Desastres por chuvas intensas aumentam mais de 220% no Brasil em três décadas

Publicado em 01/07/2025 às 16:34

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 7.539 desastres climáticos causados por chuvas intensas, número 222,8% maior que o total da década de 1990 (2.335 ocorrências). O levantamento consta no relatório Temporadas das Águas: O Desafio Crescente das Chuvas Extremas, da série Brasil em Transformação, coordenado pelo Programa Maré de Ciência da Unifesp.

O estudo aponta um crescimento significativo de eventos como enxurradas, inundações, temporais e deslizamentos, especialmente nas regiões Sudeste e Sul, conforme já prevê a ciência. De acordo com o pesquisador Ronaldo Christofoletti, os dados históricos confirmam tendências projetadas pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC): aumento de até 30% nas chuvas no Sul e Sudeste e redução de até 40% no Norte e Nordeste até 2100.

De 1991 a 2023, o Brasil contabilizou 26.767 desastres climáticos associados a chuvas, sendo:

  • 64% de natureza hidrológica (55% enxurradas, 35% inundações);
  • 31% de natureza meteorológica (75% temporais);
  • 5% de natureza geológica, com 91% representando deslizamentos.

O impacto urbano também é significativo: 83% dos municípios brasileiros (4.645 cidades) já foram afetados. Nos anos 1990, esse índice era de apenas 27%.

Além dos prejuízos materiais e sociais, há efeitos indiretos, como impactos na saúde mental e no bem-estar das populações atingidas. A diminuição da disponibilidade hídrica nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e parte do Sudeste até 2040, conforme alerta a Agência Nacional de Águas (ANA), também deve intensificar esses desafios.

O avanço das mudanças climáticas tende a gerar deslocamentos populacionais. “Teremos aumento dos refugiados climáticos, pessoas obrigadas a deixar suas casas devido à insegurança ou inviabilidade da permanência no território”, afirma Christofoletti.

Soluções baseadas na natureza

Para mitigar os efeitos dos desastres, a pesquisadora Juliana Baladelli Ribeiro defende o uso de soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, parques urbanos e lagoas artificiais. Essas estratégias oferecem benefícios ambientais e sociais, além de fortalecer a resiliência urbana. Exemplo disso é o Parque Barigui, em Curitiba, que funciona como área de lazer e sistema de contenção de enchentes.

Dimensão global

O relatório também destaca a interconexão climática global e o papel das regiões polares, como a Antártica, nas alterações do regime de chuvas no Brasil. “O aquecimento global afeta a chegada das frentes frias, que regulam as chuvas no Sudeste, Sul e Centro-Oeste”, alerta Christofoletti.

Fonte: Fabíola Sinimbú – Repórter da Agência Brasil

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