Provedora da Santa Casa fala sobre o que irá mudar a partir desta semana no hospital de Domingos Martins

Publicado em 31/07/2022 às 19:24

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Texto: Julio Huber / Fotos: Julio Huber e Santa Casa

A partir de amanhã (1º), o Hospital e Maternidade Doutor Arthur Gerhardt (HMAG), de Domingos Martins, passará a ser gerido pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (ISCMV), que incorporou à sua estrutura, os ativos e passivos do HMAG.

Provedora Maria da Penha Rodrigues D’avila quer que o hospital de Domingos Martins volte a ter credibilidade

A reportagem do portal Montanhas Capixabas conversou, com exclusividade, com a provedora da Irmandade, Maria da Penha Rodrigues D’avila, que contou um pouco do que já está sendo pensado para melhorar os atendimentos aos moradores da Região Serrana. A incorporação do HMAG foi aprovada durante uma assembleia geral da Fundação Hospitalar e de Assistência Social de Domingos Martins (Fhasdomar), na última segunda-feira (25).

Atualmente, a Santa Casa possui a maior rede de atendimento hospitalar do Espírito Santo, segundo o Ranking das 200 Maiores e Melhores Empresas no Espírito Santo, realizado pelo IEL, em 2021. O braço assistencial da Irmandade abrange o Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, a Maternidade Pró-Matre de Vitória e, agora, o Hospital e Maternidade Dr. Arthur Gerhardt, de Domingos Martins.

Também fazem parte da Irmandade a Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (Emescam), o plano de saúde Santa Casa de Saúde e a funerária Santa Casa Paz. Completam o grupo o Centro de Habilidades e Simulação Realística Vitória Grand Tech, a clínica de fisioterapia Vitória Grand Físio e o espaço de eventos Vitória Grand Hall. A Irmandade também é responsável, como administradora, pelo SAMU-192 e o Hospital Materno Infantil do município da Serra. Confira abaixo a entrevista.

Montanhas Capixabas – O que o usuário pode esperar de mudanças a partir desta segunda-feira (1º), quando a Santa Casa assume o HMAG?

Maria da Penha Rodrigues D’avila – O objetivo, desde o início, quando nos interessamos em incorporar o hospital, é qualificar o atendimento. Somos uma instituição secular, com 476 anos de existência, temos uma escola de medicina e temos a obrigação de zelar pela qualidade do profissional.

Vamos manter os atendimentos que hoje são feitos, e vamos desenhando o que será melhor para a demanda que vamos encontrar. Estou ainda conhecendo a estrutura, mas muita coisa precisa mudar logo.

“Eu não tenho problemas com dinheiro, mas com a evasão do dinheiro”

Vi umas cortinas penduradas na janela, isso não pode existir, não pode ter pano em enfermaria. Eu vim aqui no início do ano, e hoje vi a mesma tela caída que estava naquela época. Isso eu não consigo suportar. Eu preciso entender tudo. Essa capela mortuária, quem explora ela? É de quem? Eu não tenho problemas com dinheiro, mas com a evasão do dinheiro. Essa área do hospital é muito boa e tem muitos locais para serem aproveitados. Aqui na frente do hospital está feio, sujo, e isso será mudado logo.

Com a incorporação do patrimônio da Fhasdomar à Santa Casa, há algum risco de o hospital ser vendido ou deixar de ser hospital?

Essa possibilidade não existe. Ninguém pode vender um patrimônio que é dado a uma instituição filantrópica. Pode ser trocado por algo muito melhor, mas nunca se desfazer. E não há a menor possibilidade de isso acontecer, muito pelo contrário, desde que entrei na Santa Casa, há 19 anos, só adquirimos bens, se desfazer, jamais. Caso algum dia houvesse a saída da Santa Casa, primeiro o hospital teria que ser repassado ao Estado, depois à Prefeitura ou então para outra instituição.

Na Santa Casa, as enfermarias do SUS são idênticas às do atendimento particular

As dívidas da Fhasdomar passam de R$ 14 milhões, e agora esse valor terá que ser pago pela Santa Casa. Como será esse pagamento?

Vamos pagar tudo, aos poucos, e negociando esse passivo. Mas, precisamos muito do apoio da população, seja ajudando com alimentos ou até com voluntariado. Estamos revendo todos os contratos atuais. Provavelmente os atuais fornecedores daqui são os que já trabalhamos, e temos um histórico de honrar todos os nossos compromissos. Temos muito crédito no mercado e nunca andamos além das nossas pernas. Somos muito transparentes com qualquer recurso que recebemos. Fazemos questão de mostrar aos parlamentares onde usamos os recursos das emendas, por exemplo.

Recentemente a maternidade foi fechada. Há algum planejamento para esse setor no hospital?

Por enquanto, todos os partos serão feitos na Pró-Matre, em Vitória, que também é da Santa Casa. Temos que medir essa demanda. Mas, pelo quantitativo de partos atualmente, não é viável manter uma maternidade por enquanto. Mas, isso o tempo dirá e vamos medindo a demanda. Não adianta ter a maternidade e a paciente estar desassistida após o parto. Por isso vamos levar todas as grávidas para a Pró-Matre, que tem uma equipe muito qualificada.

“Por enquanto, todos os partos serão feitos na Pró-Matre, em Vitória, que também é da Santa Casa”

E o que será feito para conseguir fazer com que as despesas do hospital não sejam maiores que as receitas, como acontece hoje? Poderá haver demissões?

