Café conilon de Jaguaré conquista selo de indicação geográfica e agrega valor à produção
Publicado em 09/04/2026 às 08:22
Foto: Divulgação/ Incaper
A conquista de um selo de Indicação Geográfica (IG) para café torrado colocou uma propriedade rural de Jaguaré em destaque no cenário da cafeicultura capixaba. O reconhecimento, inédito no município, certifica a procedência do Café Conilon do Espírito Santo e comprova a adoção de boas práticas de produção, agregando valor ao produto.
O feito é resultado do trabalho do casal Fábio Nicolau de Souza e Valquíria Pagung, que vem recebendo acompanhamento técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), por meio do projeto Cafeicultura Sustentável.
Segundo Fábio, a certificação representa o reconhecimento de anos de dedicação voltados à produção de um café de qualidade, aliado a práticas sustentáveis. Ele destaca que o produto carrega não apenas valor comercial, mas também um significado afetivo, por ser o mesmo café consumido e oferecido pela própria família.
O processo de aprimoramento da propriedade começou com um diagnóstico detalhado realizado pela equipe técnica do Incaper. A partir da análise, foram identificados os principais pontos de melhoria relacionados à sustentabilidade, manejo e qualidade da produção.
De acordo com a extensionista Ariele Altoé, coordenadora do escritório do Incaper em Jaguaré, foi elaborado um plano de ação para orientar a implementação das práticas necessárias, acompanhado de forma contínua ao longo do projeto.
Com os avanços obtidos, a propriedade passou a ser considerada uma Unidade de Referência de Sustentabilidade, tornando-se exemplo para outros produtores da região interessados em adotar tecnologias e práticas mais sustentáveis na cafeicultura.
Entre as melhorias implantadas estão o aperfeiçoamento do manejo do solo, ajustes no processo de colheita e avanços no pós-colheita, etapa considerada estratégica para a obtenção de cafés com maior valor agregado e melhor desempenho sensorial.
Fábio explica que os investimentos envolveram desde o manejo nutricional da lavoura até o controle da fermentação, secagem e armazenamento dos grãos, sempre com foco no equilíbrio entre sustentabilidade e qualidade final do produto.
Além da assistência técnica, os produtores também foram contemplados pelo projeto com tecnologias voltadas à sustentabilidade, como biodigestor para tratamento de resíduos, fossa séptica e tensiômetro, equipamento que auxilia no uso mais eficiente da água.
Para o produtor, esse suporte foi decisivo em todas as etapas do processo. Ele afirma que o acompanhamento próximo da equipe do Incaper foi fundamental para a implementação das melhorias e para o alcance do objetivo.
O extensionista Welington Marré, coordenador regional do projeto Cafeicultura Sustentável, reforça que o trabalho de orientação foi essencial para aprimorar o manejo da lavoura e qualificar todas as etapas da produção, do campo ao pós-colheita.
Outro fator importante para a conquista do selo foi a emissão do laudo de classificação sensorial pelo Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo (Cecafes), vinculado ao próprio Incaper. O documento atesta que o café atende aos padrões exigidos para a certificação da Indicação Geográfica.
Para obter o selo de IG, os produtores precisam cumprir uma série de exigências previstas no Caderno de Especificações Técnicas da Indicação de Procedência “Espírito Santo”. Entre os critérios estão a localização dentro da área delimitada, que abrange os 78 municípios capixabas, a adoção de práticas sustentáveis, a rastreabilidade da produção e a obtenção de no mínimo 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA).
A solicitação da certificação deve ser feita por meio de cooperativas filiadas à Federação dos Cafés do Estado do Espírito Santo, entidade responsável pela gestão e governança da Indicação Geográfica do Café Conilon capixaba.
Na avaliação de Fábio, o diferencial está na atenção a cada detalhe do processo produtivo. Desde a escolha dos clones até o ponto ideal de maturação dos frutos e os cuidados no pós-colheita, cada etapa é pensada para garantir um produto final de excelência.
Com o reconhecimento, a expectativa da família é ampliar a presença da marca em novos mercados. Para o produtor, o selo funciona como uma garantia de qualidade para o consumidor e pode abrir portas para melhores oportunidades comerciais, valorização do produto e maior visibilidade.
O projeto Cafeicultura Sustentável, responsável por apoiar essa trajetória, é coordenado pela Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e pelo Incaper, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).
A iniciativa tem como objetivo fortalecer a cafeicultura capixaba por meio da sustentabilidade, inovação e agregação de valor, oferecendo assistência técnica a produtores de café arábica e conilon em diferentes regiões do Estado.
O trabalho inclui diagnósticos baseados em indicadores de sustentabilidade, elaboração de planos de ação personalizados, implantação de unidades demonstrativas, capacitações e acompanhamento contínuo nas propriedades rurais.
Com essas ações, o projeto busca melhorar o manejo da lavoura, qualificar as etapas de produção e ampliar a competitividade do café produzido no Espírito Santo. Até o momento, mais de 6 mil propriedades já foram alcançadas pela iniciativa.
Fonte: Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper