Governo brasileiro reage a declarações de Milei e convoca embaixador da Argentina
Publicado em 28/07/2026 às 11:32
Foto: Ricardo Stuckert / PR
O governo brasileiro reagiu oficialmente às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, durante visita ao Brasil, e convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para manifestar descontentamento com as falas direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às instituições brasileiras.
Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty classificou como inédita a postura de um chefe de Estado estrangeiro em território nacional. Segundo o texto, “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”.
Na diplomacia, a convocação de um embaixador é uma medida formal utilizada para demonstrar insatisfação do país anfitrião em relação às ações ou declarações do governo representado pelo diplomata.
Javier Milei esteve em São Paulo para participar do lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Durante o evento, o presidente argentino dirigiu ofensas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “presidiário”, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”.
Além da convocação do embaixador argentino, o Itamaraty também determinou o retorno ao Brasil do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. O chanceler Mauro Vieira deverá se reunir com o diplomata nos próximos dias para avaliar os desdobramentos da crise diplomática entre os dois países.
Também neste fim de semana, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, divulgou nota oficial em que classificou como “referência desrespeitosa” a manifestação de Javier Milei contra Alexandre de Moraes.
No comunicado, Fachin reafirmou a independência do Judiciário brasileiro e ressaltou que as relações entre Estados devem ser pautadas pelo respeito institucional. “Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, afirmou o presidente da Corte.
As manifestações do governo federal e do Supremo Tribunal Federal evidenciam o agravamento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina após as declarações do presidente argentino em território brasileiro.
Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil
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