como explicado pelo secretário Hoffmann, será a ampliação de testagens de casos suspeitos, dentro da janela de cultura ideal, sendo encaminhadas para exames sorológicos, além de ter exames de cultura em andamento do fungo. Em relação à bactéria, é a coleta de mais pontos de água e estendendo o prazo de incubação das hemoculturas, na tentativa de encontrar um caso humano. A coleta de novas amostras aconteceu neste último final de semana, em funcionários do Hospital que apresentaram sintomas e encaminhadas à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Ao final da coletiva, o secretário divulgou que faria uma visita, ainda nesta segunda-feira (03), ao Hospital Santa Rita, junto com a equipe técnica da vigilância e da unidade, a fim de demonstrar à população que às demais áreas do hospital estão sem risco de contaminações. “Estamos preocupados com a quantidade de pacientes que estão deixando de fazer seus tratamentos oncológicos a tempo, por isso vamos fazer uma visita, demonstrando, enquanto Sesa, que temos segurança que as demais áreas estão sem risco”, garantiu Hoffman.

Apresentação da investigação laboratorial

Durante a coletiva, o diretor do Lacen/ES, Rodrigo Ribeiro Rodrigues, fez a apresentação explicando os resultados da investigação laboratorial até o momento. Ele informou que a investigação foi feita a partir de eixos de hipóteses, sendo um não infeccioso, representado por agentes físico/químico e o eixo infeccioso dividido em sub-eixos, como virais, fúngicas, bacterianas e micobacterianas.

“Trata-se de uma investigação muito complexa porque envolve uma quantidade grande de casos suspeitos e uma janela temporal extensa, o que faz com que várias amostras tenham que ser testadas utilizando diferentes metodologias, desde exames diretos, cultivos, técnicas mais complexas como sequenciamento na tentativa de identificar se o surto de síndrome respiratória era provocado por vírus, fungos, bactérias ou micobactérias”, relatou o diretor do Lacen/ES.

Entre os achados, em uma amostra sorológica foi reativa para o fungo Histoplasma sp, isto é, um paciente desenvolveu resposta imune ao agente infeccioso, e em uma amostra ambiental foi positiva para a bactéria Burkholderia cepacia, encontrada na água de um bebedouro específico.

“A amostra sorológica positiva mostra que essa pessoa teve contato com respectivo agente infeccioso e desenvolveu uma resposta imune. Já em relação à amostra de água, apenas foi encontrada em um bebedouro, não há paciente positivo para ela, nem outro exame que detectasse a presença dessa bactéria nos casos suspeitos”, pontuou Rodrigues.

De acordo com o diretor, após a investigação, a Sesa trabalha agora com duas linhas de investigação, a bacteriana e fúngica. “O fungo é mais plausível, pois foi uma amostra obtida de paciente, e a clínica dele é compatível com Histoplasma. Quanto à bactéria, colocamos como possibilidade, mas não realidade, pois não há amostras positivas de pacientes, e nenhum dos outros pontos de água foram positivos para essa bactéria”.

Arquivos:

Apresentação da investigação pode ser vista neste link

Fonte: Sesa

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