Lula defende que IA fique a cargo de instituição multilateral

Publicado em 20/02/2026 às 16:28

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Foto: Ricardo Stuckert/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a regulação do uso da inteligência artificial (IA) seja conduzida por uma instituição multilateral com o peso da Organização das Nações Unidas, para garantir que a tecnologia beneficie toda a sociedade — e não apenas grandes empresas.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), durante entrevista ao programa India Today, enquanto o presidente cumpre agenda oficial na Índia.

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Regulação da inteligência artificial

Lula voltou a defender uma regulação rígida para assegurar o uso responsável da IA, com proteção especial a crianças, adolescentes e mulheres.

Segundo ele, a tecnologia pode ser usada de forma negativa, provocando danos à privacidade e incentivando violência, caso não haja controle global.

O presidente também alertou para a concentração de poder nas mãos de poucas empresas de tecnologia e afirmou que os governos precisam agir para proteger a sociedade diante do avanço dessa ferramenta.

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Apesar dos riscos, Lula destacou que a IA pode elevar a qualidade de vida, melhorar serviços de saúde e educação e aprimorar condições de trabalho — desde que esteja a serviço da sociedade.

Fortalecimento do BRICS e o papel do Sul Global

Ao comentar o futuro do BRICS, Lula classificou o bloco como uma das iniciativas mais importantes das últimas décadas por representar os interesses do Sul Global.

Ele comparou o grupo a outras articulações internacionais, como o G7 e o G20, ressaltando que o BRICS reúne países emergentes que somam grande parcela da população mundial.

Criado em 2009, o bloco reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de novos integrantes admitidos em 2024, como Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

Comércio em moedas locais e redução da dependência do dólar

Lula voltou a defender que transações comerciais entre países do BRICS sejam feitas em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar.

Segundo ele, acordos bilaterais — como entre Brasil e Índia — poderiam adotar moedas nacionais, embora reconheça que a transição para novos mecanismos financeiros é gradual e depende das condições de cada país.

Relação com os Estados Unidos

O presidente afirmou manter boa relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e disse estar disposto a negociar temas estratégicos, como minerais críticos, combate ao crime organizado e tráfico de drogas.

Ele ressaltou que o Brasil possui grandes reservas de minerais críticos e terras raras, mas defendeu que a exploração ocorra com respeito à soberania nacional e sem imposições externas.

Parceria Brasil–Índia

Lula destacou o interesse em fortalecer as relações com a Índia nas áreas cultural, política e econômica. A viagem inclui uma delegação de cerca de 300 empresários brasileiros e participação em um fórum empresarial com representantes indianos.

Segundo o presidente, a cooperação entre os países deve promover benefícios mútuos e reforçar o multilateralismo nas relações internacionais.

Fonte: Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

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