Lula defende acordo comercial entre Mercosul e China durante cúpula em Assunção
Publicado em 30/06/2026 às 17:46
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta terça-feira (30), durante a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, que o bloco inicie negociações para um acordo comercial com a China. Segundo ele, a ampliação das parcerias internacionais é fundamental para fortalecer a inserção do Mercosul nos mercados mais dinâmicos do mundo.
Em seu discurso, Lula destacou que o bloco já mantém tratativas com Canadá, Índia e Vietnã, além de anunciar o lançamento das negociações para uma parceria econômica com o Japão. O presidente afirmou que a expectativa é ampliar esse movimento em breve com a China.
O chefe do Executivo também criticou o que classificou como “alinhamentos automáticos” e “escolhas excludentes” na política internacional. Para Lula, nenhum país deve exercer influência sobre os rumos da América do Sul, defendendo uma atuação baseada na autonomia e na cooperação entre as nações do bloco.
A reunião marcou o encerramento da presidência temporária do Paraguai no Mercosul e a transferência do comando do bloco para o Uruguai, que ficará à frente da organização pelos próximos seis meses. Participaram ainda do encontro os chefes de Estado de Chile, Equador e Bolívia.
Antes de iniciar sua fala, Lula pediu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos terremotos registrados na Venezuela. Em seguida, ressaltou a importância dos 35 anos do Mercosul em um cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo, das guerras e de medidas unilaterais.
Segundo o presidente, o fortalecimento do bloco é estratégico diante da fragmentação da economia mundial, que afeta o comércio, os investimentos e o desenvolvimento sustentável. Ele destacou que o comércio entre os países do Mercosul passou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para cerca de US$ 50 bilhões em 2025, enquanto as exportações do bloco cresceram 6% neste ano, alcançando US$ 770 bilhões.
Lula defendeu que a integração regional esteja acima das divergências ideológicas e afirmou que o Mercosul continua sendo o principal espaço institucional da América do Sul para promover diálogo, cooperação e ações conjuntas.
Durante a cúpula, também foi debatida a criação de uma nova versão do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), destinado a reduzir as desigualdades entre os países do bloco. O Brasil anunciou que pretende ampliar sua participação, com contribuições de US$ 100 milhões por ano ao longo da próxima década. A proposta também prevê a inclusão da Bolívia no mecanismo de financiamento.
Desde sua criação, em 2004, o Focem financiou importantes obras de infraestrutura, incluindo mais de mil quilômetros de rodovias, 680 quilômetros de ferrovias, 750 quilômetros de linhas de transmissão de energia e cerca de 100 quilômetros de redes de saneamento básico.
Na área de segurança pública, o Brasil apresentou uma proposta de pacto regional para o enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres. O governo brasileiro também anunciou que financiará, durante um ano, a atuação de delegados dos 12 países sul-americanos em um escritório regional da Interpol, instalado em Buenos Aires, para reforçar o combate ao tráfico internacional de drogas e ao crime organizado.
Outro avanço destacado na reunião foi o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para entrada nos países do Mercosul e nos Estados associados.
A única ausência entre os presidentes dos países-membros foi a do presidente da Argentina, Javier Milei, que cancelou a participação de última hora em meio à crise política provocada pela renúncia de um integrante de seu governo.
Atualmente, o Mercosul é formado por Argentina, Bolívia (em processo de adesão), Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, esta última com participação suspensa. O bloco reúne aproximadamente 73% do território da América do Sul, cerca de 65% da população da região e responde por aproximadamente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) sul-americano.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil
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