O cultivo adensado de café arábica potencializa o uso de fertilizantes e pode dobrar a produtividade já na primeira colheita

Publicado em 13/02/2025 às 16:07

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Uma pesquisa do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) revelou uma estratégia eficiente para aumentar a produtividade do café arábica na primeira colheita, reduzindo os custos com adubação. O estudo demonstrou que o plantio adensado – ou seja, com menor espaçamento entre as plantas – melhora o aproveitamento do fertilizante nitrogenado e pode até dobrar a produção por hectare.

O experimento teve como objetivo avaliar a produtividade, os índices de aproveitamento do nitrogênio (N) e o retorno econômico da adubação nitrogenada no café arábica cultivado em região montanhosa. Foram analisados diferentes espaçamentos de plantio (convencional, adensado e superadensado) e distintas doses de N.

Os resultados mostraram que, com maior densidade de plantas por hectare, há um aumento na concentração de raízes no solo, favorecendo a absorção de nutrientes, incluindo o nitrogênio. Além disso, o aumento das cargas negativas no solo e o microclima gerado pelo adensamento, com retenção de umidade no sistema, reduzem a lixiviação (perda de nitrogênio com água que percola para camadas profundas) e a volatilização (perda de nitrogênio na forma gasosa), tornando a adubação mais eficiente.

Sob essas condições, as plantas produziram mais. “Demonstramos que, com o plantio mais adensado, o cafeicultor pode chegar a dobrar a produtividade do café na primeira colheita, mantendo a mesma dose de fertilizante nitrogenado usada em uma lavoura não adensada. Isso representa um grande benefício para o produtor, tanto financeiramente quanto em termos de sustentabilidade”, destaca o pesquisador André Guarçoni.

Impacto econômico

No estudo, foram calculados a renda bruta por hectare e o retorno econômico da adubação nitrogenada. Os resultados mostraram que, embora o plantio adensado combinado com doses elevadas de N gere maior renda bruta, o melhor retorno econômico – ou seja, maior lucro por real investido – foi obtido com menores doses de fertilizante nitrogenado aplicadas no plantio mais adensado. Isso ocorre devido ao maior aproveitamento do fertilizante nessa condição, o que se reverte em incremento na produtividade, maximizando a rentabilidade.

Comparativo entre ureia comum e protegida

A pesquisa também avaliou o desempenho de dois tipos de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados no Brasil: a ureia comum e a ureia protegida (que possui um inibidor de urease para reduzir perdas de nitrogênio no solo).

Os resultados indicaram que a ureia protegida teve melhor desempenho em espaçamentos maiores, prevenindo perdas por volatilização. No entanto, em plantios adensados, a ureia comum apresentou desempenho semelhante à protegida, demonstrando que o cafeicultor não precisa utilizar fertilizantes mais caros nessa condição, reduzindo, assim, o custo de produção.

A pesquisa foi realizada em uma propriedade rural de Brejetuba, na região Sudoeste Serrana do Espírito Santo, com financiamento do Consórcio Brasileiro de Pesquisa do Café e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), por meio de bolsas de Iniciação Científica.

Os resultados do experimento foram publicados em novembro de 2024, em português, na revista Scientia Plena, uma publicação científica mensal e multidisciplinar. Para conferir o artigo, acesse: https://www.scientiaplena.org.br/sp/article/download/7493/2755/37206.

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