Atividade física e saúde do coração: por que se movimentar é essencial
Publicado em 21/02/2026 às 11:41
Foto: Freepik
Durante muito tempo, acreditou-se que pessoas com doenças cardiovasculares deveriam evitar esforços físicos. Hoje, a ciência mostra exatamente o contrário: quem tem problemas no coração não só pode como deve praticar atividade física regularmente — desde que com orientação adequada e respeitando seus limites individuais. Em muitos casos, o exercício faz parte do próprio tratamento.
A inatividade física e o comportamento sedentário prolongado aumentam significativamente o risco de agravamento das doenças cardiovasculares e favorecem o surgimento de novos problemas. O coração é um músculo e, como qualquer outro, responde positivamente ao estímulo do exercício.
Como o exercício protege o sistema cardiovascular
De acordo com a professora Cláudia Lúcia Forjaz, da Universidade de São Paulo, há evidências sólidas de que a prática adequada de atividade física contribui tanto para prevenir doenças cardíacas quanto para controlar quadros já diagnosticados.
Os benefícios acontecem porque o exercício:
- Melhora a função do sistema cardiovascular;
- Ajuda a controlar a pressão arterial;
- Reduz o colesterol ruim (LDL);
- Contribui para o controle do peso corporal;
- Auxilia no controle do diabetes;
- Reduz processos inflamatórios;
- Melhora a capacidade cardiorrespiratória.
Além disso, a prática regular atua diretamente sobre fatores de risco importantes, como obesidade, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, alimentação inadequada e sedentarismo.
No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade indicam que, apenas em 2020, mais de 109 mil pessoas morreram por infarto agudo do miocárdio (IAM). Estima-se que a prática regular de atividade física, associada a uma alimentação saudável e ao controle do colesterol, possa reduzir em até 80% esses óbitos.
Quem já tem doença cardíaca pode se exercitar?
O receio é comum — e compreensível. Algumas cardiopatias podem exigir restrição temporária de esforço físico. No entanto, após controle clínico adequado, a maioria das pessoas pode retomar a prática de exercícios, sempre com orientação profissional.
Segundo especialistas, existem recomendações específicas de acordo com cada condição ou fator de risco. Pessoas com hipertensão, por exemplo, devem evitar exercícios de força em alta intensidade, pois isso pode aumentar excessivamente a sobrecarga cardiovascular.
De modo geral, as atividades indicadas costumam ser leves a moderadas.
Quais exercícios são mais recomendados?
As modalidades mais estudadas e indicadas para proteção cardiovascular são:
Exercícios aeróbicos
São os mais recomendados para o coração. Exemplos:
- Caminhada
- Dança
- Natação
- Ciclismo
Eles promovem melhora direta na capacidade cardiorrespiratória e no funcionamento do sistema circulatório.
Exercícios resistidos (de força)
Incluem:
- Musculação
- Ginástica
Trazem benefícios musculoesqueléticos importantes e podem complementar os aeróbicos, desde que respeitadas as limitações individuais e a intensidade adequada.
Para quem já tem doença cardiovascular, a prescrição deve ser feita por profissional qualificado, considerando histórico clínico e condição atual.
Orientações oficiais
O Ministério da Saúde disponibiliza o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, que reúne recomendações para diferentes faixas etárias e condições de saúde. O documento orienta sobre tipos de exercício, intensidade e frequência, além de incentivar a incorporação do movimento no dia a dia.
A mensagem central é clara: movimentar-se é uma das estratégias mais eficazes para proteger o coração — seja na prevenção, seja no tratamento das doenças cardiovasculares. O importante é respeitar os limites do corpo e buscar orientação adequada para transformar a atividade física em aliada da saúde.
Texto: Gov Br