Professor Molion alerta para risco de geada forte no final de julho

Publicado em 22/05/2022 às 08:30

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Preocupado com as condições climáticas e reflexos das constantes mudanças de temperatura em áreas de produção cafeeira, o Conselho Nacional do Café (CNC) convidou o professor e meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion para proferir palestra virtual nesta sobre o cenário climático atual nas regiões do Sul de Minas, Mogiana Paulista, Cerrado Mineiro, Espírito Santo e Bahia.

Por duas horas, e sob o olhar atento de conselheiros do CNC, associados e técnicos de cooperativas, Molion apresentou detalhes quanto às perspectivas de clima tanto para safra 2022/2023 do grão quanto para os próximos anos, que é de tendência de resfriamento e não de aquecimento global, segundo ele.

De maneira geral, ele adiantou que para essas regiões, em 2022, não vê grandes problemas com relação à falta de chuvas, mas chama a atenção para a entrada de pelo menos três massas de ar polar de maior risco: final de maio (de 25 a 30), início de junho (de 4 a 9), sendo a mais severa delas no final de julho (de 23 a 28). 

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O meteorologista alertou ainda para o risco de se ter lavouras plantadas em terrenos baixos, em que o produtor deve se atentar ao zoneamento de riscos climáticos para o café. “Em caso de geada mais crítica, não existe método ou alternativa que possa salvar a lavoura. A maneira mais sensata é o produtor pegar o resultado de geadas anteriores e evitar o plantio nessas áreas da propriedade em que são bolsões de geadas. Olhar a face da terra onde planta o café”, pontuou.

MISSÃO IMPOSSÍVEL – O professor destacou na palestra, realizada na última quarta-feira (18), que previsão de clima é missão impossível. “Eu já desisti de modelos porque se não têm condições de reproduzir o clima atual, imagina previsão. Eu costumo usar previsão por previsibilidade ou, no caso, por similaridade. A gente olha como estão os oceanos – Pacífico e Atlântico – pois os dois juntos correspondem a 52% da superfície da terra, vê como foi o inverno nos EUA, na Europa e, com isso, cria um cenário e identifica um ano que foi semelhante a isso. No caso, similar a 2007”, explicou.

CHUVAS – Seguindo esse padrão, o professor acredita que 2022 terá chuvas dentro da média, com acumulado de 1.500 milímetros em determinadas regiões. “A preocupação maior é de outubro a dezembro, com uma redução de 25 a 30%”, destaca.

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Para os próximos 15 anos, ele observa ainda uma menor frequência de el niños fortes, com chuvas mais localizadas e tempestades isoladas. Para concluir, o professor cita Francis Bacon: “Não podemos comandar a natureza, apenas obedecê-la”. Após a apresentação, foi aberto espaço aos participantes para perguntas e o esclarecimento de dúvidas. Assista abaixo a palestra, na íntegra.

Fonte: CNC

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