Brasil rebaixa relações diplomáticas com a Argentina após ataques de Milei a Lula e ao STFlu
Publicado em 05/08/2026 às 13:59
Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil
O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina em resposta às sucessivas declarações ofensivas do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal (STF). A medida representa um dos momentos de maior tensão entre os dois países nos últimos anos.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) determinou que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permaneça em Brasília e não retorne ao posto enquanto continuarem as ofensas feitas por Milei. Com isso, a representação diplomática brasileira na Argentina passa a ser conduzida por um Encarregado de Negócios, cargo de nível inferior ao de embaixador e utilizado para sinalizar o rebaixamento das relações bilaterais.
Bitelli havia sido convocado ao Brasil em 26 de julho, após o presidente argentino participar de uma convenção do Partido Liberal (PL), na qual chamou Lula de “presidiário” e criticou o ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pelo julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Na ocasião, o Itamaraty divulgou uma nota oficial classificando as declarações como um episódio sem precedentes.
“Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, afirmou o ministério.
Nos dias seguintes, Milei voltou a atacar Lula, utilizando expressões como “ladrão” e “lixo socialista”, além de manter críticas públicas ao Supremo Tribunal Federal. Segundo o governo brasileiro, a continuidade dessas declarações motivou a decisão de manter o embaixador fora da Argentina por tempo indeterminado.
Resposta da Argentina
Em nota divulgada nas redes sociais, o governo argentino lamentou a decisão brasileira e classificou a medida como “unilateral”, afirmando que ela foi motivada por razões “puramente ideológicas”.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o país “nunca respondeu a uma diferença política com uma medida institucional” e reafirmou esse posicionamento.
O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que mantém relações diplomáticas com países de diferentes orientações ideológicas e que a decisão foi motivada exclusivamente pelas reiteradas ofensas dirigidas às autoridades e às instituições brasileiras.
Repercussão
A decisão teve ampla repercussão na imprensa argentina. O jornal Clarín classificou a medida como uma “dura sanção diplomática”, enquanto o Infobae afirmou que Brasil e Argentina enfrentam uma “crise sem precedentes”, destacando a preocupação do setor empresarial argentino com o agravamento da relação entre os dois principais parceiros econômicos do Mercosul.
Relação comercial
Apesar da crise diplomática, Brasil e Argentina mantêm uma forte integração econômica. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) mostram que o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas entre janeiro e junho deste ano, respondendo por 12,6% das vendas externas do país, à frente da China (9,9%) e dos Estados Unidos (9,8%).
Já segundo a Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Argentina foi, em 2025, o terceiro principal destino das exportações brasileiras, com US$ 18,1 bilhões em produtos embarcados, o equivalente a 5,2% das exportações totais do Brasil.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil