Recomeçar pelos estudos: brasileiros transformam oportunidades em novos caminhos
Publicado em 15/08/2026 às 15:27
Foto: Magnific
Retomar a educação depois de anos longe da escola pode representar um grande desafio, especialmente para quem precisa conciliar trabalho, responsabilidades familiares e dificuldades socioeconômicas. Mesmo assim, histórias como as de Benildo José de Souza, Maria de Lurdes Teixeira de Souza e Eduardo Nepomuceno mostram que a educação de jovens e adultos e os cursos preparatórios podem abrir novas possibilidades pessoais e profissionais.
Aos 64 anos, uma nova experiência em sala de aula
Aos 64 anos, o pernambucano Benildo José de Souza decidiu voltar a estudar depois de receber o incentivo de colegas de trabalho. Morador de Jardim Ingá, em Goiás, ele trabalha na equipe de limpeza do Ministério da Educação e mantém uma rotina extensa.
Benildo acorda às 3h da manhã para chegar ao Plano Piloto, no Distrito Federal, antes das 6h. Após cumprir o expediente, segue para as aulas no Centro de Formação e Desenvolvimento dos Trabalhadores em Educação do Ministério da Educação (Cetremec), onde está matriculado na Educação de Jovens e Adultos (EJA) há cerca de um ano.
Inicialmente, ele não pretendia retornar à escola. O receio de estudar novamente depois de tantos anos, porém, foi superado com o apoio dos colegas. Desde então, passou a acompanhar disciplinas como português, matemática, educação artística e computação.
Entre as conquistas desse primeiro período estão a capacidade de assinar o próprio nome e o aprendizado das primeiras palavras. Para Benildo, continuar estudando significa manter a mente ativa e aproveitar uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.
O conhecimento como ferramenta para a vida cotidiana
A piauiense Maria de Lurdes Teixeira de Souza, de 46 anos, também encontrou na EJA uma oportunidade de retomar os estudos. Funcionária do MEC na área de alimentação, ela precisou interromper a vida escolar ainda aos dez anos, principalmente em razão das dificuldades de deslocamento enfrentadas no interior do Piauí.
Depois de anos trabalhando, decidiu enfrentar a insegurança e voltar à escola. Assim como Benildo, ingressou na EJA oferecida pelo Cetremec.
Os resultados ultrapassaram o ambiente escolar. Com maior domínio da leitura e da escrita, Lurdes passou a conseguir ajudar o filho nas atividades escolares, compreender informações presentes em bulas de medicamentos e consultar receitas culinárias com mais autonomia.
A retomada dos estudos também reacendeu um antigo projeto: cursar uma graduação relacionada à gastronomia.
Para ela, a idade não deve ser encarada como um impedimento para aprender. O principal obstáculo, segundo seu relato, foi superar a vergonha de retornar à sala de aula depois de tantos anos.
Do retorno aos estudos à universidade
A trajetória de Eduardo Nepomuceno apresenta outro caminho possível para quem interrompeu a formação escolar.
Morador de Brasília e atualmente com 24 anos, Eduardo deixou os estudos em 2020 por motivos pessoais. Depois de começar a trabalhar no Ministério da Educação, primeiro como garçom e posteriormente como recepcionista, recebeu o incentivo de colegas para retomar a preparação acadêmica.
Ele ingressou no Programa de Formação, Desenvolvimento e Valorização para a Cidadania (ProFormar), curso preparatório para o Enem oferecido pelo Cetremec.
Após sete meses de preparação, conseguiu uma pontuação suficiente no exame para obter uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). Com isso, passou a cursar publicidade e propaganda em uma instituição privada.
Atualmente, Eduardo trabalha como secretário administrativo no Ministério da Educação e pretende desenvolver sua carreira profissional na área audiovisual. Para ele, a continuidade dos estudos representa uma forma de ampliar conhecimentos e possibilidades ao longo da vida.
Cetremec reúne diferentes oportunidades de formação
As três histórias têm um ponto em comum: o Cetremec, localizado na L2 Sul, em Brasília.
O espaço, instalado em um edifício histórico relacionado ao projeto educacional desenvolvido por Anísio Teixeira, oferece formação continuada para servidores e colaboradores do Ministério da Educação. O centro também recebe atividades da EJA e do ProFormar.
Além das ações educacionais, o local possui espaços dedicados à preservação e à divulgação da memória da educação brasileira, com exposições abertas à visitação pública.
CadEJA facilita o acesso à educação de jovens e adultos
Para pessoas que desejam retomar a escolarização, o Ministério da Educação disponibiliza o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), plataforma destinada a identificar a demanda por alfabetização e escolarização no país e aproximar os cidadãos das vagas oferecidas pelas redes públicas estaduais e municipais.
O cadastro é gratuito e pode ser realizado durante todo o ano. O interessado deve informar dados como local de residência, bairro de preferência, período em que deseja estudar e o momento em que interrompeu os estudos.
Quem não é alfabetizado ou encontra dificuldades para utilizar ferramentas digitais pode realizar o procedimento presencialmente, com o auxílio de um agente de cadastro habilitado.
Depois do registro, a solicitação é encaminhada à secretaria de educação responsável, que entra em contato com o cidadão para dar continuidade ao processo de matrícula.
As histórias de Benildo, Lurdes e Eduardo evidenciam diferentes formas pelas quais a retomada da educação pode modificar trajetórias. Seja para conquistar autonomia em atividades cotidianas, seja para alcançar uma formação universitária, o retorno à escola pode representar uma nova etapa na vida de quem precisou interromper os estudos.
Texto: Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) e do Cetremec