Tuberculose segue como desafio de saúde pública e reforça papel da Atenção Primária no diagnóstico e tratamento
Publicado em 24/03/2026 às 09:53
Foto: Freepik
Doença infecciosa e transmissível, fortemente associada aos determinantes sociais, a tuberculose continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Nesta terça-feira (24), o Dia Mundial de Combate à Tuberculose chama atenção para a necessidade de intensificar as ações de controle da doença, que tem cura e tratamento gratuito ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) tem papel essencial na identificação, no cuidado e no acompanhamento dos pacientes. O fortalecimento do vínculo entre as equipes de saúde e a população adscrita — ou seja, vinculada a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) — é uma estratégia fundamental para ampliar o acesso aos serviços e garantir a continuidade do cuidado.
É no âmbito da APS, especialmente por meio das equipes de Saúde da Família, que deve ocorrer a detecção precoce da tuberculose, com a busca ativa de sintomáticos respiratórios. Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, mais rapidamente é possível interromper a cadeia de transmissão da doença.
Outro ponto central é o Tratamento Diretamente Observado (TDO), estratégia em que um profissional de saúde acompanha a ingestão dos medicamentos pelo paciente. A medida permite monitorar possíveis efeitos colaterais, esclarecer dúvidas e oferecer suporte contínuo, favorecendo a adesão ao tratamento e reduzindo os casos de abandono.
Dentro dessa perspectiva, o Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi) tem investido na qualificação permanente dos profissionais, com ações de capacitação sobre tuberculose voltadas às áreas da saúde e da assistência social, fortalecendo a atuação nos territórios capixabas. Entre as iniciativas está a Especialização em Eliminação da Tuberculose e Doenças Determinadas Socialmente, considerada pioneira no país e atualmente em andamento nos polos de Vitória e São Mateus.
O Programa de Qualificação das Redes de Vigilância em Saúde (PQRVS), também desenvolvido no âmbito do ICEPi, atua no fortalecimento das ações de vigilância, prevenção e controle da tuberculose, por meio da qualificação dos profissionais, do uso estratégico de dados e da integração entre diferentes áreas do sistema de saúde.
No Espírito Santo, foram registrados 1.916 casos e 113 óbitos por tuberculose em 2025. Em 2024, o Estado contabilizou 1.882 novos casos e 146 mortes, de acordo com dados do e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS). Os números reforçam a urgência de ampliar as ações de prevenção, diagnóstico precoce e cuidado integral.
“Por meio do Observatório da Tuberculose, o SUS e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Espírito Santo estão cada vez mais integrados, por meio dos fluxogramas de intersetorialidade no tratamento da tuberculose, para garantir que as pessoas recebam o tratamento adequado, alcancem a cura da doença e tenham acesso à proteção social”, destacou a pesquisadora do Programa de Qualificação das Redes de Vigilância em Saúde (PQRVS), Carolina Sales.
A tuberculose também é reconhecida como uma doença social, por estar diretamente ligada a contextos de fragilidade e vulnerabilidade. Entre os principais obstáculos ao diagnóstico estão o estigma e o preconceito. Ainda hoje, muitas pessoas associam a doença à extrema pobreza ou a contextos marginalizados, o que pode provocar medo e discriminação. Como consequência, pacientes permanecem por semanas com tosse sem procurar atendimento, receosos de sofrer preconceito no ambiente de trabalho ou no convívio familiar, o que atrasa o diagnóstico e contribui para a continuidade da transmissão.
Fonte: Sesa