Temos que enxergar a estrutura real da instituição, analisando os contratos que existem com os governos Estadual e Federal. Nesses primeiros meses vamos organizar a operação e arrumar a casa. Temos que trabalhar na realidade do hospital e da necessidade. Temos que buscar qualificação, acima de tudo. Essa região é linda, e além dos moradores, temos que pensar nos visitantes, que querem estar em um lugar que tenha estrutura de saúde. Temos que acompanhar o crescimento da cidade e vamos trazer bons profissionais, e aproveitar os bons profissionais da cidade.

Não pensamos ainda sobre o quadro de funcionários, pois tem muita coisa que temos que olhar. Se olhar hoje, o hospital está vazio, e parece que precisa mandar gente embora, mas há pactuado um número de atendimentos e isso precisa voltar. E nessa estrutura vamos analisar o que será mantido. Pode haver uma mudança ou outra, mas tudo será pensado.

Eu não posso desenhar um quadro de pessoas, apenas por ouvir falar, eu quero ver fazer, ver o desenvolvimento. Não tenho intenção de demitir. Emprego se dá, mas quem se mantém no emprego é a pessoa, mostrando serviço de qualidade.

Mas haverá mudanças de médicos?

Hoje tem muita gente ansiosa pela nossa vinda, porque temos uma grande estrutura no Estado e em todos os lugares que temos atendimento, buscamos a qualidade. O hospital precisa ter um corpo clínico dele, não um profissional passando hoje, daqui a 10 dias ele passa novamente. Qual ligação você tem comigo? Nenhuma! Para que eu quero você aqui? Para nada!

É preciso que a população conheça os profissionais. Às vezes não sabemos nem quem está atendendo. Eu vi que as pessoas não usam nem jaleco aqui. Isso comigo não consegue rodar. Precisamos identificar as pessoas aqui dentro, eu preciso saber quem é quem. Precisa ter um plantonista, alguém que responde pelo atendimento.

Hoje, passando no hospital, vi um moço que eu acho que era doutor, mas não estava identificado. Temos que padronizar. Temos que ter ordem na casa, e as regras são importantes. É preciso ter rotina. Aqui não sei se tem rotinas de higienização, é preciso padronizar.

A Santa Casa atende pacientes de alta complexidade em suas unidades

E poderá haver residentes atuando no hospital, já que a Santa Casa é dona da Emescam?

Hoje temos mais de 120 residentes, e precisamos trazer esses profissionais que querem atuar. Nós não temos estudantes sozinhos em lugar nenhum. É uma regra nossa. Onde tenho estudante, precisa ter o médico, que é o staff do lugar. O residente não entra sozinho sem ter um médico junto.  

A agência transfusional está fechada desde 2019, e com isso não podem ser feitas cirurgias. A agência voltará a funcionar logo?

Não é só porque a agência está fechada que não há cirurgias. Hoje faltam profissionais aqui. Quem trabalha na agência é qualificado para isso, mas os procedimentos são feitos por enfermeiros e técnicos de laboratório. Temos que ver as demandas reprimidas, mas sabemos que há necessidades de cirurgias gerais, ginecológicas e urológicas, como câncer de próstatas e outras.

Não vamos demorar para retomar as cirurgias básicas, porque hoje não se faz mais nada aqui. Primeiro temos que ter uma escala médica de suporte, como clínica médica, pediatria, cirurgia geral, e depois os demais. Precisamos de médicos com experiência, porque as pessoas precisam voltar a confiar.

“Não vamos demorar para retomar as cirurgias básicas, porque hoje não se faz mais nada aqui”

E os atendimentos particulares, vão aumentar também?

Em uma instituição como essa, 60% dos atendimentos precisam ser pelo SUS, e os outros 40% eu posso usar como eu quiser. Mas, para eu convencer você a vir aqui, o que eu preciso? Um lugar limpo, com qualidade de atendimento.

Na Santa Casa, nossas unidades do SUS são lindas, de alta qualidade, iguais as do particular. Isso iremos implantar aqui. Nesse primeiro momento, o paciente que chegar aqui com um perfil que não pode ser atendido aqui, vai descer imediatamente para a Santa Casa. A partir da segunda-feira (1º), a população pode vir que será atendida.

E já se pensa em implantar uma UTI, que é um sonho antigo dos moradores?

Hoje não sabemos responder, porque não temos o desenho do que está projetado para cá. Precisamos mostrar serviço e o que o hospital pode oferecer, porque hoje há um descrédito muito grande quando falamos no hospital de Domingos Martins. Mas, o que pudermos, vamos fazer. Tudo que criamos, temos que manter.

A senhora falou que precisa da ajuda da população, de que forma?

Precisamos limpar esse hospital, aqui na frente precisamos renovar, e também serão bem-vindas as doações de alimentos. Um dos primeiros objetivos é resgatar a confiança da sociedade. A população pode participar doando gêneros alimentícios e serviços voluntários.

“Precisamos muito do apoio da população, seja ajudando com alimentos ou até com voluntariado”

Antes da pandemia, tínhamos 450 voluntários na Santa Casa, atuando de diversas formas, inclusive fazendo cafés, pois muita gente que chega cedo para ser atendido nem tomou café em casa. Tínhamos inclusive desembargadores ajudando no hospital, e queremos criar essa prática aqui. E podemos até participar de eventos para arrecadar dinheiro para novos investimentos.

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