Projeto de Enfrentamento ao Oropouche atua na eficácia do tratamento, prevenção de novos surtos e produção de vacina
Publicado em 31/03/2026 às 11:07
Fotos: Nábila Corrêa
Traçar o perfil inflamatório das pessoas infectadas para possibilitar um tratamento mais eficaz; detectar novas variantes do vírus para prevenir novos surtos; controlar a ocorrência do mosquito; desenvolver uma vacina. É nesse sentido que as pesquisas realizadas como parte do Projeto de Enfrentamento ao Oropouche e outras Arboviroses no Espírito Santo estão caminhando.
Os avanços e resultados foram apresentados em um seminário realizado nesta segunda-feira, 30, no Complexo Ambulatorial Multirreferenciado do Centro de Ciências da Saúde (CCS), no campus de Maruípe. Entre as autoridades presentes, estavam o reitor da Ufes, Eustáquio de Castro; o diretor do CCS, Helder Mauad; o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli; a representante da Secretaria de Estado da Saúde Suelen Azevedo; o gerente de Pesquisa do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), José Salazar Junior; a representante da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Patrícia Severo; e a representante da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação no Espírito Santo (Fapes) Lúcia de Araújo.
O reitor Eustáquio de Castro parabenizou o coordenador-geral do projeto e professor do Departamento de Patologia da Ufes, Daniel Gomes, e todos os pesquisadores envolvidos pelos resultados obtidos. “O trabalho desenvolvido pela Ufes e pelo Incaper, com o apoio de várias instituições, tem o grande desafio de equilibrar ações que previnam e combatam o oropouche, que é uma ameaça à saúde da população, com o desenvolvimento econômico sustentável, já que o mosquito transmissor se desenvolve principalmente nos cultivos de banana, com a possibilidade de ser um dos polinizadores dessa cultura, da qual o Espírito Santo é um grande produtor”, pontuou.

Castro agradeceu ainda a presença de Lúcia de Araújo, representante da Fapes, afirmando que “a Fundação tem sido nossa grande financiadora em pesquisa no Espírito Santo, responsável por torná-lo o estado com o maior investimento per capta em pesquisa no país”.
O secretário da Agricultura, Enio Bergoli, enfatizou a importância nos avanços do projeto de combate à febre do oropouche, que envolve muitas instituições. “Em maio do ano passado, tivemos uma reunião e, menos de um ano depois, estamos já com resultados parciais em relação a esse problema, que afeta tanto a saúde pública quanto a agricultura e atividades como lazer e entretenimento. Nós confiamos muito na articulação entre as instituições, particularmente entre a Ufes e o Incaper”, ressaltou.
Agricultura e saúde
Segundo o professor Daniel Gomes, o projeto foi idealizado englobando dois grandes braços: um com foco na agricultura e outro dedicado à saúde. O braço agrícola, liderado pelo Incaper, envolve o controle do mosquito maruim, transmissor do oropuche, cuja presença em massa vem afetando as colheitas das cidades produtoras de banana e de café.

Já no braço da saúde, coordenado pela Ufes, foram criados grupos de pesquisa que atuam em diferentes frentes. “O projeto teve alguns desdobramentos que impactam diretamente na prática clínica, ligada ao atendimento do paciente. Temos como exemplo os trabalhos de caracterização da resposta imunológica, por meio dos quais pudemos traçar o perfil inflamatório das pessoas infectadas pelo oroupoche, tornando possível uma melhor conduta clínica para ser adotada com os pacientes. Destacamos também os trabalhos de vigilância epidemiológica que vêm monitorando permanentemente a detecção de novas variantes e a previsão de potenciais novos surtos da doença, dados ligados diretamente à Secretaria de Saúde”, elencou.
Gomes destacou ainda os trabalhos de vigilância genômica, que vêm monitorando a descoberta de genes e de marcadores de virulência do vírus do oropouche. “Esses trabalhos têm sido diretamente associados à identificação de mil marcadores para um melhor diagnóstico clínico e, mais recentemente, para o desenvolvimento de uma vacina específica contra o oroupoche, produzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, que está em uma fase embrionária”, explicou o coordenador.
O Projeto de Enfrentamento ao Oropouche e outras Arboviroses no Espírito Santo é fomentado pelo Governo do Estado em parceria com a Ufes, e tem colaboração da professora do Departamento de Ciências Farmacêuticas Mariana Pinheiro, que desenvolve novas estratégias de repelência; da Fiocruz, que por meio de sua plataforma de vacinas contribui para iniciativas voltadas à prevenção da doença; e do Incaper, que atua nos estudos entomológicos e na análise da distribuição espacial da doença em áreas agrícolas.
Fonte: Ufes