Colunista do Montanhas Capixabas recebe menção honrosa em prêmio literário em Portugal
Publicado em 26/10/2026 às 13:28
Texto: Bruno Caetano / Foto: Arquivo pessoal
O escritor Thiago Ruffine, colunista do portal Montanhas Capixabas, recebeu menção honrosa na categoria Prosa do Prémio de Revelação Literária UCCLA-CM Lisboa, em Portugal, com o livro Voz dos Invisíveis. A obra aborda experiências de pessoas em situação de rua e foi escrita ao longo de mais de nove anos. Após o reconhecimento, o autor conseguiu uma editora para publicar o trabalho, que já está em pré-venda, com lançamento previsto para 15 de novembro.
Escritor da coluna “Ate, Crônicas e Poesia”, há mais de cinco anos no portal Montanhas Capixabas, Ruffine afirma que a menção honrosa foi um marco em sua trajetória literária. “Eu fiquei imensamente feliz, pois o concurso é anual e seu júri foi composto por juízes de diversos países de língua portuguesa. Eu levei para apreciação um livro que trabalhei por mais de nove anos. Foi um divisor de águas para mim, apesar do nervosismo de ser avaliado”, relata.
A inspiração para o livro veio da experiência de três anos de trabalho com a população em situação de rua em Belo Horizonte, Minas Gerais. “Eu conheci histórias de pessoas que passaram fome, frio e solidão. E, apesar de tudo, seguiam vivendo”, relata.

Em Voz dos Invisíveis, o leitor encontrará elementos dessas vivências, apresentados por meio de uma narrativa sobre alguém que atravessa situações extremas e, entre encontros e desencontros, continua sua trajetória. A proposta é abordar a existência humana a partir de experiências marcadas pela vulnerabilidade e por acontecimentos capazes de transformar completamente uma vida.
Encontro com pessoas em situação de rua mudou sua visão de mundo
Entre as histórias que marcaram o autor está a de um homem na faixa dos 40 anos, com formação em engenharia por uma universidade federal e criado em uma família que mantinha uma padaria em uma região nobre de Belo Horizonte.
Segundo Ruffine, a mãe desse homem morreu após enfrentar um câncer. O pai, que havia interrompido a própria rotina para cuidar da esposa, entrou em depressão e, meses depois, morreu por suicídio. Nesse período, a padaria da família também entrou em falência, deixando o filho sem a estrutura que conhecia.
O relato fez o escritor refletir sobre a imprevisibilidade da vida e sobre como uma sequência de perdas pode levar alguém a uma situação de extrema vulnerabilidade. Para ele, a experiência também ajudou a desconstruir preconceitos sobre quem vive nas ruas.
“Ao trabalhar com a população em situação de rua, pude desconstruir preconceitos e visões distorcidas. Pude ver onde o ser humano consegue chegar quando é abandonado por todos, limite da solidão e tristeza”, afirma.
Experiências da infância também influenciam a escrita
A aproximação com questões sociais também tem relação com a história pessoal do escritor. Aos seis anos, Ruffine passou por um abrigo infantil, experiência que, segundo ele, contribuiu para sua maneira de compreender as relações humanas e as desigualdades. “Enquanto as outras crianças brincavam e eram amadas, eu sentia na pele o que era ser fruto de uma união indesejável”, relata.
O autor afirma que essa trajetória influencia os temas que desenvolve tanto no livro quanto em outros textos. Em sua escrita, procura abordar aspectos da realidade que, na avaliação dele, muitas vezes são ignorados ou tratados de maneira superficial.
Livro está em pré-venda
Após a menção honrosa no concurso literário, Ruffine recebeu propostas de editoras interessadas em publicar a obra. A escolhida foi a Ópera Editorial, decisão que ele atribui, principalmente, à atenção recebida do editor Moacir Calarga.
O livro já está em pré-venda, e o lançamento está previsto para 15 de novembro. Os interessados podem solicitar um exemplar pelo site da editora. A obra está disponível neste link.