Irã ameaça romper cessar-fogo e retaliar Israel após bombardeios ao Líbano
Publicado em 08/04/2026 às 13:38
Foto: Freepik
O Irã ameaçou nesta quarta-feira (8) romper o cessar-fogo e retaliar Israel em resposta aos sucessivos bombardeios realizados contra o Líbano. Fontes do governo iraniano informaram que Teerã avalia retomar ataques devido ao descumprimento do acordo por parte de Israel.
“O Irã pode lançar uma ofensiva defensiva de grande escala a qualquer momento, já que o regime israelense está violando um cessar-fogo frágil e temporário”, afirmou um alto funcionário de segurança, segundo a mídia estatal Press TV. O representante pediu a intervenção de países mediadores e reforçou que o cessar-fogo deve abranger todas as frentes de combate, incluindo Líbano e Faixa de Gaza, alvos de bombardeios israelenses nos últimos 40 dias.
Em suas redes sociais, o porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, defendeu a suspensão do cessar-fogo e o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás mundial. “Em resposta à invasão sionista ao Líbano, o tráfego de navios no Estreito de Ormuz deve ser interrompido imediatamente. Cessar-fogo ou em todas as frentes ou em nenhuma”, escreveu.
As Forças Armadas do Irã afirmaram que manterão controle “inteligente” sobre o Estreito de Ormuz, sem detalhar como será exercido. A reabertura do canal por duas semanas foi uma das condições para o cessar-fogo mediado entre Estados Unidos e Irã.
Israel mantém ofensiva no Líbano
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou apoio ao acordo entre EUA e Irã, mas ressaltou que o Líbano ficaria fora do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram ter atacado 100 alvos em dez minutos no sul do país e na capital, Beirute.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques provocaram dezenas de mortes e centenas de feridos. Vídeos mostram prédios destruídos no centro da capital, enquanto o Hezbollah orientou os deslocados a não retornarem às suas casas até a confirmação oficial do cessar-fogo.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, criticou os ataques a áreas residenciais densamente povoadas, afirmando que Israel desrespeita esforços regionais e internacionais de paz e ignora princípios do direito internacional.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o frágil cessar-fogo entre Irã e EUA, destacou que a violação do acordo compromete o processo de paz e pediu moderação das partes.
De acordo com o Ministério da Saúde libanês, desde o início da atual fase do conflito, em 2 de março, mais de 1,5 mil pessoas foram mortas, 4,8 mil ficaram feridas, 93 unidades de saúde foram destruídas e 57 profissionais de saúde foram mortos. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas.