Socol de Venda Nova do Imigrante passa a ser de interesse cultural do Espírito Santo

Publicado em 09/02/2026 às 10:28

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Foto: Tadeu Bianconi/ Setur

O socol, embutido artesanal feito a partir do lombo suíno e típico de Venda Nova do Imigrante, passou a ser oficialmente reconhecido como de relevante interesse cultural no Espírito Santo. O reconhecimento foi estabelecido pela Lei nº 12.618/2025, de autoria do deputado estadual Coronel Weliton (PRD), e valoriza a tradição de origem italiana preservada há gerações no município da região das montanhas capixabas.

De origem italiana, derivado do ossocollo — tradicionalmente preparado com carne do pescoço do porco —, o socol capixaba é elaborado com sal, pimenta-do-reino e alho, passando por um processo de cura que dura de quatro a seis meses. O resultado é um produto de sabor intenso e delicado, reconhecido oficialmente por meio de Indicação Geográfica (IG).

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Legado cultural

Mais do que um alimento, o socol tornou-se símbolo da herança italiana no Brasil e elemento fundamental do agroturismo em Venda Nova do Imigrante. No município, sete unidades produzem a iguaria de forma artesanal. Uma delas funciona no Sítio Lorenção, a menos de dois quilômetros do centro da cidade.

A produtora Gracci Lorenção destaca o orgulho de manter vivo o legado iniciado por seu bisavô, Vincenzo, imigrante vindo do norte da Itália no final do século XIX.
“A principal mudança foi o corte da carne, que antes era retirada do pescoço e hoje é feita com o lombo do porco, deixando o produto com menor percentual de gordura”, explica.

A matriarca da família, dona Cacilda Lorenção, avó de Gracci, relembra com emoção a época em que o pai preparava o socol para consumo familiar.
“Era tudo muito simples, mas feito com amor. Depois de casada, continuei fazendo do jeito que aprendi. Hoje é do lombo, mas continua delicioso e feito com o mesmo carinho”, conta.

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Preservação da tradição

Para o presidente da Associação dos Produtores de Socol (Assocol), Lorenzo Carnielli, a nova legislação fortalece a preservação do modo tradicional de produção trazido pelos imigrantes italianos da região do Vêneto.
“É mais um passo importante para proteger esse saber fazer, que só pode acontecer em Venda Nova. Estudos indicam que apenas aqui existem os tipos de fungos necessários para o processo de maturação”, afirma.

A lei estadual é originária do Projeto de Lei nº 235/2024. Segundo o autor, deputado Coronel Weliton, o reconhecimento reforça o caráter único do socol, cuja produção depende das condições climáticas específicas da região.
“Além disso, há um forte vínculo afetivo e histórico. O socol carrega a memória dos italianos, desde o Vêneto até Venda Nova, preservando um legado cultural transmitido de geração em geração”, destaca.

Entenda melhor

O ossocollo foi trazido para a região por imigrantes italianos no final do século XIX. Diferentemente da versão original, feita com carne do pescoço, o socol capixaba utiliza o lombo suíno, tornando o produto mais magro. Sua produção é concentrada na região serrana do Espírito Santo e protegida por Indicação Geográfica, que garante o método tradicional. O consumo é geralmente cru, fatiado bem fino, como entrada ou petisco.

No canal da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) no YouTube, é possível conferir uma matéria especial sobre as iguarias produzidas em Venda Nova do Imigrante, entre elas o socol.

Fonte: Ales

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