Estado já aplicou mais de 500 doses de Nirsevimabe em um mês em bebês prematuros e com comorbidades
Publicado em 06/03/2026 às 08:04
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Em quase um mês de estratégia especial para oferta do anticorpo monoclonal contra o vírus sincicial respiratório (VSR) no Sistema Único de Saúde (SUS) capixaba, o Espírito Santo já contabiliza 555 aplicações do imunizante em bebês prematuros e crianças de até 24 meses com comorbidades. Os dados são do sistema Vacina e Confia e foram atualizados na última quarta-feira (04).
O anticorpo Nirsevimabe protege contra o VSR, considerado a principal causa de bronquiolite e uma das maiores responsáveis por internações hospitalares em bebês.
O medicamento é indicado para bebês prematuros nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e seis dias, independentemente do peso ao nascer. Também podem receber a dose crianças de até 24 meses que apresentem pelo menos uma das seguintes condições: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares ou anomalias congênitas das vias aéreas.
Diferentemente do anticorpo Palivizumab, já disponibilizado anteriormente para prevenção do VSR e aplicado em cinco doses mensais, o Nirsevimabe é administrado em dose única, o que representa um avanço tecnológico incorporado ao SUS para ampliar a proteção dos bebês. Além disso, o público atendido pela nova estratégia também foi ampliado.
De acordo com a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI) da Secretaria da Saúde (Sesa), o Estado vem atuando em conjunto com os municípios na busca ativa por bebês prematuros nascidos a partir de agosto de 2025, com menos de seis meses de vida, além de crianças com as comorbidades indicadas para receber o anticorpo.
“É um trabalho conjunto entre a Sesa, por meio do PEI e do Núcleo Especial de Atenção Primária, e os municípios, para alcançarmos o maior número possível de crianças e avançarmos com trabalho técnico e compromisso na proteção dos nossos bebês”, destacou Danielle Grillo.
Por meio do Núcleo Especial de Atenção Primária (Neapri), a Sesa mantém articulação direta e contínua com as referências técnicas municipais da Atenção Primária à Saúde (APS) e com maternidades, com o objetivo de identificar crianças que ainda não receberam a imunização e garantir a aplicação no momento oportuno. A iniciativa também conta com pontos focais para esclarecimento de dúvidas, já que se trata de uma tecnologia recentemente incorporada ao SUS.
Período de aplicação
Por se tratar de uma estratégia especial, a administração do anticorpo segue períodos específicos.
Para bebês prematuros, a aplicação ocorre de forma contínua ao longo do ano, preferencialmente ainda na maternidade. Já para crianças com comorbidades, a oferta é concentrada no período de maior circulação do vírus, entre fevereiro e agosto.
O imunobiológico é aplicado por via intramuscular, preferencialmente no músculo vasto lateral da coxa, seguindo protocolos rigorosos de segurança, armazenamento e registro das doses.
Cenário epidemiológico no Espírito Santo
No Espírito Santo, até a semana epidemiológica 05 (até 6 de fevereiro), foram registrados cinco casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) associados ao vírus sincicial respiratório, todos em crianças menores de quatro anos. Não houve registro de óbitos no período analisado.
Em 2025, o VSR foi o principal vírus identificado entre os casos de SRAG no Estado, com 718 registros, o que corresponde a 18,9% do total. Segundo dados do Informe Epidemiológico das Vigilâncias das Síndromes Gripais, 91,7% dos casos (659) ocorreram em crianças de 0 a 4 anos.
No mesmo período, foram confirmados 20 óbitos associados ao VSR, sendo oito deles em crianças de até quatro anos.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Sesa