Europa apoia EUA e Israel em ofensiva contra o Irã; Espanha adota posição divergente
Publicado em 05/03/2026 às 17:13
Foto: Freepik
Com exceção da Espanha, os principais países da Europa têm manifestado apoio político — e, em alguns casos, logístico — às ações de Israel e dos Estados Unidos na ofensiva contra o Irã, que, segundo analistas, teria como objetivo promover uma mudança de regime em Teerã.
Reino Unido, França e Alemanha não condenaram os ataques contra a capital iraniana e atribuíram ao próprio Irã parte da responsabilidade pela escalada do conflito. As três potências também pressionam o país a aceitar as condições impostas por Washington e Tel Aviv.
Pelo direito internacional, o uso da força é permitido apenas com autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O governo britânico, por exemplo, evitou condenar os ataques contra o Irã, mas criticou as retaliações de Teerã contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. Além disso, Londres tem oferecido apoio logístico a Washington a partir de instalações militares britânicas na região.
A França também reforçou sua presença militar. O presidente Emmanuel Macron anunciou o envio de dois navios de guerra ao Oriente Médio para participar de operações classificadas como “defensivas”. Ao mesmo tempo, Paris voltou a criticar o programa nuclear iraniano, embora Teerã afirme que suas atividades têm finalidade pacífica. O governo francês também declarou intenção de ampliar o próprio estoque de ogivas nucleares.
Na Alemanha, o governo declarou que não é momento de “dar lições” aos países aliados que atacaram o Irã. Berlim afirmou ainda compartilhar com Estados Unidos e Israel o objetivo de derrubar o governo iraniano e se colocou à disposição para colaborar com uma futura recuperação econômica do país.
Em declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido pediram o fim dos “ataques imprudentes” do Irã e afirmaram que poderão adotar medidas defensivas para impedir o lançamento de mísseis e drones a partir do território iraniano.
Outros países europeus também demonstraram apoio indireto. Portugal autorizou os Estados Unidos a utilizarem suas bases militares nos Açores, enquanto a Itália tem articulado apoio à defesa de países do Golfo e criticado o que classificou como repressão do governo iraniano contra civis.
Europa tomou posição
Para o historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva, a maior parte da Europa acabou se posicionando ao lado de Washington e Tel Aviv no conflito.
Segundo ele, ao classificar o governo iraniano como criminoso durante uma guerra, os países europeus já indicam claramente de que lado estão.
O especialista também destaca que França, Alemanha e Reino Unido — membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — não convocaram reuniões para discutir o conflito no organismo internacional.
Na avaliação do historiador, a ausência de debate na ONU atende à estratégia dos Estados Unidos de evitar que o tema seja levado ao fórum internacional.
Ele considera ainda que o ataque ocorreu em meio a negociações diplomáticas entre Washington e Teerã, o que fragiliza a confiança no sistema internacional.
Relação com os EUA
Para Teixeira, o posicionamento europeu pode estar relacionado à tentativa de preservar relações com os Estados Unidos em um momento de tensão com Washington. Segundo ele, países europeus buscam demonstrar alinhamento estratégico para manter a parceria com os norte-americanos.
Na avaliação do especialista, a Alemanha tem demonstrado uma das posturas mais alinhadas aos Estados Unidos durante o conflito.
Espanha diverge
A posição espanhola destoou dos demais parceiros europeus. O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez criticou abertamente a guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel, ressaltando que a posição espanhola não representa apoio ao regime iraniano, mas sim à defesa do direito internacional.
Sánchez citou como exemplo a Guerra do Iraque, afirmando que o conflito resultou em aumento do terrorismo, crises migratórias e elevação dos preços da energia.
A postura espanhola provocou reação do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que chegou a ameaçar romper relações comerciais com Madri. Posteriormente, autoridades norte-americanas afirmaram que a Espanha estaria disposta a cooperar com a operação, o que foi negado pelo governo espanhol.
Portugal e Itália
Portugal confirmou ter autorizado, de forma condicionada, o uso da base aérea nos Açores pelos Estados Unidos, mas afirmou que o país não participa diretamente dos ataques.
Já a Itália criticou as retaliações do Irã contra bases norte-americanas e manifestou solidariedade à população civil iraniana, além de reforçar apoio à defesa de países do Golfo.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil