Moradores denunciam sofrimento de autistas, idosos e animais com fogos em jogos no estádio do Campinho

Publicado em 20/05/2026 às 12:10

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Texto: Bruno Caetano / Fotos e vídeos: Redes Sociais

Moradores do entorno do estádio do Sport Club Campinho, localizado em Campinho, Centro de Domingos Martins, têm relatado incômodo frequente causado pela queima de fogos de artifício durante partidas de futebol realizadas no local. Segundo os relatos, os barulhos vêm causando transtornos principalmente a idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e animais domésticos, que sofrem com o barulho intenso a cada rodada do campeonato.

No último domingo (17), moradores passaram a cobrar, em redes sociais, o cumprimento das normas, após mais uma rodada de partidas de futebol, quando foram usados diversos fogos de artifício com estampidos altos, o que é proibido. Em uma das manifestações publicadas, a moradora Mayara Bermond destacou que “a lei existe e precisa ser fiscalizada”, afirmando ainda que “se existe uma lei sobre fogos de artifício, ela deve valer para todos e em qualquer lugar — inclusive no campo de futebol”. 

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A publicação também ressalta que “não adianta existir regra apenas no papel” e que “fiscalização e coerência também fazem parte do respeito à população, aos animais, idosos e crianças que sofrem com o barulho”.

Outra manifestação compartilhada nas redes cita diretamente a legislação estadual e municipal que proíbe fogos com estampido no Espírito Santo e em Domingos Martins. A publicação lembra que as leis buscam proteger pessoas com autismo, recém-nascidos, idosos e animais, além de informar que o descumprimento da determinação pode gerar sanções administrativas.

A reclamação ganhou ainda mais repercussão após a publicação do Boletim Oficial nº 05 do Campeonato Intermunicipal de Futebol – edição 2026, emitido pela Secretaria Municipal de Esportes de Marechal Floriano, que reforça a proibição do uso de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos sonoros durante os jogos.

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O documento cita o Regulamento Geral do Campeonato Intermunicipal de Futebol de Domingos Martins e Marechal Floriano, além de destacar legislações municipal e estadual já em vigor sobre o tema. Entre elas, está a Lei Municipal nº 3220/2025, de Domingos Martins, que proíbe “em ambiente público e privado, aberto ou fechado, o manuseio, utilização, a queima e a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que causem poluição sonora, com estouros ou estampidos”.

O boletim também menciona a Lei Estadual nº 11.703/2022, que proíbe em todo o Estado do Espírito Santo “a fabricação, a comercialização, o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios, assim como de quaisquer artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso”.

No trecho resolutivo, o boletim determina que “fica proibido o uso, a queima e a soltura de fogos de estampidos e de artifícios, assim como de quaisquer artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso nos estádios (campo de futebol) nas partidas do Campeonato Intermunicipal de Futebol 2026”.

Relatos apontam impacto direto em idosos, bebês e animais

Apesar das normas e das proibições já previstas em lei, moradores afirmam que os episódios continuam acontecendo com frequência. Morador do entorno do estádio, Eden Schwambach Junior afirma que os transtornos têm atingido diversas famílias da região.

“Infelizmente mais uma vez a torcida organizada do Sport Club Campinho deu um vexame de desrespeito. Soltaram foguetes e rojões na tarde de domingo, infernizando todos os moradores do entorno do estádio. Idosos, doentes, acamados e até animais domésticos sendo prejudicados”, relatou.

Segundo ele, além dos fogos, também há reclamações relacionadas ao comportamento de parte da torcida durante as partidas. “O futebol local só perde adeptos a cada dia com essas idiotices. Não se precisa de barulho e sim torcer”, disse.

Eden também relatou que possui uma idosa com problemas auditivos na residência e afirma que o barulho chega a comprometer o descanso dos moradores da região. “Tenho idosa com problemas auditivos e tem que se retirar do cômodo da frente devido ao barulho ensurdecedor. O descanso do domingo à tarde de muitos moradores é sacrificado em todo o entorno”, afirmou.

O morador contou ainda que acionou a Polícia Militar durante um dos jogos, mas disse que não houve retorno efetivo. “Liguei para a PM, não apareceu ninguém e ainda disseram que é uma questão de fiscalização da prefeitura”, declarou.

Bebês, crianças e animais sofrem com barulhos

A moradora Rosiane Aparecida Thomas também relata que convive com o problema durante os jogos. Segundo ela, a situação afeta diretamente a rotina da família. “É péssimo. Eu tenho um bebê de seis meses e meu pai de 70 anos mora aqui no primeiro andar”, contou.

Rosiane afirma ainda que moradores chegaram a acionar as autoridades durante as partidas, mas que os fogos continuaram sendo utilizados. “Todos ligando para a polícia e ninguém apareceu. Ninguém fez nada”, disse.

Outro morador, que preferiu não se identificar, relatou que toda vez que acontecem os jogos de futebol no campo do Sport Club Campinho, com queima de fogos de artifício, seu animal de estimação sofre bastante. “Dá muita pena. Meu cãozinho não tem como se esconder do barulho. Ele sofre demais! Ele fica tremendo por muito tempo assim que ouve os fogos. Tenho medo de que ele sofra um infarto e morra, como a gente sabe que pode acontecer”, disse.

Clube nega que fogos foram soltos no interior do estádio

Após questionamentos sobre os episódios registrados durante partidas no estádio, o Sport Club Campinho se manifestou por meio de nota nas redes sociais. O clube afirmou que, na portaria do campo, “é expressamente proibida a entrada de fogos de artifício, rojões ou qualquer outro material semelhante”, acrescentando que a orientação é repassada e fiscalizada pela organização em todos os jogos.

Na mesma nota, o clube declarou ainda que “não temos controle sobre áreas externas ao campo, nem sobre atitudes isoladas de pessoas que estejam do lado de fora ou que eventualmente arremessem algo por cima da estrutura”.

Apesar da manifestação oficial, vídeos que circularam nas redes sociais mostram que a queima de fogos ocorre dentro do estádio, contrariando a versão apresentada pelo Sport Club Campinho de que os artefatos seriam acionados do lado de fora da estrutura.

Uma publicação feita pelo perfil ligado ao Novo Futebol Clube, também cita o uso de rojões durante a partida entre Campinho e Novo FC. Na nota de repúdio divulgada nas redes sociais, o clube afirma que um atleta teria sido atingido após um rojão lançado pela torcida adversária. A publicação ainda critica a arbitragem da partida e relata episódios de tensão dentro de campo durante o campeonato.

Diante da repercussão e dos vídeos divulgados nas redes sociais, a reportagem do Montanhas Capixabas procurou o Sport Club Campinho para esclarecer se o clube confirma que os fogos partiram do interior do estádio. Entretanto, até a publicação desta reportagem, a diretoria do clube de futebol não retornou com respostas.

PREFEITURA – A reportagem também procurou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Domingos Martins para questionar como é realizada a fiscalização da lei municipal que proíbe fogos com estampido. Em resposta, o município informou que o caso será analisado para que a Prefeitura possa se manifestar oficialmente sobre a situação.

POLÍCIA MILITAR – A 6ª Companhia Independente da Polícia Militar também se manifestou sobre as reclamações. Em nota, a corporação informou que “não houve acionamento formal por parte da comunidade até o momento”. Ainda assim, destacou que o comando da unidade permanece “de portas abertas para receber a população, ouvir as demandas existentes e dialogar sobre as situações apresentadas”.

A Polícia Militar ressaltou ainda que ocorrências dessa natureza devem ser comunicadas imediatamente, por meio do telefone 190, no momento em que os fatos estiverem acontecendo, para que as equipes possam atuar prontamente e adotar as providências cabíveis.

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