Operação da Polícia Federal investiga fraudes milionárias praticadas por empresa de Domingos Martins

Publicado em 14/03/2023 às 08:42

Compartilhe

Operacao-da-Policia-Federal-investiga-fraudes-milionarias-praticadas-por-empresa-de-Domingos-Martins

A Polícia Federal, em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU), deflagrou, nesta manhã (14), a “Operação Onipresente”. Dezenas de policiais federais estão cumprindo mandados de apreensão em pelo menos três endereços na sede de Domingos Martins. O objetivo é descortinar a atuação de organização criminosa que, segundo a investigação, possui contratos firmados com 74 prefeituras do estado do Espírito Santo e em mais sete estados brasileiros.

Os elementos coligidos ao longo da investigação revelaram que, através de uma sólida rede de influência econômica, diversas pessoas jurídicas pertencentes ao grupo empresarial investigado se valiam de seu domínio na área de desenvolvimento de programas de informática, fornecimento de provedores de internet, bem como consultoria e assessoria de sistemas, para direcionar e assim fraudar procedimentos licitatórios, seja por meio da inclusão de cláusulas restritivas ou mesmo através de simulação de concorrência e rodízio das empresas contratadas.

A cronologia dos fatos ora investigados demonstra a extensa atuação, não somente do ponto de vista territorial, uma vez que empresas ligadas ao grupo estão presentes em contratos firmados em ao menos 08 estados brasileiros, mas também no que diz respeito ao tempo dessa atuação.

Em que pese as investigações terem sido iniciadas em 2016, os documentos analisados dão conta de que, pelo menos, desde 2002 o grupo atua junto a Prefeituras e outros órgãos municipais, dominando as contratações em alguns setores capixabas, sobretudo da área de informática.

Para se ter uma dimensão do vulto financeiro, foi identificado que no período de janeiro de 2017 a junho de 2022 foi empenhado por 74 prefeituras do ES o montante de R$ 165,4 milhões em favor da principal empresa gerida pelo grupo, dos quais R$ 136,0  milhões  já  teriam sido  pagos, envolvendo recursos federais e recursos próprios dos municípios.

Nesse sentido, foram identificados indícios de irregularidades que dizem respeito a um rol de situações que, tomadas em conjunto, apontam para um possível direcionamento das contratações em favor das empresas, que ainda são investigadas por lavagem de capitais, corrupção ativa e passiva, além da constituição de organização criminosa.

Deste modo, diante da autorização judicial exarada pela 1ª Vara Federal Criminal de Vitória/ES, na data de hoje, 10 (dez) mandados de buscas e apreensão são executados em pessoas físicas e jurídicas que, dentro do contexto investigativo, ocupam diferentes funções na hierarquia delitiva, abarcando empresários, interpostas pessoas, operadores financeiros e prováveis líderes do esquema criminoso. 

Ao todo, 49 policiais federais e 04 (quatro) servidores da Controladoria-Geral da União participam da deflagração, executando as medidas cautelares nos municípios de Domingos Martins e Vitória/ES. 

O nome da operação faz referência ao adjetivo masculino e feminino que significa ubíquo e caracteriza algo ou alguém que está presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

Contextualizando à investigação, o que se se identificou como uma característica acentuada da organização criminosa investigada foi justamente a proporção e extensão de sua atuação, considerando que somente no estado do Espírito Santo o grupo investigado possui contratos firmados com 74 municípios (vale lembrar que o estado capixaba possui a totalidade de 78 municípios), ou seja, opera em praticamente todas as cidades capixabas.  

CRIMES INVESTIGADOS

Frustação do caráter competitivo de procedimento licitatório

Art. 90 da Lei 8666/1993.  Frustrar ou fraudar, mediante ajuste, combinação ou qualquer outro expediente, o caráter competitivo do procedimento licitatório, com o intuito de obter, para si ou para outrem, vantagem decorrente da adjudicação do objeto da licitação:      

Pena – detenção, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Corrupção passiva

        Art. 317 do Código Penal – Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:

        Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Corrupção ativa

        Art. 333 do Código Penal – Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício:

        Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

Organização criminosa

Art. 2º da Lei 12.850/2013 – Promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa, sem prejuízo das penas correspondentes às demais infrações penais praticadas.

Lavagem de dinheiro

Art. 1° da Lei 9.613/1998 –  Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa

Fonte: Polícia Federal

Veja também

cultura-18-04-ft-div-gov-es

Festival Santa Teresa Gourmet completa dez anos conectando público com gastronomia, música e cultura

geral-18-04-ft-negocio-rural

Fim de semana gelado em Vitória e mais 7 capitais brasileiras

brasil-18-04-ft-flipar

Mulher que levou idoso morto a banco passa por audiência de custódia

geral-18-04-freepik-dinheiro

Senado aprova isenção de IR para quem ganha até dois salários mínimos

turismo-18-04-ft-div-setur

Rota dos Sabores mostra a diversidade gastronômica do Espírito Santo

arte-e-cronica

Crônica: Quais suas prioridades?

policia-17-04-ft-policia-amb

Polícia Ambiental flagra atividades de terraplanagem sem licença ambiental na Região Serrana

brasil-17-04-ft-div-portal-ig

Ministério Publico apura se o PCC está infiltrado na saúde pública de São Paulo