Dia de Campo reúne citricultores e especialistas para fortalecer produção de laranja no Caparaó
Publicado em 19/06/2026 às 10:33
Foto: Divulgação/ Incaper
Cerca de 120 participantes, entre produtores rurais, técnicos, estudantes, pesquisadores e representantes de instituições do setor, participaram nesta quarta-feira (17) do Dia de Campo “Laranja de Mesa do Caparaó: Qualidade, Origem e Mercado”, realizado em Jerônimo Monteiro, no sul do Espírito Santo.
Promovido pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES), o encontro teve como objetivo fortalecer a citricultura de mesa na região por meio da disseminação de conhecimentos técnicos, da troca de experiências e da discussão de estratégias para agregar valor à produção.
Reconhecido como a “Terra da Laranja”, o município de Jerônimo Monteiro está entre os principais produtores da fruta no Estado. A tradição na atividade e as condições favoráveis ao cultivo fazem da região uma referência na citricultura capixaba. Durante o evento, especialistas abordaram temas considerados estratégicos para o desenvolvimento da cadeia produtiva, com foco na qualidade dos frutos, valorização da origem, ampliação de mercados e sustentabilidade da atividade.
No painel dedicado à origem e ao mercado, Marco Aurélio e Carla, da Fazenda Recreio do Panamá, compartilharam experiências relacionadas à organização da produção e às oportunidades de expansão da citricultura. Já o pesquisador José Ronaldo de Macedo, da Embrapa Solos, apresentou a experiência desenvolvida em Tanguá, no Rio de Janeiro, destacando a importância da identidade territorial e da valorização da origem para agregar valor aos produtos.
As atividades também incluíram discussões sobre os principais desafios fitossanitários enfrentados pelos citricultores. O pesquisador Vitor Zuim, do Instituto Federal do Espírito Santo, apresentou informações sobre o greening (HLB), considerada a doença mais severa da citricultura mundial. Embora ainda não tenha sido registrada no Espírito Santo, a doença já foi identificada em sete estados brasileiros e no Distrito Federal, o que reforça a necessidade de ações preventivas.
Entre as medidas recomendadas estão a aquisição de mudas certificadas produzidas em viveiros regularizados, o monitoramento constante dos pomares e o controle do psilídeo Diaphorina citri, inseto responsável pela transmissão da doença. O pesquisador também apresentou um projeto desenvolvido em parceria com o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo para detectar precocemente a presença da bactéria no inseto vetor, permitindo respostas mais rápidas na proteção dos pomares.
A programação contou ainda com a participação da engenheira agrônoma Gilciana Lima, da Vitagrícola, que apresentou orientações sobre a nutrição dos citros de mesa, e do pesquisador do Incaper Marlon Dutra, que abordou estratégias de manejo integrado do ácaro da leprose, uma das principais pragas da cultura.
Segundo a extensionista do Incaper e organizadora do evento, Marianna Abdalla, a iniciativa buscou aproximar o conhecimento técnico da realidade dos produtores e contribuir para o fortalecimento da citricultura regional.
“O evento permitiu levar informações técnicas aos produtores, promover a troca de experiências e discutir soluções práticas para fortalecer a produção e a sustentabilidade da atividade na região. Um dos destaques foi o debate sobre o greening, uma das principais ameaças à citricultura atualmente e tema de grande relevância para a produção capixaba”, ressaltou.
A realização contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo, do Instituto Federal do Espírito Santo – Campus de Alegre, da Prefeitura Municipal de Jerônimo Monteiro, do Banestes e de empresas parceiras.
Produção de laranja cresce no Espírito Santo
A laranja segue como uma das principais culturas da fruticultura capixaba. Em 2025, a atividade ocupou 1.559 hectares de área colhida no Espírito Santo, com produção de 20.452 toneladas. A produtividade média alcançou 13.119 quilos por hectare, representando crescimento de 11,66% em comparação com 2024.
Mesmo com redução de 7,75% na área colhida, a produção estadual registrou aumento de 3%, resultado que demonstra ganhos de eficiência e produtividade nos pomares. Entre as principais culturas cítricas cultivadas no Estado — laranja, limão e tangerina — a laranja respondeu por aproximadamente 29,4% da produção total.
Além da importância produtiva, a cultura possui forte impacto econômico. Em 2024, o Valor Bruto da Produção (VBP) da laranja atingiu R$ 45,3 milhões, contribuindo para a geração de renda, empregos e desenvolvimento da fruticultura capixaba.
Fonte: Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper
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