Orquestra de Cantores Cegos leva trilogia musical inédita ao Theatro Carlos Gomes
Publicado em 03/05/2026 às 06:20
Foto: Freepik
Após três anos de pesquisa, criação e apresentações, a Orquestra Brasileira de Cantores Cegos chega ao palco do Theatro Carlos Gomes com uma mostra inédita que reúne, pela primeira vez, os três repertórios desenvolvidos ao longo de sua trajetória. As apresentações acontecem entre os dias 13 e 15 de maio e prometem emocionar o público com mais de 50 canções da tradição oral brasileira.
A temporada celebra o percurso do grupo e destaca a diversidade cultural presente no patrimônio imaterial do país. No espetáculo, o público terá contato com cantos de trabalho, músicas de celebração e manifestações ligadas a rituais de povos indígenas, comunidades quilombolas e populações rurais, evidenciando a riqueza das tradições transmitidas de geração em geração.
A realização é da Associação Sociedade Cultura e Arte (SOCA Brasil), com produção da Cia Poéticas da Cena Contemporânea e coprodução do Espaço Contêiner. O projeto conta com patrocínio do Itaú e da MIP-Multilift, por meio da Lei Rouanet, além do apoio do Governo Federal e do Governo do Espírito Santo, via Secretaria da Cultura.
Formada por 16 cantores cegos, a orquestra propõe uma experiência que une música e encenação. Os três repertórios apresentados mantêm um conceito comum, mas possuem identidades próprias, formando um verdadeiro mosaico da cultura popular brasileira. As canções, todas de domínio público, resistem ao tempo e permanecem vivas na memória coletiva.
Segundo a diretora artística e coordenadora do projeto, Rejane Arruda, a proposta evidencia a força da oralidade no Brasil. Ela destaca que o espetáculo combina elementos musicais e performáticos, como iluminação, atuação, movimento e regência percussiva, criando uma experiência sensorial intensa para o público.
Ao longo dos anos, o projeto já alcançou mais de 9 mil espectadores, com foco na democratização do acesso à cultura. Parte significativa desse público é formada por estudantes da rede pública, que participam das sessões mediante agendamento.
Para os integrantes, a nova temporada representa um momento especial. A cantora Geovana Santos ressalta o desafio de reunir os três repertórios em uma mesma apresentação, enquanto o cantor Maycon Machado destaca a expectativa de se apresentar em um espaço simbólico como o teatro.
A montagem também chama atenção pelo diálogo entre música e cena, com a participação de atores da Cia Poéticas da Cena Contemporânea. A regência do maestro Thomas Davison utiliza a percussão corporal como elemento criativo, enquanto o piano de Evelyn Drummond sustenta a base harmônica dos arranjos, assinados por Tarita de Souza.
As canções foram reunidas a partir da pesquisa da musicista Renata Mattar, que desde a década de 1990 registra cantigas preservadas em comunidades tradicionais de diversas regiões do Brasil.
Além das apresentações abertas ao público, a programação inclui sessões com atendimento prioritário para escolas, com reserva de ingressos e oferta de transporte para grupos organizados. A iniciativa também conta com ações de acessibilidade e uma rede de voluntários para acolhimento do público.
Os ingressos serão disponibilizados previamente, e as instituições interessadas em participar das sessões educativas devem realizar inscrição junto à produção.
Texto: GovES