Brasil exporta 80% do mel aos Estados Unidos e tarifa de 50% preocupa o setor

Publicado em 21/07/2025 às 11:33

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Honey  with honeycomb in white ceramic bowl and wooden drizzler

Foto: Freepik

Atualmente, 80% das exportações de mel do Brasil são destinadas aos Estados Unidos. E preocupados com o impacto que a tarifa de 50% anunciada pelo presidente do Estados Unidos, Donald Trump, representantes do setor nacional se reuniram, na última quinta-feira (17), para discutir medidas.

Participaram do encontro o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo e o diretor executivo da Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), Wellington Dantas, para analisar os impactos para o setor de mel com o tarifaço.

“A produção brasileira de mel e própolis é estratégica. O momento pede união e cooperação e é isso que estamos promovendo. Sabemos que cada setor tem suas particularidades. Vamos construir juntos alternativas diante deste novo cenário global”, disse Jorge Viana que também esteve reunido com outros setores do agronegócio brasileiro na tarde de ontem.

“A gente depende totalmente desse mercado. Estamos aqui para discutir alternativas. No curto prazo, a gente precisa negociar e ter uma extensão de prazo. A médio e longo prazos é preciso diversificar mercados promovendo o mel brasileiro em outros países”, afirmou o presidente da Abemel, Renato Azevedo.

Ele reforçou a necessidade de elaborar um plano para reduzir a dependência dos Estados Unidos e buscar a inserção do produto na União Europeia, por exemplo, e em outros mercados. Azevedo destacou que, para isso, é preciso desenvolver um trabalho de valorização do mel brasileiro. “O mel brasileiro é um mel de qualidade excepcional”, afirmou.

Para o diretor executivo da Casa Apis, Wellington Dantas, a ApexBrasil é fundamental para ajudar o setor a encontrar alternativas. “Diante das circunstâncias, a Apex pode dialogar com outros setores, ver possíveis mercados e nos ajudar com outros órgãos, como Ministério da Agricultura e Pecuária e Companhia Nacional de Abastecimento, para ver a possibilidade de absorver alguma parte da produção aqui no Brasil”, apontou. Entre as possibilidades discutidas para o curto prazo está a ideia de negociar para retirar alimentos desta taxação por serem perecíveis e com maior dificuldade de redirecionamento para outros mercados no curto prazo.

IMPACTOS – De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu 64,2 mil toneladas de mel em 2023. Os pequenos produtores ocupam uma posição de destaque na cadeia de mel e própolis brasileira e a taxação pode afetar diretamente milhares de famílias. Durante a reunião também foram analisados alguns impactos de logística e regras regulatórias para o redirecionamento da produção.

O gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Müller, que também participou da reunião, reforçou que a Agência seguirá apoiando o setor. “Primeiramente, vamos levar para as discussões de governo o diferencial que este setor tem, a importância que têm o mercado dos Estados Unidos, e o impacto do produto na agricultura familiar, em especial na região Nordeste. Em segundo, vamos buscar maneiras de reduzir o impacto com medidas internas”, afirmou.

Com relação a atuação direta da ApexBrasil, Laudemir destacou o trabalho para a promoção do produto e a diversificação de mercados. “No que realmente nos compete mais diretamente, vamos buscar alternativas de mercado. O presidente Jorge Viana já determinou que seja feito imediatamente um projeto junto ao setor para trabalharmos a promoção do mel brasileiro, especialmente o mel orgânico, em outros mercados, inclusive com a flexibilização em relação aos nossos normativos, se for necessário, considerando a situação dramática do setor e a importância que tem para a agricultura familiar”, disse.

Ao final, o presidente da Abemel destacou a importância e o fortalecimento da parceria da entidade com a ApexBrasil diante do cenário de crise. “Crise é oportunidade. Vamos ver se a gente consegue estreitar este relacionamento e fazer desse limão uma limonada”, finalizou.

Fonte: InPacto

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