DNA na água revela peixe ameaçado e amplia mapa da biodiversidade em riachos do Espírito Santo

Publicado em 19/06/2026 às 13:32

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Espécie Trichogenes claviger recém coletada_Foto Juliana Paulo da Silva

Fotos: Juliana Paulo da Silva

A presença de um peixe ameaçado de extinção, Trichogenes claviger, o bagrinho-de-kaetés, na bacia do rio Itapemirim, no sul do Espírito Santo, foi revelada por meio de DNA ambiental (eDNA), sem a necessidade de capturar indivíduos. A detecção foi feita a partir de vestígios genéticos encontrados em amostras de água coletadas em riachos da região. A pesquisa com este importante achado foi conduzida por cientistas do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e do Instituto Nossos Riachos, e publicada nesta sexta-feira (19) na revista científica Neotropical Ichthyology

O estudo confirmou a ocorrência da espécieTrichogenes claviger em três dos dez pontos analisados, ampliando seu registro conhecido. Além disso, revelou um panorama mais amplo da biodiversidade da região. Ao todo, a análise revelou 25 espécies de vertebrados, incluindo 15 peixes, além de aves e mamíferos.

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“O eDNA amplia nossa capacidade de enxergar a biodiversidade invisível. A técnica de DNA ambiental demonstrou desempenho superior aos métodos tradicionais de coleta, identificando mais que o dobro de espécies por ponto amostrado. Além disso, essa técnica reduz muito o impacto sobre os animais, fator importante para estudos com espécies ameaçadas”, explica Juliana Paulo da Silva, pesquisadora do INMA e primeira autora do artigo.

Entre os registros, também foram identificadas espécies exóticas, como tilápias, que podem ameaçar a fauna nativa ao competir por espaço e alimento. Outro destaque foi a detecção de uma ave ameaçada de extinção no estado, reforçando a importância ecológica desses ambientes.

“O avanço permite monitorar com maior precisão a presença do bagrinho-de-kaetés, que é criticamente ameaçado e endêmico da bacia do rio Itapemirim, e também orientar estratégias de conservação mais eficazes para os riachos de cabeceira da Mata Atlântica capixaba, ambientes fundamentais e altamente vulneráveis”, destaca o pesquisador Heron Oliveira Hilário, da PUC-MG.

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Para os pesquisadores, os achados têm implicações diretas para a conservação. Ao ampliar o conhecimento sobre onde a espécie ainda ocorre, o estudo contribui para orientar ações mais estratégicas de proteção dos riachos da Mata Atlântica.

O estudo evidencia o papel da ciência no enfrentamento da perda de biodiversidade e mostra que, mesmo em pequenas amostras de água, podem estar escondidas informações decisivas para proteger espécies ameaçadas e os ecossistemas onde elas vivem.

Fonte: INMA

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