Manifesto climático de mais de 200 mil cafeicultores é lançado na COP30

Publicado em 19/11/2025 às 17:14

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Foto: Bruno Faustino

Em um encontro marcado pela força das narrativas e pela urgência climática, a Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos(as) Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comércio Justo (CLAC), entidade que reúne organizações certificadas Fairtrade (Comércio Justo), apresentou, no Pavilhão Climate Live Entertainment + Culture, na Blue Zone da COP30, seu Manifesto Climático.

O documento, apresentado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, foi construído para dar voz a mais de 200 mil cafeicultores Fairtrade da América Latina. O manifesto alerta para os efeitos já visíveis das mudanças climáticas sobre a produção de café na região e pede ação imediata para garantir a sobrevivência da cafeicultura, dos meios de vida das famílias produtoras e da segurança alimentar global.

O encontro, realizado na última segunda-feira (17), reuniu o cafeicultor brasileiro Carlos Renato Alvarenga Theodoro, membro do Conselho Diretivo da CLAC, presidente da CAFESUL (Cooperativa de café em Muqui, no Espírito Santo) e liderança da rede de café Fairtrade no Brasil, e a ativista da justiça climática Natalia Tsuyma. A conversa foi transmitida ao vivo pelos canais do Fairtrade UK (Instagram) e Climate Live (TikTok), em português e inglês. A sessão deu voz aos agricultores, especialmente aqueles que vivem na linha de frente das mudanças climáticas.

Histórias de quem vive o impacto climático no campo

Renato, que nasceu e cresceu em uma propriedade familiar em Muqui (ES), dedicou sua trajetória à defesa do comércio justo, da inclusão produtiva e da proteção dos recursos naturais. Desde 2010 à frente da CAFESUL (Cooperativa de Cafeicultores do Sul do Espírito Santo), ele atua diretamente na construção de estratégias de mitigação e adaptação climática para a cafeicultura de montanha, área altamente vulnerável ao aumento das temperaturas e à irregularidade das chuvas.

“Nós estamos falando de um trabalho que é feito diurnamente no Fairtrade, nas nossas cooperativas, e mostrando para o mundo qual é a mensagem que queremos transmitir dentro da COP30 dos pequenos produtores da América Latina e do Caribe”, destacou Renato.

APOIO – Ao comentar os desafios da adaptação, o líder reforçou: “A gente quer mostrar que já fazemos um trabalho importante na mitigação e adaptação das novas dinâmicas climáticas, mas precisamos de apoio e de suporte dos governos e das empresas para poder fazer cada vez mais esse trabalho acontecer”, afirmou.

A ativista da justiça climática Natalia Tsuyma ressaltou a importância do fortalecimento das juventudes rurais dentro dos sistemas alimentares sustentáveis. Seu depoimento emocionou o público ao conectar sua própria trajetória com a luta das famílias agricultoras.

“Para mim foi incrível participar desse bate-papo. Eu amei ouvir o Renato e saber mais do trabalho incrível que o Fairtrade e a CLAC estão fazendo no Brasil. Enquanto muitos jovens saem do campo e vão para a cidade, fico muito feliz de ver que existem pessoas lutando para que a juventude plural tenha vez e continue no seu território”, afirmou.

Já para Catalina Jaramillo, diretora regional Cone Sul da CLAC, a sessão representou um recorte potente do que a rede de produtores constrói diariamente: conhecimento coletivo, fortalecimento das cooperativas e ação climática enraizada na vida real.

“Foi maravilhoso. Nunca vi em um só momento falar de tantas coisas. Passamos pelo cooperativismo, pela renda digna, pelos projetos… foi fantástico. Os jovens se envolvendo nas cooperativas foi muito bom, adorei o bate-papo”, finalizou.

MANIFESTO – Durante a COP30, a CLAC apresentou ao público global o Manifesto Climático e o Programa de Café Sustentável, um documento construído a partir da vivência de produtores que já enfrentam perdas por estiagens prolongadas, irregularidade das chuvas, aumento das temperaturas, pragas favorecidas pelo calor, elevação do custo de produção e abandono da atividade por falta de renda e apoio técnico.

O manifesto pede maior financiamento climático direto aos agricultores, políticas públicas que garantam renda digna e permanência no campo, investimentos em pesquisa e assistência técnica, apoio internacional para cadeias sustentáveis e de comércio justo e inclusão ativa de jovens e mulheres nas estratégias de adaptação climática.

Sobre a CLAC – A Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos(as) Produtores(as) e Trabalhadores(as) de Comércio Justo (CLAC) representa mais de 900 organizações e mais de meio milhão de famílias em 21 países. A organização atua na defesa de direitos, no fortalecimento das cooperativas e na construção de modelos econômicos que valorizam a renda digna, a sustentabilidade ambiental e o futuro das comunidades rurais.

Texto: Bruno Faustino

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