Cooperativa investe R$ 12 milhões em filetadora para aumentar produção de tilápias no Espírito Santo

Publicado em 19/06/2026 às 17:11

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Dioni e Darli - Foto Julio Huber

Texto: Julio Huber/ Fotos: Julio Huber

A piscicultura capixaba está prestes a viver um novo momento. No próximo dia 4 de julho, quando também é celebrado o Dia Internacional do Cooperativismo, a Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram) inaugura sua unidade de beneficiamento de pescados, em Ponto Alto, interior de Domingos Martins.

Com aporte de aproximadamente R$ 12 milhões, a nova estrutura representa um dos maiores investimentos já realizados na cadeia da tilápia no Espírito Santo e se torna a maior filetadora do peixe no Estado. O empreendimento foi planejado para fortalecer toda a cadeia produtiva, gerar renda para as famílias rurais, ampliar mercados e oferecer aos produtores familiares a segurança de comercialização da produção.

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A estimativa é de que em cerca de 90 dias após a inauguração, a unidade passe das atuais duas toneladas de peixe processado por dia, para cinco toneladas, mas possui capacidade instalada para alcançar até 20 toneladas diárias, o equivalente a cerca de 400 toneladas por mês. O crescimento será gradual, acompanhando o aumento da produção dos cooperados e a abertura de novos mercados.

Foto: Plimper

Segundo o presidente da Coopram, Darli José Schaefer, a principal mudança será a tranquilidade para que os piscicultores possam investir sem receio. “O produtor vinha trabalhando naquela dúvida de investir, gastar dinheiro com a produção e, na hora de vender, não ter para quem vender ou vender e não receber. Agora a cooperativa fecha esse ciclo. Além de fornecer os insumos para a produção, queremos garantir a compra total da produção do cooperado”, afirma.

Até então, a cooperativa já absorvia parte significativa da produção dos associados. Com a nova unidade, a expectativa é ampliar esse volume e estimular novos investimentos nas propriedades rurais. “A filetadora fecha um ciclo dentro da piscicultura da cooperativa. Hoje temos produtores querendo iniciar na atividade, mas nosso objetivo é crescer de forma organizada, acompanhando a capacidade de produção e a abertura de novos mercados”, acrescenta Darli.

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Atualmente, cerca de 150 dos mais de 500 cooperados participam diretamente da cadeia produtiva da tilápia. “Já estamos limitando que novos cooperados iniciem na atividade para dar oportunidade a quem já tem todas as técnicas de produção. Depois, vamos inserindo os que querem iniciar na produção de tilápia”, acrescenta Darli.

Da renda complementar a uma atividade estratégica

O crescimento da piscicultura nas montanhas capixabas reflete a transformação de uma atividade que, durante muitos anos, serviu apenas como complemento de renda para as famílias rurais.

Foto: Plimper

“A tilápia sempre foi uma renda complementar para muitas famílias. Era aquele tanque no fundo da propriedade. Hoje, através da organização da cooperativa, isso se transformou em negócio, em geração de renda e oportunidade para permanecer no campo com dignidade”, destaca Darli.

A Coopram também reúne agricultores familiares que atuam na produção de café, feijão, mel, temperos, mexerica ponkan, abacate e diversos outros produtos cultivados nas propriedades das montanhas capixabas. A organização coletiva permite acesso a mercados maiores, reduz riscos para os produtores e cria oportunidades que dificilmente seriam alcançadas de forma individual.

Segurança para investir e produzir mais

Para o piscicultor e cooperado Dioni Schunk, que também atua no fornecimento de alevinos e juvenis de tilápia, a nova unidade representa um marco para toda a cadeia produtiva. Segundo ele, o atual investimento mostra o potencial de crescimento que a cooperativa vem alcançando nos últimos anos.

“Uma das maiores vantagens é a garantia de comercialização. O produtor terá segurança para vender sua tilápia e poderá reinvestir em uma nova safra. Isso fortalece toda a cadeia produtiva, desde quem produz o peixe até quem fornece os alevinos”, afirma.

Segundo ele, a estrutura coloca a Coopram em um novo patamar dentro da piscicultura estadual. “Sem dúvida será a maior estrutura desse tipo no Espírito Santo. Com o aumento gradual da capacidade de abate, a cooperativa poderá competir com empresas maiores e ampliar sua presença no mercado”, avalia.

Dioni destaca ainda que a cooperativa já possui reconhecimento nacional pelo fornecimento de filés de tilápia para programas de alimentação escolar. “Com essa nova estrutura, teremos condições de ampliar ainda mais essa atuação”, ressalta.

Cooperativismo que gera desenvolvimento

Para o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, o empreendimento demonstra a força do cooperativismo capixaba como instrumento de desenvolvimento econômico e social.

“O investimento demonstra como o cooperativismo transforma a realidade dos pequenos agricultores, organizando a produção e gerando renda de forma sustentável. A unidade de beneficiamento vai potencializar a produção e o processamento da tilápia em solo capixaba, além de reforçar o papel das cooperativas na estruturação de cadeias produtivas agroindustriais eficientes e inclusivas.”

Além de fortalecer a agricultura familiar, a nova unidade deverá gerar cerca de 30 empregos diretos na fase inicial de operação, com potencial para superar 100 postos de trabalho à medida que a produção crescer. Também são esperados dezenas de empregos indiretos ligados à logística, transporte, fornecimento de insumos e demais atividades da cadeia produtiva.

Mais do que uma nova indústria, a unidade simboliza um projeto construído coletivamente por produtores rurais que encontraram no cooperativismo uma forma de agregar valor à produção, ampliar mercados e garantir melhores condições para permanecer no campo.

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