Marcelo Santos defende qualificação profissional para uso ético da inteligência artificial
Publicado em 10/06/2026 às 17:41
Marcelo Santos: papel do humano não diminuiu com a IA, mas se torna ainda mais essencial / Foto: Lucas Oliveira
A inteligência artificial (IA) deve ser encarada como uma ferramenta capaz de potencializar o trabalho humano, e não substituí-lo. Essa foi a avaliação do presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), deputado Marcelo Santos, durante palestra realizada nesta quarta-feira (10), no evento “A Virada: IA transformando o desafio da mão de obra em oportunidades”, promovido pela Rede Tribuna de Comunicação.
Ao abordar os impactos da tecnologia no mercado de trabalho, o parlamentar comparou a IA a um copiloto, destacando que as decisões estratégicas e éticas continuam sendo responsabilidade das pessoas.
“A IA é o copiloto mais potente que a história já criou. Mas um copiloto não decola o avião sozinho”, afirmou.
Segundo Marcelo Santos, o principal desafio da atualidade não é o acesso à tecnologia, mas a formação de profissionais preparados para utilizá-la de forma eficiente. Para ele, a capacitação da mão de obra é essencial para garantir que os benefícios da inovação sejam plenamente aproveitados.
“O ser humano continua sendo quem define a rota, toma decisões éticas, interpreta o mercado e assume responsabilidades. O desafio real está na falta de pilotos capacitados para operar essa tecnologia”, destacou.
O presidente da Ales também ressaltou a importância da ética no avanço tecnológico. De acordo com ele, a inovação deve caminhar lado a lado com a responsabilidade social.
“A IA amplia a precisão do médico e a eficiência das empresas, mas não substitui o julgamento humano nem assume a responsabilidade pelos erros. Inovação sem responsabilidade gera caos, e tecnologia sem ética pode se tornar uma arma”, refletiu.
Marcelo Santos reforçou ainda que o papel das pessoas se torna ainda mais relevante em um cenário de crescente automação. Para ele, investir em qualificação profissional é condição indispensável para que trabalhadores e organizações acompanhem as transformações em curso.
Mercado em transformação
A palestra principal do evento foi conduzida pelo economista e especialista em inovação Paulo Grigorovski, que também destacou o potencial transformador da inteligência artificial.
Segundo Grigor, a tecnologia está alterando modelos tradicionais de produção e gestão. Se antes o crescimento das empresas estava diretamente ligado ao aumento do número de funcionários, hoje a automação e as ferramentas inteligentes estão mudando essa lógica.
“Estamos vivendo uma fase de transformações ultra-aceleradas na sociedade, na política, na economia e na tecnologia. É a sexta grande onda de inovação desde a Revolução Industrial. Nesse processo, empresas e empregos são transformados, alguns desaparecem, mas muitos outros surgem”, afirmou.
O evento reuniu representantes dos principais poderes e instituições do Estado. Entre os participantes estavam a presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Janete Simões; a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo, Érica Ferreira Neves; o desembargador Feu Rosa; e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, Domingos Taufner.
Fonte: Ales