Com apoio do crédito rural, cafeicultor moderniza a propriedade e amplia a produção
Publicado em 01/08/2026 às 15:35
Texto: Julio Huber e Bruno Faustino / Fotos: Julio Huber
A cafeicultura sempre fez parte da vida de Henrique Contreiro, 27 anos. Filho de produtores rurais de Rancho Dantas, em Brejetuba, nas montanhas do Espírito Santo, ele cresceu acompanhando o trabalho da família nas lavouras e decidiu seguir o mesmo caminho. Depois de concluir a graduação em Agronomia, transformou conhecimento em planejamento e começou a colocar em prática um projeto de crescimento para a propriedade.
Quem conversa com Henrique percebe rapidamente que o café não é apenas uma atividade econômica. O agrônomo fala da cafeicultura como quem fala da própria história. “Posso dizer que o café representa tudo e um pouco mais. Sempre estive ligado a ele e hoje estou presente praticamente em toda a cadeia da cafeicultura”, resume.
A ligação com o campo começou ainda na infância. Nascido e criado em Brejetuba, município reconhecido como a Capital Estadual do Café Arábica, Henrique cresceu acompanhando o trabalho da família nas lavouras. Mas foi durante a faculdade que passou a enxergar novas possibilidades para o negócio rural.
“Minha família vive do café há muitas gerações. Quando chegou a minha vez de assumir responsabilidade, senti que podia fazer diferente, agregar mais valor e buscar mais resultados para a atividade que a gente desenvolvia”, contou.
PARCERIA – O que faltava para tirar os planos do papel era um parceiro disposto a acreditar naquele sonho. Foi no crédito rural do Sicoob que ele encontrou o apoio necessário para renovar lavouras, abrir novas áreas de produção, investir em mecanização e construir uma propriedade cada vez mais eficiente. Hoje, o jovem produtor vê na cooperativa muito mais do que uma instituição financeira: um parceiro que acompanha sua evolução e continua presente nos projetos para o futuro.
“Quando terminei a Agronomia, eu tinha um sonho muito grande e um projeto muito bem planejado. Eu precisava somente de um parceiro que acreditasse em tudo isso. Foi aí que encontrei no Sicoob esse parceiro”, lembra.
O primeiro passo foi a implantação de uma unidade de produção de mudas. À medida que o projeto crescia, surgiam novas necessidades de investimento. Vieram então os financiamentos para renovação das lavouras por meio da recepa, abertura de novas áreas de plantio e, mais recentemente, a aquisição de um trator.

Cada operação representava um novo avanço para a propriedade. “A gente foi crescendo junto nessa parceria. O crédito permitiu investir em áreas novas, renovar lavouras e depois adquirir um trator. Foi nesse momento que tivemos uma mudança muito grande na dinâmica da propriedade”, lembra.
Mais do que financiar investimentos, Henrique afirma que a cooperativa passou a fazer parte das decisões estratégicas do negócio. “Eu não encontrei apenas uma instituição financeira, encontrei pessoas que conheceram a nossa rotina, entenderam nossos desafios e buscaram soluções para aquilo que realmente precisávamos”, garante.
Para ele, essa proximidade representa um dos principais diferenciais do cooperativismo. “Não era alguém apresentando uma tabela de produtos financeiros, mas uma equipe que foi até a propriedade, conheceu nossa realidade e entendeu onde queríamos chegar. Foi aí que eu compreendi o verdadeiro significado do cooperativismo”, relembra.
Essa parceria ultrapassou os limites da porteira. Hoje, além do crédito rural, Henrique utiliza diversos serviços da cooperativa, como investimentos, seguros e plano de saúde para a família.
Atualmente Henrique administra cerca de 22 hectares de café, com aproximadamente 80 mil pés em diferentes fases de desenvolvimento. Todas as decisões passam por ele, desde o manejo das lavouras até o planejamento dos investimentos que garantem produtividade e qualidade aos cafés produzidos na propriedade.
Henrique vira referência em produção de mudas de café

O primeiro empreendimento de Henrique Contreiro após concluir a graduação em Agronomia foi a implantação de um viveiro de mudas de café. Iniciado em 2019, o negócio cresceu rapidamente e hoje produz cerca de 1 milhão de mudas por ano. A comercialização é feita principalmente entre os meses de novembro e março para produtores de pelo menos nove municípios da região, entre eles Brejetuba, Ibatiba, Conceição do Castelo, Vargem Alta, Venda Nova do Imigrante, Afonso Cláudio, Itarana, Marechal Floriano e Domingos Martins.
Segundo Henrique, um dos principais diferenciais do viveiro está na forma de produção das mudas. Todo o processo é realizado a pleno sol, sem a utilização de sombrite em nenhuma etapa do desenvolvimento das plantas. A técnica proporciona maior adaptação das mudas às condições encontradas nas propriedades rurais, especialmente naquelas onde o cultivo é realizado em sequeiro, sem sistemas de irrigação. “A muda já chega ao produtor climatizada para enfrentar o sol direto, o que reduz o estresse após o plantio e aumenta as chances de um bom desenvolvimento no campo”, explica.
Outro diferencial é o acompanhamento técnico oferecido aos clientes. Além de fornecer as mudas, Henrique realiza visitas às propriedades, faz análises de solo, orienta sobre adubação, manejo, controle de pragas e doenças e acompanha o desenvolvimento das lavouras após o plantio. “Nosso compromisso não termina na entrega da muda. Procuramos estar ao lado do produtor durante todo o processo para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso da implantação da lavoura”, afirma.
Sicoob acompanha a evolução dos cooperados
A proximidade construída ao longo dos anos também é percebida pelo gerente da agência do Sicoob em Brejetuba, Cristiano José de Souza, que acompanhou toda a evolução da propriedade. Segundo ele, a história de Henrique ilustra exatamente a forma como a cooperativa procura atuar junto aos produtores rurais.

