Família Bravim mantém viva a tradição centenária do carrapito em Alfredo Chaves

Publicado em 10/11/2025 às 10:55

Compartilhe

{B5A73EC0-AC88-BAEB-DBDA-A412D7B57B6E}

Foto: Dirceu Cetto

Na comunidade de Vila Nova do Ribeirão, no interior de Alfredo Chaves, o cheiro doce que toma conta do ar denuncia: é dia de fazer carrapito. No sítio da família Bravim, tradição e sabor caminham juntos há mais de um século. O casal Adevaldo e Rosana Bravim segue à risca uma receita trazida pelos avós italianos, que chegaram à região no final do século XIX e trouxeram com eles o costume de transformar o caldo de cana em um doce único e irresistível.

O carrapito, uma mistura perfeita entre o caldo da cana-de-açúcar, o mamão e o toque especial do gengibre,  é o carro-chefe da produção familiar e um símbolo da cultura rural local. É também o único doce do tipo produzido na região, o que faz da família Bravim a guardiã dessa tradição.

Anúncio

Tudo é feito de forma artesanal, com o cuidado e a dedicação de quem aprendeu desde cedo o valor do trabalho no campo. A cana é cultivada, colhida e moída no próprio sítio, e o processo segue como era feito pelos antepassados: o caldo é fervido lentamente em grandes caldeirões aquecidos a lenha, até atingir o ponto exato. Só então entram o mamão e o gengibre, que dão sabor e aroma característicos ao doce.

Depois de pronto, o carrapito é resfriado, cortado em pedaços e cuidadosamente embalado pela própria família. O destino são os comércios da região, onde o doce é vendido e muito procurado por quem já conhece o sabor da tradição. “Temos vários pedidos, mas não conseguimos ampliar por falta de mão de obra. Quem prova o doce sempre compra novamente, ele tem valor afetivo. Muitos lembram do tempo de infância”, conta Rosana.

Além do carrapito, o casal também produz melado de cana e açúcar mascavo – todos com a mesma dedicação e respeito às origens. Mas é o carrapito que faz brilhar os olhos de quem visita o sítio: “É o nosso doce preferido, e também o que mais representa a nossa história”, conta Rosana, enquanto mexe o caldeirão com a colher de cabo longo, gesto repetido há gerações.

Anúncio

Uma vez por semana, a rotina no sítio é toda dedicada à produção do doce. É um dia inteiro de trabalho, calor e cheiro de cana fervendo. Um dia que, para a família Bravim, é mais do que uma jornada produtiva, é uma celebração à memória dos antepassados e à força da agricultura familiar que segue adoçando a vida e preservando o sabor do tempo.

Fonte: PMAC/ Texto: Dirceu Cetto

Veja também

WhatsApp Image 2026-09-19 at 15.37.08

Vila Pontões fortalece identidade turística com entrega do Circuito dos Cafés Especiais

close-up-man-handshake-sunny-day

Seguro rural: como funciona e por que contratar

Beautiful landscape of big tree in the forest with low angel view point

Créditos de carbono: como o produtor rural pode gerar receita

Sunset meadow, wildflowers bloom in the dusk generated by artificial intelligence

Do plantio ao beneficiamento: os principais cuidados na produção de algodão

_rbr3903_0

Inscrições para integrar delegação brasileira na COP31 terminam neste domingo

_d6a4093

Candidatos ficam protegidos contra prisões a partir deste sábado (19)

_mg_5213

Banco Central anuncia mudanças no Pix e autoriza uso do Pix Automático em contas-salário

2150169455

Os maiores clubes do Campeonato Brasileiro da Série A