Fim do auxílio emergencial: pequenos negócios podem ir à falência, alerta DIEESE

Publicado em 04/11/2021 às 20:20

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Live Brasil Econômico com o diretor técnico do DIEESE, Fausto Augusto Júnior, nesta quinta-feira (4)
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Live Brasil Econômico com o diretor técnico do DIEESE, Fausto Augusto Júnior, nesta quinta-feira (4)

A Caixa realizou o último depósito do auxílio emergencial para informais nascidos em dezembro no último domingo (31). Após a transição para o Auxílio Brasil, que substitui o Bolsa Família , mais de 22 milhões de pessoas ficarão sem assistência do governo federal. Esse cenário tende a afetar pequenos comerciantes e pode levá-los à falência. 

Os beneficiários do programa emergencial são fundamentais para manter a economia em pé, explica Fausto Augusto Junior, diretor técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). “Quem recebe o benefício não deposita em paraíso fiscal, ele gasta do armazém e no posto da esquina”.

“Primeiro o impacto é na renda, então a tendência é a pobreza e a fome aumentarem. Depois, nós vamos ver a economia local ser reduzida. Os mais pobres não compram em shopping center, não vão fechar lojas porque o auxílio acabou, mas o ‘Armazém do Seu Zé’ lá da periferia de São Paulo vai ter mais dificuldade de se manter aberto porque não vai ter cliente”, explica.

Causas

Para o sociólogo, o governo está equivocado em avaliar que já está na hora de suspender os depósitos apostando na recuperação da economia. Isso porque a taxa de desemprego, hoje em 13,2%, tende a permanecer elevada, e, além disso, a média salarial paga pelo mercado formal encolheu. 

Segundo o IBGE, o rendimento real habitual dos trabalhadores ocupados recuou para R$ 2.489 no trimestre até agosto. A marca corresponde a quedas de 4,3% frente ao trimestre anterior (R$ 2.602) e de 10,2% frente a igual período de 2020 (R$ 2.771). Além disso, as baixas foram as maiores em termos percentuais na série histórica, iniciada em 2012, em ambas as comparações.

Consequências

Como fator resultante do fim dos pagamentos, Fausto pondera que essas 22 milhões de pessoas desassistidas perderão a condição mínima até mesmo para procurar emprego. 

“Eles vão perder a possibilidade de avançar. Vamos pensar, em São Paulo, por exemplo, só para se deslocar para procurar emprego você gasta R$ 8,80 de passagem, isso se você não comer. Se você tem o mínimo, você pode ir atrás de um pouco mais, se você não tem, você não tem esse mínimo, você vai ficar no seu local e a pobreza vai se ampliando.”

Um levantamento produzido pelo Estadão comprova a tese, visto que 69% dos primeiros beneficiários do Bolsa Família deixaram de receber o programa. Os primeiros pagamentos, há 18 anos, contemplaram 1,15 milhão de pessoas. De lá para cá, 795 mil pioneiros deixaram o programa. 

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“Os auxílios funcionam assim, ele dá um ‘start’ econômico, quando ele vai diminuindo, vai fazendo a economia toda parar”, finaliza o professor.

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