Precisamos falar sobre ela

Publicado em 31/08/2017 às 12:03

Compartilhe

Eu já joguei cartas com a Morte e venci. Mas sei que foi só dessa vez. Haverá um dia, no entanto, em que ela vai ganhar de mim. Ela sempre ganha, é inevitável. A única certeza que temos nesta vida. Mas, por que temos, a maioria de nós, tanta dificuldade em aceitar isso? Morrer é o único jogo de cartas marcadas no qual jogar é obrigatório e perder é inevitável.

Há quem não fale jamais sobre o assunto. Há quem certamente sequer passará do primeiro parágrafo desta crônica. É uma pena. De fato, historicamente, nossa sociedade judaico-cristã e ocidental tem uma dificuldade enorme acerca do tema. Se morrer é perder, que seja quando for a hora de jogar. O problema todo é que, mesmo sabendo da perda, conhecer as cartas não é de todo ruim. Se for para perder, que seja com dignidade, ao menos.

Eu conheci as cartas e, ardiloso, ganhei a partida. Tive como prêmio o “gostinho” do outro lado. Sei que o assunto é polêmico, mas, sei, também, que o que eu vi foi muito contundente. Na minha experiência com a Morte, pude perceber que há um “lado de lá”, tão negligenciado pela maioria das pessoas, sobretudo dos religiosos. É como se estivéssemos tão ligados a isto aqui que víssemos apenas a dimensão da perda. Mas, e se, mesmo perdendo, tivéssemos um “prêmio” a nossa espera?

Em muitas culturas, a Morte é encarada de uma forma mais “natural” (por mais chocante que isso possa parecer). Em certos países orientais, o luto é na cor branca, que significa a “pureza”, o “renascimento”. Em algumas tribos indígenas, o ente se torna uma árvore, ficando ali, para sempre na memória. Na nossa, o peso. A imagem das carnes apodrecendo. O choro de quem pensa apenas na ausência. Mas será que só há ausência com a Morte? Não seria a lembrança uma outra forma de presença?

Viver é morrer aos pouquinhos. Sei que, um dia, vou me reencontrar com a Morte, vamos jogar cartas e eu vou perder. Não tenho medo disso, no entanto. Porque, nesse interregno entre mim e o jogo, há tanto a se fazer e muito o que me preocupar. Já perdi pessoas que perderam o jogo, algumas, até por vontade de abreviá-lo. Uma lástima. A beleza da vida é jamais se importar com isso. Quero ir sereno para minha última partida, na certeza de que há um outro caminho a percorrer. E, mesmo que você, leitor, não acredite nisso, pense que ainda vale a pena buscar a felicidade dos dias que nos separam da cartada final.

Veja também

ministerio do saude anuncia parceria

Ministério da Saúde assina parcerias na Índia para produção de medicamentos contra o câncer no SUS

back-view-woman-holding-credit-card-floor

Mais de 76 mil capixabas saem da inadimplência em janeiro

view-hands-with-heart-shape-represent-affection 5

Atividade física e saúde do coração: por que se movimentar é essencial

foto nova 6y53g5ty

Olivas de Gramado promove 2º Festival do Azeite com experiências imersivas na Serra Gaúcha

Senior african american woman in face mask receiving vaccination. retirement and senior lifestyle during covid 19 pandemic concept.

Espírito Santo recebe primeiras doses da vacina nacional contra a dengue do Instituto Butantan

secom

Estado reforça parcerias e anuncia novos investimentos em Vila Pavão nas áreas de saúde, educação e infraestrutura

45_donald_trump-the-whinte-house-1024x1024-1-1-1

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump

55104351798_4398a33af6_o

Lula defende que IA fique a cargo de instituição multilateral