O que eu li em 2017

Publicado em 10/01/2018 às 17:36

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Feliz 2018, leitor(a)! Sabe, você pode me chamar até de ingênuo, mas, eu acredito em Ano Novo. Mas até que em Papai Noel. Sempre encarei cada ano como um livro de 365 páginas em branco. E, falando em livro, cheguei, até o primeiro semestre do ano passado, com quinze obras lidas. Não contabilizei as do seguinte. Devo ter passado de uma vintena. Em todo caso, decidi elaborar uma pequena lista do que mais gostei. Tarefa hercúlea, pois qualquer ranking pressupõe injustiças. Mas, pelo menos, dá uma pista do que vale a pena conferir.

Da dita “literatura internacional”, começo com o delicioso romance “Quem matou Roland Barthes?”, de Laurent Binet (Companhia das Letras). Para quem não conhece, Barthes (1915 – 1980) foi um famoso linguista francês, cujas obras influenciam os meios acadêmicos até hoje. O filósofo foi morto após ser atropelado por um caminhão, na porta da universidade e é a partir dessa premissa que Binet constrói uma suculenta história que mistura romance, ação, mistério, filosofia e linguística. Tudo é muito bem explicado, o que não afasta os não iniciados. Em uma só palavra: adorei!

Da “literatura nacional”, amei ter conhecido, vinte anos depois do lançamento, o romance “A casa dos Budas ditosos” (Editora Objetiva), de João Ubaldo Ribeiro (1941 – 2014). Em tempos de falso moralismo e melindres por qualquer coisa, foi muito bom ter conferido um muito bem escrito romance erótico. A trama gira em torno de uma personagem inominada que sabe que vai morrer. Um belo dia, nos idos dos anos 1990, ela deixa um punhado de fitas cassete na porta da casa do autor, pedindo para que ele as ouça e transcreva suas confissões sexuais. Ubaldo, excelente autor que é, consegue uma narrativa que prende, na medida certa.

Da “literatura capixaba”, recomendo o livro de contos “Mina Rakastan Sinua” (Editora Cândida) do festejado escritor Reinaldo Santos Neves. Exceto um, todos os contos giram em torno do fazer literário, de forma leve, mas sem perder a profundidade. Também recomendo o livro de crônicas “Água salobra” (Editora Cousa), da grande dama das letras do Espírito Santo, Bernadette Lyra. Delicioso apanhado de textos memorialísticos da infância da autora em Conceição da Barra, cidade ao norte do ES. E, se você gosta de poesia, a dica é “Périplo ao norte de tudo” (Chiado Editora), de Getúlio Neves, uma espécie de “poema épico contemporâneo”. Cheguei, inclusive, a resenhar a obra para o “Caderno Pensar” do jornal “A Gazeta” (daqui do ES, mesmo), no dia 08/07/2017. Confira!

Você deve estar estranhando, leitor(a), porque eu grafei “literatura mundial, nacional e capixaba” entre aspas. Explico: é porque, para mim, só existe literatura, seja lá onde ela foi feita. O ofício da palavra, seja o escrito, mas, sobretudo, o lido, é um só. E, ao contrário dos usuais excessos alimentares do fim do ano, ele não enjoa nem faz mal à saúde. Muito pelo contrário. Ler demais nunca é demais. Um novo ano está aí, à nossa frente, com 365 dias para muitas páginas. Eu já dei as minhas dicas. Agora, não tem desculpa, é só começar. Vamos lá?

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