Espírito Santo celebra Dia Mundial do Café como referência global
Publicado em 14/04/2026 às 09:07
Foto: Arquivo/Incaper
O Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), reforça a relevância econômica, social e cultural de uma das commodities mais importantes do planeta. Em um cenário global dominado por grandes produtores como Brasil e Vietnã, o Espírito Santo se consolida como uma origem estratégica, destacando-se tanto em volume quanto em diversidade produtiva.
De acordo com levantamento da Gerência de Dados e Análises da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2025/26, o Brasil lidera a produção mundial de café, com 36,4% do total. Em seguida aparecem Vietnã (17,3%) e Colômbia (7%), evidenciando a ampla vantagem brasileira no mercado global.
No segmento do café arábica, a concentração é ainda maior: o Brasil responde por 42,2% da produção mundial, enquanto Colômbia (12,9%) e Etiópia (11,9%) ocupam posições bem abaixo. Já no café robusta/conilon, a disputa é mais equilibrada. O Vietnã lidera com 36,7%, seguido de perto pelo Brasil (29,5%) e pela Indonésia (12%).
No cenário nacional, o Espírito Santo se destaca como protagonista. O Estado é o maior produtor e exportador de café conilon do país, responsável por 68,9% da produção nacional e cerca de 75% das exportações dessa variedade. Considerando a produção total (arábica e conilon), ocupa a segunda posição no Brasil, com 30,9%, além de ser o terceiro maior produtor de arábica.
Esse desempenho reflete uma trajetória consistente de crescimento. Em pouco mais de uma década, a produção estadual passou de cerca de 12,8 milhões de sacas, em 2014, para mais de 17,4 milhões em 2025 — um avanço superior a 33%.
No comércio exterior, o café lidera com folga a pauta agropecuária capixaba. Em 2025, as exportações do produto e seus derivados somaram US$ 1,788 bilhão, contribuindo significativamente para o total de US$ 3,2 bilhões exportados pelo agronegócio estadual. Em volume, foram cerca de 4,3 milhões de sacas embarcadas, com predominância do conilon.
A presença internacional do café capixaba também chama atenção. O produto chega a 92 países, tanto na forma de grão quanto solúvel. Entre os principais destinos estão Turquia, México e Bélgica, no café cru, e Estados Unidos e Indonésia, no café solúvel.
Além da importância econômica, a cafeicultura tem forte impacto social no Espírito Santo. São mais de 75 mil propriedades cultivando café, o que representa cerca de 70% das propriedades rurais do Estado. A atividade é amplamente difundida, com forte presença da agricultura familiar, gerando emprego, renda e dinamizando as economias locais.
Regionalmente, o Estado apresenta uma produção complementar. O conilon predomina em áreas mais quentes e de menor altitude, como Rio Bananal, Linhares e Vila Valério. Já o arábica se concentra nas regiões montanhosas, com destaque para municípios como Brejetuba, Iúna e Irupi. Essa diversidade fortalece a identidade do café capixaba e aumenta a resiliência do setor.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Carlos Tesch, a data simboliza o reconhecimento de um setor estratégico. “O Espírito Santo combina escala global, diversidade produtiva, sustentabilidade e inovação, sendo uma origem cada vez mais relevante no mercado internacional”, afirmou.
O subsecretário de Desenvolvimento Rural, Michel Tesch, destacou o papel das políticas públicas no avanço da atividade. “Os resultados são fruto de investimentos contínuos em assistência técnica, pesquisa, inovação e sustentabilidade, garantindo mais competitividade ao setor”, disse.
Já a gerente de Projetos de Cafeicultura da Seag, Aline Santos Silva, ressaltou a evolução da qualidade. “O Espírito Santo tem avançado não apenas em volume, mas também em qualidade e sustentabilidade, graças ao empenho dos produtores e ao apoio técnico”, completou.
Fonte: Incaper