Governo do Estado cria o Parque Estadual Saíra-Apunhalada para proteger ave mais ameaçada do país

Publicado em 02/12/2025 às 08:04

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Foto: Divulgação/Seama

O Governo do Estado do Espírito Santo publicou, nesta segunda-feira (1º), o Decreto nº 6251-R, de 28 de novembro de 2025, que cria o Parque Estadual Saíra-Apunhalada (PESA). A nova Unidade de Conservação de Proteção Integral está localizada no município de Vargem Alta e abrange 234,667 hectares, representando um marco ambiental histórico: há 15 anos o Estado não instituía uma área de proteção integral em seu território.

A criação do parque responde a uma das demandas ambientais mais urgentes do Espírito Santo: a proteção da saíra-apunhalada (Nemosiarourei), espécie endêmica capixaba e considerada uma das aves mais ameaçadas do mundo. Com apenas 22 indivíduos conhecidos, cerca de 70% deles vivem em áreas privadas não protegidas e expostas a pressões antrópicas severas, como mineração, extração ilegal de madeira e exploração de palmeiras.

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A maior população remanescente da espécie encontra-se na Mata de Caetés, um importante contínuo florestal que abrange áreas dos municípios de Castelo, Domingos Martins e Vargem Alta. A região, apesar de sua relevância biológica, tem sofrido riscos crescentes. A criação do PESA se consolida, portanto, como uma medida decisiva para barrar o avanço das ameaças e garantir condições de recuperação populacional da saíra-apunhalada.

Além da ave que dá nome ao parque, a área abriga 14 espécies da fauna também ameaçadas de extinção, entre elas a abelha-uruçu-capixaba, o bagre-de-caetés, o sapinho-de-ouro, o cágado-da-serra e aves como o gavião-pombo-pequeno, o apuim-de-costas-pretas, a araponga e o papo-branco. Mamíferos raros, como o sagui-da-serra, o sauá, a preguiça-de-coleira e o ouriço-preto, também integram o rico mosaico de biodiversidade local.

No que diz respeito à flora, foram registradas 17 espécies ameaçadas, incluindo Philodendronvargealtense, classificada como Criticamente Ameaçada (CR), além de outras em categorias de ameaça Elevada (EN) e Vulnerável (VU). Ao todo, o conjunto de fauna e flora sob risco soma 31 espécies, reforçando a excepcional importância ecológica da região agora protegida.

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Entre os objetivos do novo parque estão:

  • Proteger uma amostra representativa da Mata Atlântica, especificamente a porção conhecida como Mata de Caetés;
  • Assegurar integridade dos habitats essenciais à saíra-apunhalada e às demais espécies ameaçadas;
  • Proteger recursos hídricos, nascentes e áreas de recarga da sub-bacia do Ribeirão Caetés, afluente do Rio Itapemirim;
  • Preservar processos ecológicos naturais e serviços ambientais associados;
  • Promover uso público sustentável, como ecoturismo, educação ambiental e atividades de observação da natureza, desde que compatíveis com a conservação.

Para viabilizar a proteção plena da área, imóveis rurais localizados dentro dos limites do parque serão objeto de desapropriação pelo Governo do Estado, sob responsabilidade do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). O instituto também será responsável pela gestão, proteção e implementação do PESA.

O decreto cria ainda o Conselho do Parque Estadual Saíra-Apunhalada, de caráter consultivo, cuja composição será definida pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama). O colegiado terá participação social e institucional, seguindo as normas aplicadas às Unidades de Conservação do Sistema Nacional.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Felipe Rigoni, destacou a urgência da medida como resposta a um dos casos mais dramáticos de perda de biodiversidade no país. “Diante da urgência envolvendo a proteção da mais representativa população da saíra-apunhalada, é de eminentíssimo interesse do Governo do Estado fornecer instrumentos legais capazes de salvaguardar essa espécie da extinção. A criação do parque garante não apenas proteção física, mas também caminhos de preservação a partir da educação ambiental e do engajamento social.”

O subsecretário de Estado de Bem-Estar Animal e Projetos Prioritários, Victor Ricciardi, reforçou os impactos positivos para a proteção integrada das espécies. “A criação de um parque permite uma abordagem equilibrada entre conservação, pesquisa, educação ambiental e ecoturismo controlado. Esse modelo fortalece a participação da comunidade e gera benefícios econômicos, ao mesmo tempo em que assegura a preservação de espécies altamente ameaçadas em uma região sujeita a pressões ambientais constantes.”

Com a criação do Parque Estadual Saíra-Apunhalada, o Espírito Santo reafirma seu compromisso com a conservação da Mata Atlântica e com a proteção de espécies únicas no planeta. O decreto marca não apenas a retomada de políticas robustas de criação de Unidades de Conservação, mas também um passo decisivo para evitar a extinção de uma das aves mais raras e emblemáticas do Brasil.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Seama

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