Pesquisa do Incaper estuda cultivo de lúpulo na região serrana do Espírito Santo
Publicado em 09/05/2026 às 16:32
Foto: Freepik
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural está realizando uma pesquisa inédita sobre o cultivo de lúpulo no Espírito Santo, com o objetivo de analisar a adaptação da planta às condições climáticas e agrícolas da região serrana capixaba. O estudo acontece na Fazenda Experimental Mendes da Fonseca, localizada em Domingos Martins, no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano).
Coordenado pela pesquisadora Alessandra de Lima Machado, o projeto começou em outubro de 2025 e representa o primeiro experimento científico conduzido pelo Incaper voltado ao cultivo de lúpulo no Estado. Inicialmente, estão sendo analisadas as variedades Cascade, Comet e Chinook, bastante utilizadas na produção de cervejas artesanais devido às características de aroma e amargor.
Segundo a pesquisadora, o principal objetivo é identificar quais variedades apresentam melhor adaptação ao clima e ao solo capixaba, além de produzir informações técnicas sobre manejo, produtividade, sanidade vegetal e qualidade química da planta.
O lúpulo é uma matéria-prima essencial na fabricação de cerveja. As flores femininas da planta, chamadas cones, possuem glândulas de lupulina, responsáveis por compostos que conferem aroma, sabor, amargor e estabilidade à bebida.
Mesmo sendo um dos maiores produtores de cerveja do mundo, o Brasil ainda depende da importação de praticamente todo o lúpulo utilizado pela indústria nacional. Esse cenário tem incentivado pesquisas para adaptar a cultura às condições climáticas brasileiras, especialmente em regiões de clima tropical e subtropical.
De acordo com Alessandra de Lima Machado, um dos principais desafios do cultivo no Brasil está relacionado ao fotoperíodo e à necessidade de suplementação luminosa, fatores importantes para o desenvolvimento da planta em ambientes tropicais.
O crescimento do mercado de cervejas artesanais também impulsionou o interesse pela pesquisa no Espírito Santo. Segundo a pesquisadora, o Estado ocupa posição de destaque nacional no setor cervejeiro artesanal, criando demanda por matérias-primas regionais e novas oportunidades para os produtores rurais.
Além do potencial econômico, o lúpulo surge como alternativa de diversificação para a agricultura familiar. A cultura possui alto valor agregado, pode ser cultivada em pequenas propriedades e apresenta possibilidade de mais de uma safra por ano, aumentando as oportunidades de geração de renda no campo.
Outro aspecto destacado é o potencial para o agroturismo. Como o lúpulo é uma planta trepadeira cultivada em estruturas altas, as lavouras formam corredores verdes semelhantes a vinhedos verticais, criando um visual atrativo para experiências ligadas ao turismo rural e às cervejarias artesanais.
No experimento do Incaper, está sendo utilizado o sistema de condução em “V”, que melhora a circulação de ar e a entrada de luz solar entre as plantas, favorecendo a produtividade e reduzindo a incidência de doenças.
As pesquisas analisam desde o desenvolvimento das plantas até a composição química dos cones utilizados na produção cervejeira. Entre os fatores avaliados estão produtividade, nutrição, manejo, poda, fitossanidade e adaptação das variedades.
As análises laboratoriais são realizadas em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, além do apoio da Biohope, da Brazuca Lúpulos e de pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
A expectativa é que os resultados da pesquisa contribuam para fortalecer a agricultura regional, incentivar o turismo ligado às cervejarias artesanais e estimular a criação de produtos associados ao chamado “terroir capixaba”, valorizando características locais na produção de cervejas artesanais.
Texto: Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper/ GovEs