Perícia capixaba identifica droga que não possuía registro no Brasil e confirma o primeiro óbito causado pela substância

Publicado em 15/05/2023 às 10:35

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Texto: Olga Samara Gomes

A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Superintendência de Polícia Técnico-Científica (SPTC), identificou, pela primeira vez no Brasil, um óbito relacionado ao consumo da substância Bromazolam. A droga contribuiu para a morte de um DJ, de 37 anos, encontrado em óbito em um motel, no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, no dia 10 de julho do ano passado.

Dois dias depois, a mesma substância foi apreendida pela Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), no bairro Portal de Guarapari, no município Guarapari, com um motorista de aplicativo, de 46 anos. Com ele foram apreendidos 3.596 pontos que continham Bromazolam em pó, além de outras drogas ilícitas.

Essa apreensão chegou para análise do Laboratório de Química Forense da SPTC no dia 20 de julho.

Em 2023, o Laboratório recebeu mais duas apreensões desta droga, porém em pouca quantidade. As apreensões aconteceram na região da Grande Vitória, sendo uma em outubro do ano passado, na Praia da Costa, em Vila Velha e, a outra em fevereiro deste ano, em Guarapari.

O pontapé inicial para a descoberta da nova droga foi um exame cadavérico realizado pela médica-legista Dra. Ana Paula Knak Rezendes, do Departamento Médico Legal (DML) de Vitória.

“Foi colhido amostra de sangue, urina e conteúdo estomacal no cadáver do homem, de 37 anos, e o material foi encaminhado ao Laboratório de Toxicologia Forense, onde foi identificada uma substância até aquele momento sem registro no Brasil, o Bromazolam”, disse a médica-legista.

Segundo a médica-legista Dra. Ana Paula Knak Rezendes, foi detectada na vítima a presença de álcool etílico, ecgonina metil éster, cocaína, benzoilecgonina, cocaetileno, bromazolam, sertralina e sildenafil. Os achados da medicina legal concluíram que o óbito foi por intoxicação exógena, por uso concomitante das substâncias detectadas que contribuíram sinergicamente para o óbito.

“Identificamos a substância na amostra que foi encaminhada pela medicina legal, e para nós, foi uma novidade, porque era uma substância que até então nunca tínhamos identificado no laboratório de toxicologia”, pontuou a perita Daniela de Paula, chefe do Departamento de Laboratórios Forenses.

Os peritos capixabas entraram em contato com os demais laboratórios forenses e nenhum fez referência à identificação de Bromazolam, porém um professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, tinha um padrão para ser usado como referência.

“Para que a gente pudesse definir este caso, foi importante a participação do professor José Luiz da Costa, da Unicamp, pois lá ele tinha o padrão dessa substância, que é importante para que a gente possa fazer a comparação. Utilizando isso, foi possível concluir e definir quanto tinha no organismo daquele indivíduo”, detalhou a perita Daniela de Paula.

Os peritos, ao buscarem informação, verificaram que se define como um benzodiazepínico classificado como nova substância psicoativa, referindo-se a um benzodiazepínico de designer, sem uso terapêutico mundial.

Nas amostras encontradas no Espírito Santo, elas vieram de forma diferente, em selos. “São selos em papel. Desses selos, são extraídos pequenos selos e a pessoa faz a ingestão sublingual. Eles colocam esse papel em contato com a mucosa, embaixo da língua, vai ter a absorção da substância que vai ser direcionada à corrente sanguínea”, relatou o perito Victor da Rocha Fonseca, do Laboratório de Química Forense.

Rol das drogas proibidas da Anvisa


Os dados levantados pela perícia capixaba possibilitaram a inclusão do Bromazolam no rol de substâncias controladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que, até então, não tinha registro da circulação desta droga no Brasil.

A perícia capixaba informou ao setor de medicamentos controlados da Anvisa, sendo o primeiro óbito registrado no Brasil contendo o Bromazolam. Foi publicada a inclusão desta substância na lista B1 do Anexo I da Portaria 344/98, em 1º de dezembro de 2022, junto com a lista de substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sobre controle especial.

“Antes de entrar para a lista, se o Bromazolam fosse pego com um traficante, não seria considerado tráfico. Acho que foi essa a contribuição que o Espírito Santo deu, porque permite que, agora, as apreensões já sejam caracterizadas como tráfico de drogas”, afirmou a perita Daniela de Paula, chefe do Departamento de Laboratórios Forenses.

Alerta nos Estados Unidos (EUA)

Nos Estados Unidos da América (EUA), em junho do ano passado, foi emitido um alerta por meio da Center for Forensic Science Research&Education (CFSRE) direcionado para a saúde pública, laboratórios e médicos, relatando que no ano de 2022 houve o aumento de casos envolvendo esta substância. Foram registrados 236 óbitos com o envolvimento do Bromazolam, de 2019 até junho do ano passado.

Fonte: PCES

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