Pesquisa realizada em programa da Fapes indica que óleo de lúpulo pode melhorar aroma das cervejas artesanais

Publicado em 25/11/2024 às 13:42

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Close up of confident senior man brewer with self crafted beer in glass on wooden barrel on grey background. Owner of factory presented his products of brewing. Oktoberfest, drink, alcohol, industry.

Foto: Freepik

Nos últimos anos, o mercado de cervejas artesanais no Espírito Santo tem experimentado um crescimento considerável, o que culminou na criação de uma rota de turismo dedicada na Região Serrana. Para aqueles que apreciam essa experiência, as questões sensoriais desempenham um papel fundamental. Motivada por esse cenário, a doutora em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Mila Marques Gamba, iniciou um projeto para melhorar características como o aroma e o sabor das bebidas, investigando o efeito da adição de óleo essencial de lúpulo na produção de cervejas artesanais.

Com a supervisão da professora Suzana Maria Della Lucia, do Departamento de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – Campus Alegre, a pesquisa recebeu um investimento de aproximadamente R$ 27,2 mil. Os recursos foram fornecidos pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do Edital CNPq/Fapes nº 11/2019 do Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional (PDCTR).

Mila explica que o lúpulo é essencial na produção de cerveja, proporcionando amargor e aromas característicos. Enquanto os compostos que conferem o amargor se fixam a temperaturas altas, os óleos essenciais responsáveis pelos aromas são voláteis e podem se perder ou degradar nessas condições. O objetivo da pesquisa foi avaliar o impacto da adição de óleo essencial de lúpulo nas características sensoriais e físico-químicas da cerveja artesanal.

“O grande desafio é equilibrar o amargor e o aroma, pois eles exigem condições de processamento diferentes. O óleo essencial de lúpulo é uma solução promissora, pois é adicionado no final da produção, após as altas temperaturas. A pesquisa indica que sua adição pode melhorar o aroma sem prejudicar o sabor, mas a aceitação pode variar dependendo do equilíbrio entre ambos”, detalha a pesquisadora.

Durante o projeto, foram introduzidos novos objetivos, como definir a formulação final da cerveja com base em testes sensoriais, desenvolver rótulos para as cervejas artesanais e avaliar a aceitação sensorial por meio de testes triangulares realizados com centenas de consumidores.

“Os resultados mostraram que não houve contaminação bacteriana e que uma menor concentração de óleo já alterava positivamente a impressão global. Com a adição de 0,0025 ml de óleo essencial de lúpulo, a cerveja IPA artesanal melhorou seu aroma e sabor sem modificar suas propriedades físico-químicas. A embalagem e uma comunicação clara também desempenham um papel fundamental na percepção dos consumidores, sendo essenciais para o sucesso das cervejas artesanais no mercado”, aponta Mila.

Os resultados foram apresentados em três resumos no Simpósio Latino-americano de Ciência e Tecnologia de Alimentos e Nutrição (Slacan). A pesquisadora destacou que a adição do óleo essencial de lúpulo pode possibilitar a criação de várias cervejas diferentes a partir de uma cerveja base, com ajustes precisos no aroma.

Embora a produção de cerveja com óleo essencial de lúpulo tenha um custo elevado devido ao preço do insumo e ao processo de extração, que é caro e com baixo rendimento, Mila acredita no potencial do mercado. “O mercado de cervejarias artesanais está em expansão, com várias cervejarias no Estado, tanto na Região Serrana quanto no Caparaó e na Grande Vitória. Os consumidores estão cada vez mais em busca de novas experiências e dispostos a pagar mais por produtos diferenciados”, afirma.

O PDCTR é um programa nacional que permite às Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) de todo o Brasil oferecerem bolsas de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Regional (DCR) para pesquisadores doutores. No Espírito Santo, por meio do Edital nº 11/2019, 23 pesquisadores foram selecionados para receber as bolsas e desenvolver projetos de pesquisa no estado, com um investimento aproximado de R$ 11 milhões.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Fapes

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