Unidade de Agroecologia do Incaper transforma resíduo da fabricação de cerveja em fertilizante
Publicado em 06/02/2026 às 08:26
Foto: Divulgação/ Incaper
A expansão das cervejarias artesanais no Espírito Santo tem ampliado a geração de bagaço de malte, um resíduo que pode ser reaproveitado na agricultura. Na Unidade de Referência em Agroecologia (URA) do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), em Domingos Martins, o material é utilizado na preparação de fertilizantes orgânicos, em uma iniciativa que busca ajudar agricultores a produzir com menos custos e de forma mais sustentável, além de garantir uma destinação ambientalmente adequada ao subproduto.
O bagaço de malte tem altos teores de nitrogênio e é um insumo disponível em diversas regiões do país, com custo relativamente baixo. Na URA, o material — doado por uma cervejaria — passa por um processo de fermentação para a produção do composto orgânico conhecido como bokashi, utilizado na adubação de hortaliças, frutíferas e outras culturas conduzidas em sistemas agroecológicos.
Segundo o pesquisador Jhonatan Marins, coordenador da unidade, o bagaço de malte tem papel fundamental na formulação do fertilizante. “Além de fornecer nitrogênio na forma de matéria orgânica, o bagaço funciona como fonte de energia para os microrganismos responsáveis pela fermentação do composto”, explica.
Atualmente, o bagaço de malte é utilizado em misturas que combinam diferentes resíduos orgânicos, como casca de café, casca de banana, folhas de leguminosas e biomassa vegetal triturada. Essa combinação garante a fermentação adequada do material e resulta em um fertilizante estável, eficiente e adaptado às necessidades das culturas.
“O bokashi precisa passar por um processo de acidificação. Sem isso, o material pode apodrecer e perder qualidade. O bagaço de malte ajuda justamente a garantir essa fermentação correta”, destaca o pesquisador.
Além do uso agronômico, o aproveitamento do bagaço de malte permite substituir insumos mais caros, como o farelo de trigo, comumente utilizado nesse tipo de composto. “O bagaço cumpre a mesma função, mas com custo bem menor, o que torna o sistema mais viável para os agricultores”, afirma Marins.
Na unidade, o biofertilizante já vem sendo aplicado em áreas de hortaliças e, mais recentemente, no cultivo de milho. A proposta agora é ampliar a produção do composto e avaliar sua eficiência em diferentes culturas e áreas.
“A ideia é estruturar uma biofábrica de baixo custo, capaz de produzir grandes volumes de fertilizante, tanto para atender a URA quanto para uso em áreas externas”, pontua. Segundo ele, o objetivo é calcular os custos e comprovar a eficiência agronômica do insumo em sistemas orgânicos e agroecológicos.
O interesse dos agricultores pela tecnologia já é crescente. “Muitos produtores têm procurado a unidade para conhecer a experiência. A meta é instalar unidades demonstrativas em propriedades rurais e ampliar o acesso a esse tipo de fertilizante”, completa.
Ainda de acordo com o pesquisador, em breve será realizado um Dia de Campo sobre o tema. Produtores interessados em aprender o processo de produção do fertilizante com uso de bagaço de malte podem agendar visita à URA pelo e-mail [email protected]. A unidade fica no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano), localizado na Fazenda do Estado, em Aracê, Domingos Martins (BR-262, km 94).
Fonte: Coordenação de Comunicação e Marketing do Incaper
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