Artesanato ancestral fortalece identidades e amplia renda entre povos originários

Publicado em 21/04/2026 às 10:20

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artesanato ancestral

Foto: Sebrae

Muito mais do que peças decorativas, o artesanato produzido por povos originários e comunidades tradicionais brasileiras é um elo vivo entre passado, presente e futuro. Cada objeto carrega histórias, técnicas e conhecimentos transmitidos ao longo de gerações, refletindo a relação profunda desses povos com o território. Além de expressão cultural, essas produções também se consolidam como alternativa sustentável de geração de renda.

De acordo com o Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), o país reúne mais de 15,2 mil artesãos de povos e comunidades tradicionais cadastrados, sendo 78,5% indígenas. O protagonismo feminino é marcante: mulheres representam 70,8% desse universo, assumindo papel central na preservação e difusão dos saberes ancestrais.

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Nesse contexto, o Sebrae tem intensificado iniciativas voltadas ao fortalecimento dessas atividades, priorizando a escuta das realidades locais e o reconhecimento dos artesãos como guardiões de tradições. Para além do valor simbólico, o artesanato desempenha um papel estratégico na resistência cultural e no desenvolvimento econômico, ao integrar identidade territorial, sustentabilidade e geração de renda — especialmente em regiões com acesso limitado a mercados formais.

Cultura, tradição e mercado

Entre as principais expressões do artesanato indígena estão a cestaria, a cerâmica, a arte plumária, além de máscaras e pinturas corporais, elementos que também têm função simbólica em rituais e festividades. Segundo Durceline Mascêne, gestora de Artesanato do Sebrae Nacional, a atuação da instituição vai além da qualificação técnica.

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“O nosso trabalho envolve orientação para formalização, capacitação em gestão, acesso a mercado e, principalmente, o reconhecimento desses artesãos e mestres como guardiões de saberes ancestrais”, destaca.

A estratégia inclui ainda o incentivo à presença digital, sempre respeitando o tempo e as especificidades culturais de cada comunidade. “A inserção no mercado, inclusive no ambiente digital, precisa acontecer de forma gradual. A formalização não pode ser uma imposição, mas um caminho para ampliar oportunidades de renda e acesso a crédito”, explica. Iniciativas como o programa Bem Digital começam com o uso do WhatsApp e evoluem para redes sociais e plataformas de venda, muitas vezes com o apoio de jovens e familiares.

Tradição que gera oportunidades

Exemplo de como tradição e empreendedorismo podem caminhar juntos é o do mestre Espedito Seleiro, referência no trabalho em couro no Cariri cearense. Aos 83 anos, ele mantém viva a técnica herdada da família, produzindo selas, gibões, sandálias, bolsas e peças de mobiliário com identidade própria. Com o apoio do Sebrae, ampliou mercados e ganhou visibilidade nacional e internacional — inclusive ao assinar peças usadas pela cantora Anitta em apresentações de São João.

Na Amazônia, em Rio Preto da Eva, Patrícia de Souza lidera grupos do povo Baniwa formados majoritariamente por mulheres artesãs. Utilizando a fibra do arumã, elas produzem cestarias, luminárias e utensílios com grafismos inspirados em pinturas corporais tradicionais. A produção é apoiada pelo Sebrae e comercializada por meio da marca Arte Baniwa, desenvolvida em parceria com organizações indígenas e socioambientais.

Patrícia carrega esse legado familiar. Neta de Lucinda Emilio dos Santos, indígena Baniwa que completará 103 anos em 2026, ela destaca a importância da continuidade dessa tradição. “Minha avó aprendeu a fazer artesanato ainda jovem e nunca deixou esse conhecimento se perder, mesmo quando não era valorizado. Hoje, ver a nossa cestaria reconhecida fora da comunidade mostra a força da nossa cultura e da história do nosso povo”, afirma.

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