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Arte, Crônicas e Poesia

O que escrevemos no caderno da vida?

Publicado em 25/01/2023 às 15:38

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Muitos acreditam piamente que em si carregam a verdade absoluta sobre tudo. Nos últimos tempos temos visto uma insanidade coletiva. Indubitavelmente um quebra-cabeça de muitas peças, um questionamento se destaca nisso tudo: por que vemos uma coletividade que alega querer o mudar o país, sendo que não mudam a própria vida?

Somos uma geração de lamentadores, o olhar está sempre direcionado para o que falta. O outro sempre parece ter tudo. Sentimento esse, maximizado pelas redes sociais, as pessoas ficam dias se autoflagelando vendo a casa que queria morar, a pessoa que deseja namorar, viagens que gostaria de fazer, em suma: a vida que queria ter.

O outro lado da moeda é que não percebe quem está do lado, não se relaciona com quem mora junto, não valoriza a casa, a família, em suma, a vida que tem. E num instante, quando o espectro desaparece, a verdade traz consigo uma dor gigante, aliado à culpa de não ter abraçado quem se foi, ter dito que amava. A consciência é um credor impiedoso, traz à claridade as horas dedicadas ao vazio, as palavras não ditas, a indiferença com o outro e com a própria vida.

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Diante da verdade muitos sucumbem a tristeza profunda, pois a vida passou e a pessoa ficou sentada vendo a vida alheia e não viveu a própria.

A vida é incerta, apesar de que não pensamos nisso diariamente, ficamos no automático e cremos que o planejado de alguma forma vai acontecer, iremos acordar cedo, ir para o trabalho, alimentar, voltar para casa, tomar banho e deitar. No dia seguinte repetir o mesmo ritual. E justamente pela repetição nos sentimos seguros.

O automatismo moderno traz consigo também o afã pelo entretenimento, a todo custo desejamos não pensar em nada, esquecer da própria existência, por causa disso que vemos a indústria farmacêutica investindo pesado cada vez mais em substâncias que ajude nesse intento. Seja pela farmacologia, bebidas, etc. O objetivo é esquecer do óbvio: da morte.

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Vivemos em um mundo de muitos medos. As pessoas trabalham e tiram daí a sua subsistência, lutam sempre para ter um conforto maior, uma alimentação mais diversificada, mais possibilidades de compras e viagens. Lutam até conseguir e depois de lograr êxito, o maior medo da vida é perder tudo que conquistaram. Não pensam que irão perder querendo ou não.

Quando criança ouvi uma história que demorei anos para entender, como tudo na vida, compreensão demanda muito tempo. Tinha um vizinho, já velhinho, que narrou o seguinte: Deus depois de criar a humanidade, entregou a cada um nós um caderninho e um lápis. O combinado é que no final da vida iremos sentar junto a Deus e ler o caderninho e diariamente escrevermos a nossa história nesse caderno. Os homens ao verem que a história escrita por eles era muito feia, pediram a Deus um segundo caderno ou alguma forma de recomeçar.

Nisso, Deus entregou aos homens uma borracha e aqueles que verdadeiramente desejassem mudar a história poderiam recomeçar e escrever novos capítulos. Poucos de fato conseguiram escrever novos capítulos. Muitos escolheram acreditar no que o diabo disse a eles, que a escrita tinha sido feita a caneta e que era impossível apagar o que havia sido escrito.

Assim terminou a história. Lembro de ficar com aquela sensação de que faltou algo naquela história e que estava incompleta. Anos depois que fui entender, quando criança não faz muito sentido a sensação de culpa ou até mesmo de fracasso. Fui entender primeiramente o quanto a culpa paralisa e destrói a vida, muitos sentem que já viveram de tudo e não há nada a mais a ser feito. Tudo é possível!

Segundo ponto é que devemos vigiar e atentar para o que estamos escrevendo, pois quando chegar a hora de entregar o caderno, não tem alternativa, e não existem desculpas.

Ao final, tudo tem um ponto final.

Este espaço é dedicado a todos os escritores, fotógrafos, pintores, escultores e artistas da região das montanhas capixabas.
Caso tenha vc tenha interesse em publicar seu trabalho aqui, favor enviar seu material, com o assunto “Coluna Arte nas Montanhas”, para: [email protected]

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