Seminário em São Mateus reforça capacitação sobre doença falciforme e coagulopatias hereditárias no Norte do ES
Publicado em 09/04/2026 às 08:52
Foto: Divulgação/ Sesa
A Secretaria da Saúde (Sesa), por meio da Superintendência Regional Norte de Saúde e do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo (Hemoes), realizou o Seminário Norte Capixaba de Doença Falciforme e Coagulopatias Hereditárias, voltado à capacitação de profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) da região.
Promovido em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Centro Universitário Vale do Cricaré (Univc), o encontro teve como objetivo ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a rede de atendimento a pacientes com doença falciforme e coagulopatias hereditárias, como a hemofilia.
O evento aconteceu no último dia 24 de março, em São Mateus, e reuniu cerca de 120 participantes, número que superou a expectativa da organização.
Segundo o referência técnica na área de doenças raras da Gerência de Políticas e Organização de Redes de Atenção à Saúde (Geporas) da Sesa, João Miguel Debacker, o resultado do seminário foi bastante positivo.
“O seminário foi ótimo. Surpreendeu positivamente, com presença acima do esperado, e cumpriu o seu papel de ampliar o acesso à informação para profissionais, alunos e a população”, afirmou.
De acordo com ele, a iniciativa faz parte de uma estratégia da Sesa para descentralizar as ações de formação em saúde. Até então, eventos com essa temática eram concentrados na Região Metropolitana.
“A gente já realizava esse evento na Região Metropolitana. Agora, estamos descentralizando e queremos avançar para as demais regiões de saúde”, explicou.
João Miguel também destacou o avanço na organização da assistência a pacientes com doenças raras no Espírito Santo, especialmente com a consolidação das linhas de cuidado. A linha voltada às coagulopatias hereditárias já foi publicada, enquanto a das hemoglobinopatias — grupo que inclui a doença falciforme — está em fase final de elaboração.
“A linha de cuidado estabelece os direitos, os fluxos de atendimento, os profissionais envolvidos e toda a trajetória do paciente dentro da rede”, detalhou.
Segundo ele, o Estado vem estruturando uma rede de assistência contínua, desde o diagnóstico ainda na infância até o acompanhamento na vida adulta, com suporte do Hemoes, da rede hospitalar e da Farmácia Cidadã, além da incorporação de novas tecnologias e medicamentos aprovados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O superintendente da Regional Norte de Saúde, Ransmiller Brunelli Camporesi, ressaltou a importância da educação permanente para qualificar o atendimento, principalmente nas unidades básicas de saúde.
“Doença falciforme e coagulopatias hereditárias são temas muito presentes, mas ainda pouco debatidos. A população está na ponta e precisa de um cuidado mais assertivo”, afirmou.
Na avaliação dele, momentos como o seminário fortalecem a Atenção Primária à Saúde e ampliam a capacidade de resposta dos serviços diante das demandas do cotidiano.
“Esses espaços de aprendizagem são fundamentais, porque a graduação não consegue abarcar todas as situações que surgem no dia a dia do atendimento”, pontuou.
Um dos organizadores do evento, o professor da Ufes Francisco Careta destacou a adesão do público e o alcance da iniciativa entre profissionais e estudantes da área da saúde.
“Tivemos uma boa participação, principalmente da Atenção Primária à Saúde, e conseguimos atingir um número acima da média de eventos semelhantes”, avaliou.
Ele também ressaltou a relevância da formação continuada diante da complexidade que envolve o atendimento a pacientes com doenças raras.
“Como são muitas doenças raras, nem sempre é possível aprofundar todas durante a graduação. Por isso, eventos como esse são fundamentais para complementar a formação”, disse.
No Espírito Santo, o atendimento aos pacientes com doença falciforme e coagulopatias hereditárias é realizado por equipes multiprofissionais, com acompanhamento contínuo e suporte especializado. O Hemoes atua como referência estadual, inclusive oferecendo apoio 24 horas às unidades de urgência e emergência.
Referência técnica em doença falciforme no Hemoes, o médico Felipe Dettogni Moro Capo explicou que a assistência envolve cuidado longitudinal e apoio permanente às equipes de saúde.
“Fazemos um trabalho contínuo com equipes multidisciplinares e oferecemos suporte 24 horas para as unidades que atendem esses pacientes”, destacou.
Segundo ele, a estimativa é de que entre 1.500 e 1.800 pessoas com doença falciforme sejam acompanhadas no Espírito Santo, a maioria já inserida na rede de cuidados.
A chefe do Hemocentro Regional de São Mateus, Vanilda Pagcheon Borges, reforçou a necessidade de ampliar o conhecimento da população sobre os serviços oferecidos pela unidade.
“O Hemocentro não é só para doação de sangue. Trabalhamos com uma variedade de serviços, inclusive no atendimento a pacientes com coagulopatias hereditárias”, afirmou.
Já o pró-reitor de Inovação, Pesquisa e Extensão do Centro Universitário Vale do Cricaré, José Roberto Gonçalves de Abreu, destacou a importância da parceria entre instituições públicas e privadas, além da integração entre ensino e serviço proporcionada pelo seminário.
“Tivemos aqui um ciclo de palestras e painéis extremamente importantes, com participação de profissionais, estudantes e pacientes”, disse.
Doenças raras e assistência no SUS
A doença falciforme é uma condição genética que altera o formato das hemácias, podendo provocar crises de dor intensa e outras complicações clínicas. Já as coagulopatias hereditárias são distúrbios que comprometem a coagulação do sangue, elevando o risco de sangramentos.
No Espírito Santo, o atendimento a esses pacientes é estruturado pelo SUS, com acompanhamento desde a infância, acesso a medicamentos, suporte especializado e protocolos clínicos definidos. A organização da assistência por meio de linhas de cuidado busca garantir a continuidade do tratamento e a integralidade da atenção à saúde.
Fonte: Sesa