Chuvas aumentam risco de afogamento em rios e cachoeiras no Espírito Santo

Publicado em 25/10/2026 às 12:04

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Texto: Bruno Caetano / Foto: Magnific

A morte de dois amigos afogados em uma cachoeira de Conceição do Castelo, na Região Serrana do Espírito Santo, acende um alerta para os riscos de banho em rios e cachoeiras, principalmente durante o período de chuvas. O aumento repentino do volume de água pode surpreender banhistas, provocar mudanças na correnteza e arrastar pessoas para áreas profundas, mesmo quando o tempo está ensolarado no local.

Paulo Henrique, de 25 anos, e Manoel Estevão, de 27, morreram no último dia 11, em uma propriedade particular na região de Fazenda Viçosa, abaixo da Cachoeira da Fumaça. Segundo testemunhas, um dos jovens começou a afundar e o amigo tentou socorrê-lo, mas também se afogou. Os corpos foram encontrados pelos bombeiros em uma área profunda, abaixo da queda-d’água.

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Segundo a major Gabriela, do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, um dos principais perigos nas cachoeiras durante o período chuvoso é a chamada cabeça d’água, fenômeno provocado pelo aumento repentino do volume de água no curso de um rio. Isso pode ocorrer quando chove intensamente em áreas mais altas, mesmo que não esteja chovendo onde os banhistas estão.

“Esse aumento repentino, super-rápido de água, muitas vezes pega o banhista desprevenido e acaba arrastando-o. Pode muitas vezes deixá-lo ilhado, por exemplo, sobre uma pedra, pode fazê-lo se espremer de uma pedra, pode levá-lo, arrastá-lo para uma parte que seja mais profunda”, explicou a major.

A orientação é verificar a previsão do tempo antes de visitar cachoeiras e adiar o passeio quando houver previsão de chuva. Caso o volume de água comece a subir rapidamente, a recomendação é sair imediatamente do rio e procurar um local seguro. A atenção deve ser mantida mesmo quando o céu estiver aberto, pois a chuva pode atingir a cabeceira do curso d’água, distante do ponto de banho.

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Falsa sensação de segurança

De acordo com o painel do Observatório Estadual de Segurança Pública. De janeiro a setembro deste ano, foram registradas 104 mortes por afogamento no Estado. Rios e córregos concentraram 34 vítimas. No mesmo período, houve três mortes em cachoeiras.

Os riscos, porém, não se restringem aos dias chuvosos. Em rios, lagoas, açudes e cachoeiras, a ausência de guarda-vidas e a falsa sensação de segurança podem levar os banhistas a subestimar os perigos e superestimar a própria capacidade de nadar.

Segundo a major Gabriela, a água aparentemente tranquila pode esconder profundidades irregulares e condições que dificultam a saída. Por isso, ela recomenda evitar locais desconhecidos, não se afastar das margens e, sempre que possível, levar um objeto flutuante para auxiliar em uma eventual emergência.

PRAIAS – Nas praias, a recomendação é procurar trechos supervisionados por guarda-vidas e perguntar aos profissionais quais áreas são mais seguras para banho. Também é necessário respeitar as bandeiras de sinalização, especialmente a vermelha, que indica alto risco. Atividades aquáticas devem ser feitas com companhia, sem afastamento excessivo da margem.

Como agir em um afogamento

Ao perceber uma pessoa se afogando, a orientação dos bombeiros é acionar o socorro e oferecer algum objeto que ajude a vítima a flutuar, sem entrar na água para tentar resgatá-la diretamente. Uma aproximação sem treinamento pode fazer com que quem tenta ajudar também se torne vítima da ocorrência.

“Uma pessoa que está se afogando entra em pânico e acaba agarrando o que aparecer na frente dela”, alertou a major. Entre os objetos que podem ajudar estão boias, pranchas, garrafas PET fechadas, cordas, galhos e outros materiais que permitam auxiliar a vítima, mantendo uma distância segura.

Em locais sem guarda-vidas, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193. A major também reforça que o consumo de bebidas alcoólicas não deve ser combinado com banho ou atividades aquáticas, pois compromete a percepção dos riscos e a capacidade de reação.

Quando há crianças, a supervisão deve ser constante, com um adulto responsável exclusivamente por acompanhá-las. A recomendação é manter a criança sempre ao alcance de um braço, sem dividir a atenção com bebidas, celulares ou outras atividades.

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