Colheita do café impulsiona geração de empregos e garante melhor saldo do mercado de trabalho no Espírito Santo em três anos
Publicado em 27/07/2026 às 09:27
Foto: Julio Huber
O início da colheita do café fez do interior do Espírito Santo o principal responsável pela geração de empregos formais no estado. Em maio, a economia capixaba registrou saldo de 9.532 novos postos de trabalho com carteira assinada, o melhor resultado para o mês dos últimos três anos. A agropecuária liderou as contratações, impulsionada pela safra do café, enquanto os setores de serviços e comércio também contribuíram para o desempenho positivo.
As informações são do Connect Fecomércio-ES, com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
Do total de vagas abertas em maio, 9.183 foram geradas pela agropecuária. A maior parte das admissões ocorreu para atender à demanda da colheita do café, principal cultura agrícola do Espírito Santo e uma das atividades econômicas mais importantes do estado.
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, os efeitos da safra vão muito além das propriedades rurais.

“A colheita movimenta toda a cadeia produtiva do café, estimulando o transporte, a armazenagem, a logística, o comércio e diversos serviços. Esse ciclo fortalece a economia dos municípios do interior e amplia a geração de emprego e renda”, destacou.
Além da agropecuária, o setor de serviços criou 614 empregos formais em maio, enquanto o comércio registrou saldo positivo de 68 vagas. Entre janeiro e maio, o Espírito Santo acumulou 26.011 novos postos de trabalho, resultado 7,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Com o desempenho de maio, o estado passou a contabilizar 942.217 trabalhadores com carteira assinada, crescimento de 1,7% em comparação com o mesmo mês de 2025. O setor terciário foi o principal responsável pela expansão do estoque de empregos, com a criação de 15.361 postos de trabalho. No período, o número de vínculos formais aumentou 2,6% no comércio e 2,2% nos serviços, que juntos somam 661.766 trabalhadores.
Interior concentra geração de vagas
A geração de empregos ficou concentrada nos municípios do interior, que responderam por 8.364 das vagas criadas em maio, o equivalente a 87,7% do saldo estadual.
Sooretama liderou o ranking, com 1.826 novos empregos, seguido por Jaguaré (1.560), Linhares (1.181) e Vila Valério (1.093), municípios fortemente ligados à produção de café.
Na Região Metropolitana da Grande Vitória, Vitória apresentou o melhor desempenho, com saldo de 884 vagas. Serra registrou 180 novos postos de trabalho, Cariacica abriu 133 vagas e Vila Velha encerrou o mês com saldo positivo de 109 empregos.
Para André Spalenza, os números confirmam o papel do agronegócio no fortalecimento da economia regional.
“O crescimento do emprego formal amplia a renda das famílias, fortalece a economia dos municípios e contribui para reduzir a informalidade no meio rural, especialmente nas regiões onde a cafeicultura é a principal atividade econômica”, afirmou.
Cafeicultura registra recorde histórico de contratações
O cultivo do café respondeu sozinho pela criação de 6.527 empregos formais em maio, o maior saldo já registrado pela atividade desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.
De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a cafeicultura representa cerca de 37% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária capixaba, consolidando-se como um dos pilares da economia estadual.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-ES, Marcus Magalhães, ressaltou que a safra também movimenta trabalhadores de outras regiões do país.
“Durante três a cinco meses, milhares de trabalhadores percorrem diferentes regiões para participar da colheita. Além da mão de obra local, o Espírito Santo recebe trabalhadores de outros estados, principalmente do Nordeste e do sul da Bahia. Ao fim da safra, eles retornam para suas cidades levando a renda obtida durante esse período, em um movimento que há décadas faz parte da dinâmica da cafeicultura brasileira”, explicou.
Fonte: Assessoria de imprensa C2 Press