Governo amplia subsídios e crédito para conter efeito da crise do petróleo sobre a economia brasileira
Publicado em 07/04/2026 às 08:24
Foto: Ricardo Botelho/MME
Diante da escalada do petróleo provocada pela guerra no Irã, o Governo Federal anunciou nesta segunda-feira (6) uma nova Medida Provisória (MP) para ampliar o pacote de contenção dos impactos sobre a economia brasileira. As medidas combinam subsídios ao diesel e ao gás de cozinha, mecanismos de estabilização de preços e linhas de crédito para o setor aéreo, em uma tentativa de evitar que a crise internacional pressione ainda mais a inflação e comprometa a atividade econômica no país.
O pacote foi detalhado no Palácio do Planalto pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan, do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira. A estratégia, segundo o governo, busca proteger consumidores e setores estratégicos sem romper os limites fiscais estabelecidos para 2026.
De acordo com Durigan, a resposta foi construída a partir do monitoramento diário da cadeia de abastecimento e da evolução dos preços internacionais, em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. O objetivo é impedir que a volatilidade externa se traduza em choque imediato sobre combustíveis, transporte e custo de vida no mercado interno.
“Tudo com muito rigor, acompanhamento e neutralizando os aspectos fiscais — para proteger e manter a nossa economia firme”, afirmou o ministro da Fazenda.
Diesel concentra maior esforço fiscal
O principal eixo da nova MP está no óleo diesel, combustível com forte peso sobre o frete, o transporte público, a logística nacional e, consequentemente, sobre os preços de alimentos e mercadorias.
A medida cria duas novas subvenções, que se somam ao benefício de R$ 0,32 por litro já estabelecido anteriormente pela MP nº 1.340.
A primeira prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com vigência nos meses de abril e maio. O custo total da medida está limitado a R$ 4 bilhões, divididos igualmente entre União e estados. Na prática, o governo federal assume o desembolso inicial, enquanto os estados que aderirem ao programa compensarão metade do valor — R$ 0,60 por litro — por meio de ajustes nos repasses federais.
A segunda frente beneficia o diesel produzido no Brasil, com subvenção de R$ 0,80 por litro, totalmente custeada pela União. O pagamento será feito com recursos já reservados na MP anterior, que destinou R$ 10 bilhões para esse tipo de política compensatória.
Com isso, o governo tenta atuar tanto sobre a dependência de importações quanto sobre a formação de preços no mercado doméstico, em um momento em que o custo internacional da energia ameaça contaminar toda a cadeia produtiva.
Governo tenta frear repasses e conter pressão inflacionária
Além do reforço financeiro, a nova MP cria um mecanismo de amortecimento de preços, com o objetivo de diluir ao longo do tempo os efeitos de oscilações bruscas no mercado internacional. A medida busca reduzir o risco de aumentos imediatos nas bombas e oferecer maior previsibilidade para distribuidores, transportadores e consumidores.
Outro ponto relevante é o endurecimento da regulação. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderá aplicar sanções mais severas em casos de aumento abusivo de preços ou recusa de fornecimento durante situações excepcionais, como conflitos geopolíticos ou calamidades.
A MP também altera o imposto de exportação do diesel, ao excluir da alíquota anteriormente prevista o produto destinado ao uso marítimo, e amplia as exigências para que empresas tenham acesso às subvenções. Entre as condições, estão a comprovação de oferta ao mercado interno e o repasse efetivo dos descontos ao longo da cadeia de comercialização.
Gás de cozinha entra no pacote
O pacote também alcança o gás liquefeito de petróleo (GLP), item sensível no orçamento das famílias de baixa renda. Para o produto importado, a MP estabelece subsídio de R$ 850 por tonelada, válido até 31 de maio e limitado a R$ 330 milhões.
Segundo o governo, o valor corresponde a aproximadamente R$ 11 por botijão de 13 quilos, o que representa uma tentativa de conter o avanço do custo doméstico em um cenário de alta internacional dos derivados de petróleo.
Setor aéreo terá crédito e alívio temporário de tarifas
Outro segmento incluído no pacote é o setor aéreo, diretamente afetado pela alta do querosene de aviação e pelo encarecimento operacional decorrente da crise energética.
A MP cria duas linhas de financiamento para companhias que operam voos regulares no país. A primeira será viabilizada com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), com limite de até R$ 2,5 bilhões por empresa. A segunda será uma linha de curto prazo, no valor de R$ 1 bilhão, com condições ainda a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e garantia da União.
Também foi autorizada a postergação do pagamento das tarifas de navegação aérea referentes aos meses de abril, maio e junho, que poderão ser quitadas somente em dezembro.
Resposta econômica à crise internacional
Com a nova MP, o governo tenta construir uma resposta de emergência à pressão causada pela guerra no Irã sem repetir modelos de desoneração ampla que comprometam a arrecadação pública de forma estrutural. Ao optar por subsídios temporários, focalizados e combinados com compensações tributárias, a equipe econômica busca conter os efeitos imediatos da crise sobre inflação, transporte e abastecimento, preservando ao mesmo tempo o discurso de responsabilidade fiscal.
A efetividade do pacote, no entanto, dependerá da adesão dos estados, da capacidade de fiscalização sobre a cadeia de distribuição e, sobretudo, da evolução do conflito no mercado internacional de petróleo.
Fonte: Agência Gov | via MFaz