Classificação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA pode afetar investimentos, turismo e exportações
Publicado em 01/06/2026 às 13:40
Foto: Magnific
A decisão dos Estados Unidos de classificar facções do crime organizado brasileiro como organizações terroristas pode trazer reflexos negativos para a economia do Brasil, com possíveis impactos sobre investimentos estrangeiros, turismo, comércio exterior e o ambiente de negócios. A avaliação é de especialistas em relações internacionais e economia ouvidos pela Agência Brasil.
Segundo o cientista político e especialista em relações internacionais Francisco Carlos Teixeira da Silva, a medida pode aumentar a percepção de risco do país perante investidores internacionais. Ele explica que empresas e instituições financeiras costumam analisar indicadores de segurança antes de realizar investimentos e que a nova classificação pode influenciar negativamente essas avaliações.
Na análise do especialista, o cenário pode resultar em redução de investimentos, menor geração de empregos e diminuição da transferência de tecnologias para o país. Além disso, produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos e para países que adotam critérios semelhantes poderão ser submetidos a fiscalizações mais rigorosas.
O professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também acredita que o setor turístico poderá sentir os efeitos da decisão. A imagem internacional do Brasil, segundo ele, pode ser prejudicada ao associar o país à presença de organizações consideradas terroristas, afetando tanto o turismo tradicional quanto o turismo de negócios.
Entre as preocupações está a possível redução de eventos corporativos em grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro, o que impactaria segmentos como hotelaria, restaurantes, transporte e serviços relacionados.
O economista e professor de economia internacional da UFRJ Luiz Carlos Prado afirma que ainda é difícil medir os efeitos concretos da medida, mas alerta para o aumento da insegurança jurídica e comercial para empresas que atuam no Brasil. Segundo ele, a classificação pode abrir espaço para restrições comerciais e financeiras ou até mesmo ser utilizada em disputas políticas e econômicas.
Prado destaca que companhias brasileiras podem enfrentar maiores dificuldades em operações internacionais caso sejam alvo de suspeitas ou investigações relacionadas ao financiamento de atividades classificadas como terrorismo.
O governo brasileiro também demonstrou preocupação com possíveis consequências da decisão para o sistema financeiro nacional. Em manifestações recentes, integrantes do governo apontaram o risco de impactos sobre instrumentos de inovação financeira, como o Pix, além de eventuais pressões sobre instituições e empresas do país.
Os especialistas ressaltam ainda que há diferenças importantes entre organizações criminosas e grupos terroristas. Enquanto o terrorismo é caracterizado por motivações políticas, ideológicas ou religiosas, facções ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado têm como principal objetivo o lucro econômico.
Para Luiz Carlos Prado, essa distinção exige estratégias diferentes de enfrentamento por parte dos governos. Já Francisco Teixeira argumenta que medidas voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e aos paraísos fiscais poderiam ser mais eficazes no enfrentamento das estruturas financeiras utilizadas por organizações criminosas.
A discussão sobre os efeitos da classificação continua mobilizando especialistas e autoridades, diante das possíveis repercussões econômicas, diplomáticas e comerciais para o Brasil.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil