Dia da Penitência relembra tragédia histórica em Domingos Martins

Publicado em 20/01/2026 às 14:26

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dia da penitencia

Texto: Bruno Caetano / Foto: Julio Huber

Neste dia 20 de janeiro é feriado em Domingos Martins. A data, conhecida como Dia da Penitência, carrega um dos capítulos mais marcantes da história martinense e da região. A data foi oficialmente instituída por meio da Lei Municipal nº 531/1972, mas sua origem remonta ao ano de 1895, quando um violento surto de febre amarela dizimou centenas de imigrantes e seus descendentes, provocando uma das maiores crises sanitárias já vividas pela comunidade.

Naquele período, a doença avançou de forma rápida e letal. Sem vacinas, antibióticos ou estrutura de saúde adequada, a população enfrentou dias de verdadeiro colapso. Há registros de jornadas com até cinco sepultamentos, cenário que deixou famílias inteiras enlutadas e a cidade mergulhada no medo. O surto afetou diretamente a economia local, interrompeu atividades agrícolas e levou muitos moradores a abandonarem suas casas na tentativa de escapar da doença.

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Diante da gravidade da situação, um fato histórico marcou a trajetória do município: católicos e luteranos, superando diferenças religiosas, decidiram se unir em um grande gesto de fé coletiva. Foi um dia inteiro de penitência, jejum e oração, com os luteranos reunidos na igreja de Campinho e os católicos na igreja de Santa Isabel.

Segundo registros históricos, a mobilização foi tão intensa que os últimos sepultamentos causados pela febre amarela ocorreram exatamente em 20 de janeiro de 1895. A partir desse acontecimento, a data passou a ser consagrada anualmente como um dia de penitência e reflexão, sendo posteriormente transformada em feriado municipal, preservando a memória das vítimas e simbolizando a fé como elemento de resistência diante da tragédia.

O PROTETOR DAS EPIDEMIAS — Coincidentemente (ou não, para os fiéis), o dia 20 de janeiro também marca a celebração de São Sebastião, santo da Igreja Católica cuja devoção está historicamente ligada à proteção contra epidemias, doenças e calamidades. O santo é tradicionalmente invocado como intercessor em períodos de crise sanitária, sendo associado, ao longo dos séculos, à superação de surtos que atingiram diferentes populações.

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Alerta diante do avanço da febre amarela

No final do século XIX, a febre amarela era uma das doenças mais temidas do Brasil. O país ainda não conhecia a forma de transmissão do vírus, que só seria comprovada anos depois, com a identificação do mosquito Aedes aegypti como vetor, o que tornava o combate praticamente impossível. Grandes cidades como Rio de Janeiro, Santos e Salvador enfrentavam surtos frequentes, com milhares de mortes, especialmente entre imigrantes europeus, que não possuíam imunidade natural à doença.

Na época, medidas de prevenção eram limitadas e baseadas em crenças equivocadas, como a ideia de que a doença se espalhava pelo ar ou por “miasmas”. O isolamento social, o abandono de cidades e o fechamento de portos eram práticas comuns, causando impactos profundos na economia e na organização social do país. Em muitas localidades, o medo da febre amarela superava até mesmo o de outras epidemias, como a varíola.

Mais de um século depois, o Dia da Penitência ganha um novo significado diante do aumento dos casos de febre amarela no Brasil. Nos últimos anos, a doença voltou a preocupar autoridades de saúde, com registros em diferentes estados, especialmente em áreas de mata e zonas rurais.

O crescimento dos casos está associado a fatores como desmatamento, circulação do vírus em ambientes silvestres e baixa cobertura vacinal em determinadas regiões. Embora o país hoje conte com vacina eficaz e um sistema de vigilância epidemiológica, especialistas alertam que a febre amarela continua sendo uma doença grave, com alto índice de letalidade quando não tratada rapidamente.

Nos últimos anos, a febre amarela tem apresentado aumento nos registros no Brasil e nas Américas. Em 2024 foram confirmados 61 casos em toda a região, com 30 mortes e já no início de 2025 os casos mais que dobraram, com pelo menos 131 infecções humanas e 53 mortes nos primeiros meses do ano.

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