“O Henrique chegou até nós em 2023 buscando recursos para fazer a recepa das lavouras e implantar novas áreas de café. Conseguimos atender essa demanda e, pouco tempo depois, ele voltou para financiar a aquisição de um trator, que hoje é fundamental para a rotina da propriedade”, contou.
Para o gerente, porém, o principal papel da cooperativa não é apenas liberar recursos.
“O Sicoob procura entender a necessidade do associado. Antes de qualquer operação financeira, buscamos conhecer o projeto, compreender o momento que o produtor está vivendo e oferecer a solução que realmente faz sentido para ele. Trabalhamos em parceria”, detalha.
Esse modelo de atendimento, segundo Cristiano, explica a presença cada vez maior da cooperativa na cafeicultura de Brejetuba. “O crédito rural é de extrema importância para o desenvolvimento da nossa região. Por meio das linhas do Pronaf, Pronamp, BNDES e demais programas, conseguimos levar recursos para que os produtores invistam, modernizem suas propriedades e aumentem sua competitividade”, enfatiza.
O gerente lembra que a cooperativa também se consolidou como a principal repassadora de recursos do BNDES Rural no município. “Hoje temos orgulho de dizer que somos a instituição financeira que mais realiza operações de repasse do BNDES Rural em Brejetuba. Isso demonstra a confiança dos produtores no nosso trabalho e reforça nosso compromisso com o desenvolvimento da cafeicultura regional”, informou.

Henrique afirma que o agro dificilmente produz sem crédito. “Existem momentos em que uma decisão precisa ser tomada imediatamente. Não dá para esperar uma safra inteira para fazer um investimento. Às vezes surge uma oportunidade ou uma necessidade urgente e é justamente nesse momento que uma equipe organizada faz toda a diferença”, garante,
Plano Safra reforça capacidade de investimento no campo
A expectativa para a safra 2026/2027 é de que mais produtores tenham acesso aos recursos necessários para ampliar investimentos e fortalecer suas atividades. O Sicoob projeta disponibilizar R$ 4,7 bilhões em crédito rural no Espírito Santo, enquanto, em nível nacional, a instituição prevê liberar R$ 70 bilhões para financiar operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização.
Os números reforçam a posição da cooperativa como principal financiadora do agronegócio capixaba. Na safra 2025/2026, o Sicoob liberou R$ 4,49 bilhões em operações de crédito rural, volume equivalente a 34% de todos os recursos destinados ao setor no Espírito Santo. Nos últimos três ciclos do Plano Safra, o crescimento dos financiamentos chegou a 55%.
A cafeicultura continua sendo uma das principais atividades atendidas pela cooperativa. Somente na última safra, foram destinados R$ 485,9 milhões em recursos do Funcafé, mantendo o Sicoob na liderança nacional dessa modalidade pelo 14º ano consecutivo. A instituição também permaneceu como a maior operadora de recursos do BNDES Rural no país pelo quinto ano seguido.

Na agência de Brejetuba, a expectativa é de intensa procura pelos novos recursos. “Estamos aguardando a liberação do Plano Safra para iniciar as contratações. Algumas linhas chegam com redução nas taxas de juros, principalmente para investimentos. A expectativa é de uma demanda bastante expressiva por parte dos produtores”, afirma o gerente Cristiano.
Planejamento para continuar crescendo
Mesmo com os resultados alcançados até aqui, o cafeicultor Henrique afirma que considera a propriedade em constante evolução. O planejamento já contempla novos investimentos para os próximos anos, sempre buscando aumentar a eficiência, melhorar a qualidade da produção e fortalecer a sustentabilidade do negócio.
“A gente sempre trabalha pensando no curto, médio e longo prazo. Quem quer crescer precisa olhar lá na frente”, sugere. Ao fazer esse planejamento, ele acredita que a continuidade da parceria com o Sicoob será tão importante quanto foi nos primeiros passos da propriedade.
“Eu não teria chegado até aqui sem esse parceiro acreditando no projeto. E também não vou chegar onde pretendo sozinho. À medida que a propriedade cresce, surgem novos desafios e novas oportunidades. Quero continuar caminhando junto com o Sicoob, porque sei que essa parceria ainda tem muito a contribuir para o nosso desenvolvimento”, completa.