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Arte, Crônicas e Poesia

Ilações noturnas

Publicado em 24/04/2026 às 08:03

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Por que sou tão ansioso? Essa terrível mania de querer saber e prever tudo é simplesmente enlouquecedor. Uma busca constante por muletas e a traição insistente da mente.

E independentemente da situação, o atordoamento persevera. Tenho me ocupado a refletir sobre isso, em grandes momentos da vida, no auge, vem uma “vozinha” melíflua dizendo: “não vai perdurar”. E em momentos de aflição a mesma voz diz: “não vai passar, essa é sua realidade.” Sou o meu maior inimigo.

Recordo-me da fabula da tartaruga e da lebre. Ao final, depois de ter ganhado a corrida, a tartaruga diz que o segredo foi não ouvir as vozes externas que diziam que ela não tinha as habilidades necessárias para ganhar da lebre. Além disso acredito que a primeira voz que a tartaruga silenciou foi a de si mesma, a do carrasco implacável chamado medo e auto desprezo.

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A vida é esse enigma indecifrável, somos iludidos com pequenas certezas, durante um bom emprego cremos em prosperidade constante e em um relacionamento amoroso feliz cremos em eternidade. Sem essas incertezas teríamos motivo para levantar?

Francamente não consigo ter uma resposta definitiva, tenho suspeitas que não. Vejo inúmeros parentes e amigos que ao se aposentarem, começaram a ter doenças múltiplas e prostraram-se sob a nova realidade, pessoas essas que pulavam de feriado em feriado, como sinônimo de felicidade. A rotina, pior que seja, gera um conforto mental.

Todavia, constantemente escuto algo que me intriga bastante: “Antes um mal conhecido do que o desconhecido”. Principalmente nos contextos amorosos, a mera presença de outrem parece o suficiente para muitos para o contentamento pleno. Certa feita questionei uma colega porque estava com alguém que não amava, ao passo que me respondeu que ser amada lhe bastava.

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Contudo, em questões do coração, ninguém sabe de absolutamente nada. O ponto é: seja no trabalho ou com uma companhia amorosa, o objetivo é fugir de pensar na realidade absoluta: a morte.

Estamos em constante e insana busca de ignorarmos que existe um fim e não há argumentos que possam impedir a caminhada rumo ao último passo. Entretanto, como me diz um senhor de 89 anos:
“Pensar é estar, inúmeras vezes, nu em uma tempestade de neve”.

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