Excesso de água na irrigação pode prejudicar raízes e aumentar custos na lavoura
Publicado em 10/09/2026 às 14:17
Foto: Magnific
Quando o assunto é irrigação, aumentar a quantidade de água nem sempre significa melhorar o desenvolvimento da planta. O excesso pode reduzir a disponibilidade de oxigênio no solo, favorecer doenças, prejudicar as raízes e ainda aumentar os custos de produção.
A quantidade adequada de água depende de fatores como cultura, fase de desenvolvimento, tipo de solo, temperatura e condições climáticas. Por isso, especialistas defendem que o manejo da irrigação seja baseado na necessidade da planta, e não apenas em uma programação fixa.
Segundo o engenheiro agrônomo e diretor executivo da Hydra Irrigações, primeira revenda da Netafim no Brasil, Elídio Torezani, o excesso de água pode ser tão prejudicial quanto a falta.
“A planta precisa de água, mas também necessita de oxigênio na região das raízes. Se o solo permanecer saturado por muito tempo, esse equilíbrio será prejudicado”, explica.
Solo saturado reduz oxigenação das raízes
Quando a quantidade de água aplicada supera a capacidade de absorção e armazenamento do solo, os espaços que normalmente ficam ocupados por ar passam a ser preenchidos por água. Com isso, a circulação de oxigênio na região das raízes é reduzida.
Em situações prolongadas, o excesso de umidade pode comprometer o desenvolvimento das plantas e favorecer problemas que afetam sua saúde.
No sistema de gotejamento, a água costuma formar uma região de maior umidade abaixo do ponto de aplicação. A maneira como ela se espalha, porém, varia conforme o tipo de solo e a vazão do gotejador.
De acordo com Torezani, emissores com maior vazão tendem a levar a água mais rapidamente para camadas profundas, o que pode dificultar sua distribuição lateral. Por isso, a posição dos gotejadores deve considerar as características do solo e da cultura.
“Manter ou instalar o gotejador exatamente na posição do tronco da planta pode fazer com que a região onde estão as raízes permaneça constantemente com excesso de umidade. Isso aumenta os riscos para a saúde da planta e mostra a importância de um projeto de irrigação adequado para cada tipo de solo e cultura”, afirma.
Excesso de água pode prejudicar as raízes
As raízes estão entre as partes mais afetadas quando o solo permanece encharcado por longos períodos. Elas são responsáveis pela absorção de água e nutrientes e, quando seu desenvolvimento é comprometido, os impactos podem atingir toda a planta.
O risco pode ser maior em áreas ou culturas que apresentam maior retenção de água. Por isso, conhecer o comportamento do solo é fundamental para definir o manejo.
Segundo Torezani, não existe uma quantidade de água ideal que possa ser aplicada de forma igual em todas as propriedades.
“A necessidade hídrica muda de uma cultura para outra e também ao longo do ciclo da planta. O que funciona para uma determinada lavoura pode não funcionar para outra. Por isso, o manejo precisa ser individualizado”, destaca.
Irrigação em excesso também aumenta os custos
Além dos impactos sobre o solo e as plantas, a aplicação excessiva de água representa desperdício de recursos.
Quando a quantidade aplicada supera a necessidade da cultura, parte da água pode não ser aproveitada pelas raízes. Dependendo das condições do terreno, o excesso também pode alcançar camadas mais profundas e carregar nutrientes para fora da região de absorção das plantas.
O gasto não envolve apenas água. Sistemas de irrigação, principalmente aqueles que utilizam bombeamento, também consomem energia. Assim, manter os equipamentos funcionando por mais tempo do que o necessário pode elevar os custos da produção.
“O objetivo da irrigação é fornecer a quantidade necessária para aquela cultura, naquele momento”, explica o especialista.
Monitoramento ajuda a evitar desperdícios
Para melhorar o manejo, o produtor deve acompanhar as condições do solo e da lavoura. Dados sobre umidade, previsão de chuva, temperatura e estágio de desenvolvimento da cultura podem auxiliar na definição do momento e da quantidade de água a ser aplicada.
O sistema também precisa estar corretamente dimensionado. Emissores com vazão inadequada, problemas de pressão ou falhas na distribuição podem fazer com que algumas áreas recebam mais água do que outras.
Por isso, planejamento, manutenção e acompanhamento técnico são importantes para garantir uma distribuição uniforme.
“É preciso monitorar, fazer ajustes e verificar se a água está sendo distribuída de maneira uniforme”, destaca Torezani.
Tecnologia aumenta a precisão no campo
Sensores, sistemas de monitoramento e equipamentos automatizados estão entre as tecnologias que podem ajudar o produtor a acompanhar as condições da propriedade e tomar decisões mais precisas.
Essas ferramentas podem fornecer informações sobre a umidade do solo e o funcionamento do sistema de irrigação, mas não substituem a avaliação técnica.
Para Torezani, os dados precisam ser analisados de acordo com as características de cada propriedade.
“A tecnologia ajuda o produtor a enxergar melhor o que está acontecendo no campo. Mas os dados precisam ser interpretados dentro da realidade de cada cultura e de cada área. É essa combinação que permite um manejo mais preciso”, afirma.
O especialista reforça que o objetivo da irrigação deve ser encontrar o equilíbrio entre a necessidade da cultura e a quantidade de água aplicada.
“Irrigar bem significa entender a necessidade da cultura e entregar água no momento e na quantidade adequada. Isso contribui para a produtividade”, conclui.
Fonte: Assessoria de Imprensa da Hydra Irrigações/ Vera Caser Comunicação